SALVADOR
Acidente com ônibus alerta sobre a precariedade do sistema
Motivos que levaram ao acidente ocorrido ainda vão ser investigados
Por Priscila Dórea

O acidente com o ônibus que ficou pendurado em um viaduto na BR-324, na manhã de segunda-feira, 19, felizmente, não teve vítimas fatais, mas serviu para alertar sobre a precariedade do sistema de transporte público de Salvador.. No momento do acidente só estavam o motorista, que teve ferimentos leves, e um outro rodoviário, que nada sofreu.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os motivos que levaram ao acidente ainda vão ser investigados, mas a possibilidade das fortes chuvas da noite anterior ao acontecido terem seu papel no caso existe, explica o diretor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Daniel Mota.
“Mas isso é apenas uma linha de investigação que pode ser tomada, ainda é cedo para dizer isso com firmeza. O que sabemos é que o susto foi muito grande e o perigo foi real. Imagina se ele estivesse com passageiros?”, questiona.
Não é a primeira vez que um acidente do tipo assusta a cidade. Um dos mais graves aconteceu em 2019, na região do Acesso Norte. Na ocasião, um ônibus caiu de uma ribanceira de 10 metros em frente ao Shopping Bela Vista, deixando 27 pessoas feridas. De acordo com o laudo, uma falha mecânica no sistema de direção fez com que o condutor perdesse o controle do veículo.
Daniel Mota aponta que alguns ônibus da frota de Salvador precisam realmente ser trocados, em especial alguns que vieram de outros estados e que não são novos. Porém, a maior necessidade do transporte público da cidade é ter sua frota aumentada.
“Nós já tivemos 2.500 ônibus, hoje temos menos de 2.000 em uma cidade de 3 milhões de pessoas, onde metade deve usar os coletivos. A falta de ônibus é perceptível em horários de pico, por exemplo, principalmente nos pontos próximos às estações de metrô. Eles ficam lotados e a frota não é suficiente”, explica o sindicalista.
Redução da frota
Para o estudante universitário Bruno Brandão, apesar de alguns defeitos que encontra em um ônibus ou outro, o que mais incomoda é justamente a frota reduzida. “Isso aumenta e muito a lotação dos ônibus. O preço já não é dos mais atraentes e você ainda tem que competir por espaço? Apesar disso, não lembro de ter pego nenhum ônibus que tenha quebrado no meio do trajeto nem nada do tipo, mas alguns motoristas têm o pé pesado e se esquecem que tem gente que está em pé no ônibus. Basta uma freada brusca para alguém se machucar”, relata.
E quem bem sabe o sufoco que é pegar ônibus cheio com motorista com pé de chumbo é a professora Paloma Nunes, que precisa atravessar a cidade todos os dias para ir e voltar do trabalho, já que mora em Areia Branca e ensina numa escola na região do Itaigara. "A maioria dos motoristas é bem amigável, e já sabe bem quais passageiros vão pegar e que horas, por causa da rotina do trabalho. O problema é que eles correm muito e os ônibus costumam ser cheios demais, fora que às vezes eles não param nos pontos, o que é um agravante para mim, porque onde moro costuma ser bem deserto".
“Como a gente pega ônibus todo dia, acaba se acostumando com o descaso: motor que faz muito barulho,, demora de alguns para subir uma ladeira e a própria demora para pegar o ônibus. Quando acidentes assim acontecem, nos damos conta do perigo que corremos”, reflete o porteiro José Márcio Santos.
A tarifa de R$ 4,90, uma das mais altas do País, é o que torna a situação mais “revoltante”, diz o fotógrafo Danilo de Oliveira, usuário de ônibus e do metrô. “A qualidade dos ônibus não justifica em nada esse valor. Não temos nem metade da frota com ar-condicionado e é perceptível que as manutenções são muito básicas, pois só quando acontece algo com os veículos que eles resolvem fazer uma manutenção real. Isso é simplesmente bizarro, porque a gente paga um valor muito alto para ter uma qualidade muito aquém”, enfatiza
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