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SALVADOR

Acusado de abuso sexual, padrasto de Eva Luana é investigado por outros crimes

Silvânia Nascimento

Por Silvânia Nascimento

22/02/2019 - 17:17 h | Atualizada em 21/01/2021 - 0:00

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Thiago Oliveira Alves, padrasto de Eva Luana, 21 anos, está sendo investigado por cerca de oito a 10 crimes cometidos contra ela, a mãe e sua irmã
Thiago Oliveira Alves, padrasto de Eva Luana, 21 anos, está sendo investigado por cerca de oito a 10 crimes cometidos contra ela, a mãe e sua irmã -

Custodiado no Centro de Observação Penal (COP), no presídio da Mata Escura, em Salvador, o padrasto de Eva Luana, de 21 anos, Thiago Oliveira Alves, suspeito de torturá-la e estuprá-la durante oito anos, está sendo investigado por cerca de 8 a 10 crimes, que também teriam sido cometidos contra mãe e sua irmã de seis anos.

A informação foi divulgada na tarde desta sexta-feira, 21, durante coletiva para imprensa no Ministério Público da Bahia (MP-BA), localizado no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Na ocasião, a promotora de Justiça da Vara Paz em Casa, de Camaçari, Ana Carina Sena, esclareceu alguns detalhes sobre o caso.

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Segundo ela, o prazo para Thiago apresentar um advogado este sábado, 23, caso contrário, um juiz que acompanha o caso poderá decretar que a defesa seja feita por um defensor público. Em seguida, será marcada uma audiência de instrução, onde as vítimas, as testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas e o réu interrogado. Enquanto isso, Eva e sua família continuam sob proteção judicial.

"Quando li o inquérito logo percebi que teria repercussão. Com a ajuda de minha estagiária que é colega de turma de Eva, consegui chegar até ela. Ouvi o relato da vítima e percebi que são inúmeros crimes. Demos entrada no processo e o juiz decretou a prisão preventiva do acusado".

De acordo com Ana Karina, em outubro de 2011, Eva e sua mãe compareceram a uma delegacia para fazer uma denúncia contra Thiago, mas, dois meses depois retornaram à unidade policial e apresentaram uma nova versão.

“Em janeiro de 2012 elas compareceram à delegacia e disseram que o autor da conjunção carnal não era o padrasto, mas sim, um namorado de Eva, que ela não recordava o nome, nem sabia onde se encontrava. Então, naquela época a denúncia foi arquivada, já que não existia crime contra o padrasto. Mas hoje sabemos que elas voltaram atrás porque eram ameaçadas por Thiago”, relatou Ana Karina.

Imagem ilustrativa da imagem Acusado de abuso sexual, padrasto de Eva Luana é investigado por outros crimes
Promotora Karina Sena deu coletiva para explicar os próximos passos do inquérito (Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE)

Conforme a promotora, foram narrados diversos crimes, inclusive contra a vida, onde serão analisados pela Vara do Júri, já que a Vara de Violência Doméstica não possui atribuição para julgar esta categoria de crime.

“Pelo relato que Eva fala nas redes sociais, ela diz que foi vítima de cinco abortos, esses abortos não estão na ação penal proposta pelo MP, porque se trata de um crime contra a vida, sendo de competência de outro juiz e de outro promotor apurar esses relatos. Essa separação foi feita para acelerar as investigações, porque depois de tudo que Eva viveu, ela merece ter paz”, declarou a promotora.

O caso

A denúncia veio à tona, na última terça, 19, depois de Eva publicar em seu perfi nas redes sociais alguns textos que relataram as torturas que, segundo ela, viveu durante quase oito anos dentro da sua própria casa.

Residente da cidade de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), ela diz que, além de sofrer agressão física, psicológica e perseguição, também foi estuprada desde os 12 anos.

{1} respira ♡ / a todos que me ajudaram até aqui, seja no "desaparecimento" ou agora, com os fatos verdadeiros, a minha eterna gratidão. Aos meus amigos de infância, que eu fui obrigada a abandonar um por um, preciso pedir perdão. Não vou citar nomes, mas quem está firme comigo sabe, eu vou retribuir com todo o meu amor e relembrar até a minha velhice. / Meu caos teve início quando eu tinha 12 anos, minha mãe era agredida,abusada,violada e torturada quase todos os dias. Meu padrasto era obsessivo e ciumento com ela. Resumindo de uma maneira geral, ela era agredida com chutes, joelhadas, objetos.. Era abusada sexualmente de todas as formas possíveis. Era obrigada a tomar bebidas até vomitar e quando vomitava tinha que tomar o próprio vômito como castigo. Ele começou a me abusar sexualmente. Eu tinha nojo, repulsa, ódio e não entendia porque aquilo acontecia comigo. Me sentia uma criança estranha e diferente das outras. Achava que aquilo só acontecia comigo. Eu tentei por diversas vezes ir para a casa da minha avó, mas ele sempre ligava ameaçando todos, dizendo que iria matar e fazer várias coisas assim. Então era uma prisão sem grade, literalmente. Quando eu fiz 13 anos denunciei. Nessa denúncia eu tinha certeza que seria salva por todos. Mas não foi isso que aconteceu. O Estado falhou a tal ponto que o meu caso não chegou nem ao Ministério público. Fui obrigada a retirar a queixa por ameaças do meu padrasto. Ele utilizou o poder financeiro pra comprar a liberdade e comprar a minha alma. Porque ali eu perdi a minha alma. E o que eu fui denunciar, 1 ano de sofrimento, se multiplicou em mais 8 anos. Desde então os abusos, torturas e todo tipo de agressão foram aumentando dia após dia, ano após ano. Eu não tive mais vida social. Tudo era uma farsa. Ele nos obrigava a fingir que tínhamos uma família perfeita. As agressões eram verbais, físicas e psicológicas. Entre elas comer muito, em tempo estipulado, isso aconteceu com uma pizza família, pra comer inteira em 10 minutos. Óbvio que não conseguimos.Tb tomar 2 litros de refrigerante nesses 10 minutos.. eu levei socos no rosto e ele não me deixava me proteger com a mão. Chutes até cair no chão

Uma publicação compartilhada por Eva Luana 🌻 (@evalluana) em

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