Dicas úteis para quem vai comprar ou vender seminovo

Publicado quarta-feira, 11 de setembro de 2019 às 09:53 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Lúcia Camargo Nunes | Fotos: Uendel Galter | Ag. A TARDE

Tradicionalmente, o segundo semestre é uma época favorável para a troca e revenda de veículos no Brasil. Além da tendência de baixa de juros, o que facilita os financiamentos, os consumidores costumam se planejar com o 13º salário e bônus das empresas no fim do ano para comprar um carro.

Em uma troca de carro, o que envolve um bem de alto valor agregado, é preciso ficar atento dos dois lados: o vendedor manter seu veículo valorizado e o comprador ter atenção na hora de escolher e fechar negócio. O mercado valoriza o estado geral do carro, que deve estar em boas condições de uso e de conservação, a quilometragem baixa, manual com revisões completas e a procedência.

Revisão: prioridade

Manter o carro revisado é condição fundamental no mercado. Para Marcelo Viana, diretor-executivo da T4 Consultoria, essa é uma rotina e disciplina que o proprietário deve ter sempre. “As revisões podem evitar surpresas e gastos adicionais. Por outro lado, na hora da venda, o manual com todas as revisões feitas demonstra o cuidado e zelo pelo veículo, transmitindo confiança”.

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Código de Defesa do Consumidor (CDC) prevê garantias para a compra de seminovos em revendas

Diego Cova, da loja DG Seminovos, do Auto Shopping Itapoan de Salvador, ressalta que, se possível, as revisões devem ser realizadas em concessionária. “Quanto à estética, não deixar acumular avarias e sempre manter o carro limpo. É importante deixar o veículo sempre ‘em dia’, para que, no momento em que se resolva vender, não deprecie tanto”.

ANTES DE VENDER

Flávio Guimarães, da loja Salvador Multimarcas, também do Auto Shopping Itapoan, reforça: “A revisão deve ser realizada em oficina autorizada em veículo em garantia e em oficinas com certificações atualizadas e mecânicos treinados quando o veículo está fora de garantia, para assegurar tanto ao revendedor quanto ao comprador a certeza de um bom negócio”.

E é preciso ficar atento aos detalhes. Por exemplo, com o manual do proprietário, valorizado pelos compradores. “Importantíssimo o acompanhamento do manual do proprietário na compra e venda de veículos, visto que o histórico do manual é que vai dar um panorama real da situação do veículo”, sinaliza Guimarães.

“Todo veículo tem em seu manual de instruções os itens que devem ser revisados a cada 10 mil km, em média. Quando feito em concessionária, fica mais fácil. Caso seja feito fora de concessionária, se atentar ao manual e guardar todas as notas fiscais para comprovação de revisões”, explica Cova, da DG Seminovos.

André Augusto Coutinho, proprietário da Albatroz, loja do Auto Shopping Rodrigues de Salvador, resume: “Sempre fazer revisões de acordo com a fabricante, aconselhamos que acompanhe o manual, e ficar ciente de toda tecnologia e procedimento para utilizar e conservar o veículo da melhor forma”.

Raphael Galante, consultor automotivo da Oikonomia, diz que, na prática, entre dois carros similares, dos quais um teve toda a sua vida checada em uma concessionária e o outro não, a probabilidade de o primeiro ser vendido mais facilmente é enorme.

ANTES DE FECHAR NEGÓCIO

Idade e conservação

A idade do veículo também é um fator importante. Para não perder mais dinheiro com a depreciação, é preciso saber o momento de vender. “Antes, as trocas eram realizadas em média a cada três anos, quando terminava a garantia. Hoje essa expectativa aumentou para quatro a cinco anos, em razão das incertezas da economia”, afirma o diretor da T4.

O lojista Diego Cova acredita que quanto mais novo, melhor. “Mas os seminovos e os usados têm que ser avaliados pela conservação. Se for conservado, terá um bom custo-beneficio”.

O ano de um carro seminovo ou usado é bem relativo. “O estado de conservação e as manutenções devem ser observadas, bem como a quantidade de donos anteriores e as revisões realizadas”, reforça Guimarães, da Salvador Multimarcas.

Escolher o carro quanto à sua valorização de mercado é uma questão que depende de cada perfil. Para Galante, todo carro tem seu mercado. “O que varia é a velocidade com que se faz negócio. A bola da vez no mercado são SUVs e hatches pequenos. Eles são como pão quente, saem a toda hora. Já as station wagons (como Palio Weekend) e hatches médios (por exemplo Cruze) ainda possuem mercado, mas restrito. Se você for racional, pode pensar nisso na hora em que for comprar um usado ou novo, que é a velocidade em revender. Mas aí tem que se perguntar: estou comprando um carro para mim ou para os outros?”, avalia.

Do lado do comprador

Se o dono do carro tem uma lista de tarefas para não perder dinheiro na revenda, o comprador também precisa ficar atento antes de fechar negócio. Se ao sair da concessionária um carro novo perde 10% de seu valor, em média, a dica para quem prefere um seminovo é comprar com até dois anos de uso. “Nesse intervalo as revisões foram realizadas e alguns estão dentro da garantia de fábrica. Vale lembrar que este veículo estará em média de 10% a 20% mais barato que um carro zero quilômetro, dependendo do modelo e marca”, explica Marcelo Viana. Segundo o diretor da T4 Consultoria, antes de comprar, além do estado do carro, o consumidor deve verificar se o veículo foi submetido a revisões, se tem laudo de vistoria, levantamento de multas e débitos e que todas condições estejam muito bem claras e registradas em propostas e nota fiscal.

Para Galante, em geral, carros até cinco anos podem ser uma melhor opção. “Neste caso, você ainda tem linhas de crédito mais acessíveis. Carros com mais anos, quase não possuem linha de crédito e quando têm são taxas bem mais altas. A compra de um carro um pouco mais velho, que pareceria um bom negócio, pode virar um mico”. O economista da Oikonomia ainda sugere a checagem do veículo. “Hoje várias empresas fazem isso através do número de chassi ou placa. Por esse relatório é possível saber todo o histórico do carro”.

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