AVICULTURA
Galinha caipira é alternativa de renda para agricultores familiares
Projeto do governo estadual no semiárido prevê investimento de aproximadamente R$ 24,1 milhões

A criação de galinhas caipiras é um sistema estratégico para agricultores familiares. Ela pode ser implementada com o custo de produção inferior ao das aves criadas em granjas comerciais. Além disso, a aceitação no mercado dos ovos e de frangos caipiras é grande.
Por isso, os produtores baianos têm sido beneficiados com as ações do governo do estado na construção para 20 galinheiros, equipamentos, vacinas, medicamentos/ desinfetantes e ração, por meio dos projetos da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Bahia Produtiva e Pró-Semiárido. O investimento foi de aproximadamente R$ 24,1 milhões, beneficiando 1.960 galinheiros no estado.
O coordenador de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) do Bahia Produtiva/ CAR, Wecslei Ferraz, explica que foram aplicados nessas unidades o sistema semi-intensivo de criação de aves caipiras. “Esse sistema é metade com ração concentrada e metade com área de pastejo, onde a ave pode comer pequenos insetos. Ou seja, ele prevê muito a questão do bem-estar do animal”.
Na Cooperativa de Produtores de Aves e Suínos de Pintadas (Coopaves), do município de Pintadas, que fica no Território Bacia do Jacuípe, 25 famílias foram contempladas para produzir aves e ovos usando o sistema semi-intensivo. Ferraz comenta o motivo pelo qual foi escolhida essa associação. "Foi observado uma necessidade de intensificar um pouco o comércio de ovos nessa área. Então, elaboramos um projeto para construir uma unidade de classificação de ovos, conhecida como entreposto, com a parceria da Embrapa do Rio de Janeiro para contribuir com seus conhecimentos e tecnologias sobre esse tipo de produção”.
Para o diretor-presidente da Coopaves, Lenildo Rios, a ideia de construir o entreposto de ovos se deu porque os agricultores que vivem no território da Bacia do Jacuípe aumentaram a oferta de ovos na região depois que receberam o kits de galinheiros por meio do projeto da Bahia Produtiva.
Ele conta também que a construção do entreposto teve início no ano passado e que ainda está em fase de conclusão. “Com o projeto pronto, vai produzir aproximadamente 3.600 ovos por dia, ou seja, 300 dúzias por dia. Nós só estamos aguardando a aprovação da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) para colocar a unidade em funcionamento e, assim, distribuir os ovos em todo território da Bahia”.
Sair da informalidade
Lenildo diz que as expectativas são muito grandes porque os produtores de ovos vão sair da informalidade e passar a realizar o trabalho de maneira formal. “É um projeto importante porque vai ter um produto que vai passar pelo entreposto para fazer o processo de seleção, embalagem e rotulagem de acordo com a legislação vigente do estado, bem como acessando a grandes mercados e garantindo renda a todos os agricultores que fazem parte desse projeto”.
O coordenador de ATER do projeto Bahia Produtiva falou também sobre a importância deste trabalho: “O empreendimento melhora os sistemas tradicionais de produção, utilizando-se de práticas ajustadas às vivências das comunidades rurais e da agricultura familiar, bem como garantindo uma melhor qualidade na produção de aves e ovos, sem a utilização de métodos artificiais, tanto no manejo, de uma forma geral, quanto na alimentação do plantel”.
*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló
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