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CRIME

Assédio contra mulheres: não é não!

Implantado há cerca de quatro meses, Flor de Cacto foi criado para fiscalizar bares e similares em Salvador

Priscila Dórea

Por Priscila Dórea

27/02/2023 - 7:00 h

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Projeto Flor de Cacto funciona apenas na boate A Borracharia, mas será ampliado
Projeto Flor de Cacto funciona apenas na boate A Borracharia, mas será ampliado -

Respeitar o corpo do outro e respeitar o não. Campanhas, projetos e leis buscam coibir crimes de importunação e assédio, mas muitos “nãos!” ditos por mulheres ainda são ignorados. Casos como o do jogador Daniel Alves numa boate na Espanha e do empresário André de Camargo Aranha em uma casa noturna, em Santa Catarina - caso Mariana Ferner, de 2018 -, fervem nos meios de comunicação. Mas muitos são os anônimos importunando mulheres nesses locais: 66% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de assédio em bares e baladas, afirma a pesquisa Bares Sem Assédio, da Johnnie Walker.

Para tentar coibir tais comportamentos - evitando que crimes mais graves aconteçam -, que a educadora física Clarissa Hirs teve a ideia de criar o projeto Flor de Cacto. Uma fiscalizadora circula pelo estabelecimento e, diante de uma situação que pareça importunação, ela conversa com a mulher e pergunta se está desconfortável. Em caso afirmativo, o homem é abordado e notificado. Caso ele seja agressivo e rejeite a notificação, é expulso do local pelos seguranças.

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“Sempre fui uma pessoa da noite de Salvador e já fui assediada diversas vezes. Gosto de roupas curtas e de dançar, mas muitos homens entendem isso como um sinal de que a mulher está disponível. Isso sempre foi um incômodo e acontece mesmo em espaços como A Borracharia, um ambiente que sempre teve uma campanha forte contra o assédio. Porém, a triste verdade é que não adianta ter um projeto e iniciativa se não temos uma fiscalização”, explica Hirs.

No momento, a boate localizada no Rio Vermelho é a única onde o projeto atua e a equipe de segurança é um grande apoio nas abordagens, enfatiza Clarissa.

Proprietário da boate, Raphael Lopes conta que eles estão com o projeto há cerca de quatro meses e os resultados são promissores. “É importante colocar que os homens que não comungam com a prática abusiva também estão satisfeitos com o trabalho. A gente não pode apenas não concordar com esses comportamentos, isso é pouco, precisamos agir”, afirma.

Carnaval

E o Carnaval é um dos objetivos de Clarissa Hirs com a expansão do projeto e empresa Flor de Cacto: Companhia Feminina Antiassédio. “Queremos formar uma equipe para poder atender outras boates, bares, restaurantes e atuar também no Carnaval”, conta.

A titular da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), Elisângela Araújo, afirmou que está aberta para conversar com o Flor de Cacto e demais iniciativas. “Toda legislação que contempla as mulheres demanda de árdua luta. E, infelizmente, de crimes contra mulheres. Veja que as leis carregam, muitas vezes, os nomes das mulheres que foram vítimas: Lei Maria da Penha, Lei Carolina Dieckmann, e aqui nós vemos que tanto as mulheres anônimas quanto as celebridades não estão imunes aos atos de violência e crime”, afirma.

Clarissa lembra que em Salvador existe a Lei do Assédio, de número 9.582/2021, regulamentada pela Prefeitura que estabelece multas de R$2 mil a R$20 mil para homens que cometem assédio sexual, mas não há fiscalização. A secretária da SPM afirma que é importante lembrar que a lei penal só pode ser criada em âmbito federal, seguindo processo constitucional.

Os episódios de importunação no Carnaval com integrantes do bloco As Muquiranas também acenderam novos alertas, e o presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação do Estado da Bahia (FeBHA), Silvio Pessoa, garante que os associados já estão sendo orientados a atualizar o treinamento dos colaboradores dos estabelecimentos. “É preciso que eles saibam reconhecer os casos de importunação e acolher as vítimas, seja homem ou mulher, tratando todos com respeito. Isso é uma forma de manter os clientes seguros”, explica.

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