TURISMO
Atendimento mais pessoal motiva busca por hotéis e pousadas menores
Dominantes em número, mas somando menos quartos, estabelecimentos atendem vários perfis econômicos

Sejam escolhidos pelo charme conceitual, pela sensação de acolhimento ou pelo preço mais acessível, os hotéis e pousadas de pequeno e médio portes atraem um público diverso. Não há dados precisos sobre o quanto representam do setor hoteleiro na Bahia ou apenas em Salvador, mas, em número de estabelecimentos, esse perfil supera os grandes empreendimentos, estima a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH-BA).
A atmosfera mais conectada com a cultura local e a maior proximidade com a equipe são algumas das características que motivam o educador físico Felipe Isidoro, 34 anos, na escolha de lugares menores. “São melhores para conhecermos a cultura da cidade e fazem a gente se sentir mais acolhidos”, comenta. Acompanhado da namorada, ele estava em sua segunda visita a Salvador.
Na tarde de sexta-feira, dia no qual Felipe falou com A Tarde, o casal pretendia fazer um roteiro com foco na cultura negra soteropolitana, tema no qual têm buscado se aprofundar. Eles vieram à capital baiana para ver os shows do Festival AfroPunk, realizado no final de semana, e escolheram se hospedar em um dos oito quartos da Pousada Des Arts, no Santo Antônio Além do Carmo.
Reaberta há nove meses pelo casal Isabele Oliveira e Leonel Mattos, a pousada oferece suítes em três padrões, com preços entre R$ 380,00 e R$ 590,00. A opção mais barata é com vista para a rua, enquanto a mais cara oferece um mezanino e vista para a Baía de Todos-os-Santos. O pavimento no nível da rua, onde funciona a recepção, tem ainda uma lojinha, e um espaço de convivência.
No local também funciona a galeria de Leonel, que é artista plástico, além da Varanda Gourmet da Isa, um restaurante aberto ao público, assim como o café da manhã do espaço. Isabele conta que buscam agregar referências culturais, com a promoção de eventos como o realizado às segundas-feiras, com uma apresentação de chorinho para embalar o pôr do sol.
Há poucos metros dali, os hóspedes do Aram Yami Boutique Hotel também podem desfrutar da vista típica do bairro, seja nos quartos não voltados para a rua ou no deck com piscina. Com decoração inspirada no budismo e temas orientais, o estabelecimento oferece seis quartos, com valores que variam de R$ 980,00 a R$ 2.354,00. A suíte mais cara, com alguns cômodos à disposição dos hóspedes, é bastante procurada para dia da noiva, conta a gerente Emilly Cruz Rios.
“Essa coisa mais exclusiva, mais íntima, permite contato mais profundo com os hóspedes, permite um auxílio maior. Já cheguei a levar hóspedes para passeios específicos, tem pessoas que acabam virando amigos, pessoas que retornam passam anos e anos retornando”, comenta Emilly. Em sua avaliação, esse contato mais profundo é inviável em locais com centenas de quartos, nos quais às vezes até mesmo o check-in é feito de forma mais solitária.
A possibilidade de oferecer essa hospedagem mais intimista que sempre foi seu modelo preferido como hóspede é a motivação apontada por Didier Ounnas para criar a Casa do Amarelindo, no Pelourinho, em 2007. Apre sentado como um hotel de charme, um conceito relacionado ao funcionamento em prédios históricos ou de valor cultural, o local oferece dez quartos, parte deles com vista para a Baía, com preços entre R$450,00 e R$1.200,00, a depender do período.
Assim como verificado no Aram Yami, a pandemia trouxe uma mudança no perfil dos hóspedes. Após o período de maior isolamento, enquanto os voos internacionais continuavam restritos, a Casa do Amarelindo acabou sendo “descoberta” pela população de Salvador, especialmente para datas comemorativas, e posteriormente pelos viajantes brasileiros. “Hoje em dia, estamos com um público misto entre estrangeiros e brasileiros, quase meio a meio”, afirma Didier.
Um crescimento na proporção de turistas brasileiros também foi notada por Aniello Alves, proprietário da Pousada Viver Bahia, na Barra. Quando foi inaugurado, em 2018, o espaço mantinha um quarto coletivo, mas atualmente as dez suítes são voltadas para casais. Aniello conta que foi um teste, mas rapidamente ficou estabelecido que o perfil de público seria outro, até pelos preços praticados, de R$350,00 a R$380,00.
“A gente faz uma proposta de um tipo de hospedagem diferente, que não é só tome aqui a chave do quarto e suba, temos um perfil de acompanhamento total do hóspede. A gente se comunica com o WhatsApp quando ele está na rua, por exemplo”, conta Aniello. Ele destaca sua presença constante como um fator determinante para promover uma atmosfera intimista e de atenção direcionada.
Arrefecimento da pandemia deu novo fôlego para setor hoteleiro
A Bahia tem 996 hotéis/pousadas de grande, médio e pequeno porte com cadastro regular no Ministério do Turismo, informou a Secretaria de Turismo do Estado (Setur). Segundo a Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (Secult), a cidade conta com 401 meios de hospedagem, entre hotéis, pousadas, apart-hotel/flat, albergues/hostel e chalés.
“Com a pandemia, muitos fecharam, principalmente os de pequeno porte, mas após a crise do Covid-19 muitos foram reabertos, com o mesmo nome ou com um nome diferente. Os empreendedores se dizem atualmente esperançosos com a retomada, pois as vagas têm sido preenchidas plenamente a partir de setembro e para a alta estação”, garante a Setur, por meio de nota.
Para o presidente da ABIH-BA, Luciano Lopes, o setor hoteleiro de Salvador é bastante democrático, quanto à diversidade de tipos disponíveis e também aos preços, atendendo desde o mochileiro ao viajante em busca de luxo. Embora não tenha um levantamento específico, a impressão dele é de crescimento no segmento de pequeno e médio porte na Bahia, especialmente em regiões turísticas do interior.
“O turismo não é só feito de grandes hotéis e grandes resorts e grande, esses grandes empreendimentos dependem muito de malha aérea, de voo, e muitas cidades nâo têm aeroporto próximo. Esses locais recebem um volume muito grande de pessoas, então é complicado ir de carro ou de ônibus”, analisa.
Na avaliação da Setur, quanto mais opções são oferecidas, com qualidade nos serviços, maior a atratividade das 13 zonas turísticas da Bahia. Para apoiar o setor, como um todo, a Secretaria declara apostar no suporte à capacitação e qualificação das equipes, com a oferta de cursos.
Por meio de nota, a Secult afirma estar em diálogo constante com o setor para o desenvolvimento de ações de fomento, a exemplo do Road Show, que consiste em apresentar as melhores experiências do destino e suas novidades.
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