SALVADOR
Bahia Café Hall é reintegrado ao estado

O Bahia Café Hall, uma das principais casas de shows de Salvador, localizada na avenida Luiz Viana Filho, a Paralela, foi reintegrado nesta segunda-feira, 13, à tarde ao governo estadual. Foram cinco anos de briga judicial com os administradores do espaço.
Segundo o oficial de justiça José Carlos Soares, que realizou o processo de reintegração de posse ao lado de representantes da Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb), não houve resistência para a entrega do imóvel.
Um prazo de 15 dias para a desocupação já havia vencido, de acordo com Soares, e os proprietários estavam avisados da operação. A partir de agora, sob a posse do governo estadual, o Bahia Café Hall terá seu rumo discutido. O objetivo, conforme a equipe de reportagem de A TARDE apurou, é transformar a casa de shows em
um espaço multicultural do estado.
A Secretaria de Comunicação da Bahia confirma que essa discussão existe nos órgãos culturais do governo, mas informou ontem que nada foi decidido ainda. A equipe de TARDE tentou contato com a assessoria do Bahia Café Hall, mas não obteve êxito.
Nesta segunda, uma vistoria foi feita no local, pelo oficial de justiça e pelo diretor de patrimônio da Saeb, Miguel Sampaio, que atestaram a conservação física da casa. "Em 30 anos de trabalho, nunca vi entregarem um imóvel tão bem cuidado", afirmou José Carlos Soares.
Disputa judicial
O imbróglio entre o governo e os empresários que administravam o Bahia Café Hall começou em 2010, quando a Caixa Econômica Federal avaliou que o aluguel pago pelo uso do espaço, de R$ 7 mil, era baixo e deveria ser reajustado para, no mínimo, R$ 39 mil.
Antes, em 2008, o estado já havia pedido a área de volta. Isto porque o contrato só permitia o funcionamento de um restaurante e não de uma casa de shows. Mas a solicitação não foi atendida pelos concessionários.
Dívida
Por causa da ocupação considerada irregular, o governo estadual cobra cerca de R$ 2,2 milhões aos antigos administradores, segundo Miguel Sampaio. O valor é referente ao aluguel do espaço enquanto havia contrato e também após o fim do mesmo. O cálculo foi baseado no valor de R$ 39 mil mensais, avaliado pela Caixa Econômica, no caso dos meses posteriores ao término do acordo de concessão.
"O contrato de R$ 7 mil terminou em meados de 2010 e, a partir daí, começamos a contar o valor de R$ 39 mil", explicou Sampaio enquanto vistoriava o local. "O processo de luta pela posse terminou, mas ainda existe um processo financeiro", disse.
Falta de espaços
Produtores culturais têm expectativas sobre o fim que terá o Bahia Café Hall. Reclamam da falta de espaço para eventos, especialmente em Salvador, e esperam que a ideia de construção de um espaço multicultural seja cumprida. Caso isso não aconteça, o setor perde um equipamento de aproximadamente 1.000 m², com capacidade para 2.200 pessoas.
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