SALVADOR
Bahia tem produção excedente de energia

Por Maiza de Andrade*, do A TARDE
O risco de um apagão no Estado da Bahia está longe de ter como causa o suprimento de energia, na avaliação do superintendente de energia e comunicações da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra), Silvano Ragno. Segundo ele, o Estado é autossuficiente em energia, com a produção de 7.482 megawatts e consumo em torno de 60% deste total. Situação semelhante à do País, que, segundo ele, está em condições normais, sem qualquer tipo de ameaça, pois os reservatórios de água estão cheios por causa da abundância de chuvas. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), 78% da energia do País provém das hidroelétricas.
Problemas nas linhas de transmissão, que provocaram o apagão em 18 estados do País, segundo o superintendente, “são muito difíceis de ser previstos”.
“O que aconteceu na terça atingiu a artéria principal”, disse, numa comparação das linhas de transmissão com o sistema circulatório do corpo humano.
No interior - Uauá (a 443 km de Salvador) foi o município onde a falta de energia demorou mais no Estado. Durante 25 minutos, a cidade ficou na escuridão, fato que não acontecia há pelo menos cinco anos. Às 21h15, estabelecimentos comerciais já estavam fechados. O posto de combustíveis encerrou suas atividades uma hora antes do usual. “Poderíamos ter usado as manivelas, mas não havia mais funcionários naquele horário e tivemos de fechar. Por conta da uma hora com o posto parado, deixamos de arrecadar entre R$ 500 e R$ 1 mil”, afirmou um dos donos, Mércio Loiola e Oliveira.
No bar, ao lado do posto, Rogério Santana disse que a clientela foi fiel e não saiu. “A iluminação veio dos aparelhos celulares”. Para sorte dos pacientes atendidos no Hospital Municipal de Uauá, um gerador não permitiu que o apagão afetasse os serviços. “Temos em média 100 atendimentos ao dia no hospital e fazemos cirurgias eletivas, como partos e laqueaduras, mas o tempo que a cidade ficou sem energia não nos prejudicou”, informou a diretora Cynthia Cajuí Carvalho.
Adeilson Damasceno dos Santos, funcionário de um mercadinho da cidade, vendeu mais velas do que o normal. “Parece que as pessoas ficaram com medo de que acontecesse de novo e compraram muitas caixas”, disse.
Já na região do semiárido baiano, o apagão trouxe poucas consequências. “Quando estávamos começando a ficar preocupados, a luz voltou”, revelou uma funcionária do hospital de Iaçu. Segundo ela, que pediu para não ser identificada, o apagão não durou cinco minutos na cidade.
Um morador de Valente considerou a falta de energia tão rápida que nem a relacionou com o apagão nacional. “Acho que foi somente coincidência”, opinou. Em Riachão do Jacuípe, que consta na relação da Coelba como cidade em que faltou energia, um policial informou que não houve interrupção. Em Conceição do Coité, o apagão foi inferior a três minutos. Já em Alagoinhas, a falta de energia durou cerca de 20 minutos.
No extremo sul, o apagão atingiu Nova Viçosa e Mucuri, mas sem transtornos. Em Eunápolis, a falta de energia durou entre 10 e 15 minutos
Colaboraram Cristina Laura, Glauco Wanderley e Mário Bittencourt*, das sucursais
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