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MOBILIDADE

BRT completa um ano com elogios da Prefeitura; população contesta

No dia do aniversário, serviço inaugura Linha B3, que abrange regiões como Pituba e Caminho das Árvores

Alex Torres

Por Alex Torres

30/09/2023 - 6:00 h

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Com a implementação da nova linha, o sistema passará a operar com um total de 44 ônibus, sendo todos eles elétricos
Com a implementação da nova linha, o sistema passará a operar com um total de 44 ônibus, sendo todos eles elétricos -

Muito contestado no período inicial de sua concepção, o BRT (Bus Rapid Transit) de Salvador superou críticas iniciais e saiu do papel, passando a operar no dia 30 de setembro de 2022. Neste sábado, quando se comemora o aniversário de um ano do serviço, uma nova linha passa a funcionar.

Denominado de B3, o novo trajeto sai da Estação Rodoviária do BRT, nas proximidades do Shopping da Bahia. Em seguida, passa pelo início da avenida Tancredo Neves e entra no bairro do Caminho das Árvores, por meio da Alameda das Espatódeas, seguindo pelo bairro através da Rua do Jaracatiá, passando ainda por Colégio Militar, Praça Nossa Senhora da Luz, APAE e retornando à Rodoviária.

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Com a implementação da nova linha, o sistema passa a operar com um total de 44 ônibus, sendo todos elétricos. Em agosto deste ano, com apenas a B1 e B2 em operação, 720 mil pessoas utilizam o modal. Em entrevista ao Portal A TARDE, o secretário de Mobilidade, Fabrízzio Muller, classificou o sistema como um sucesso.

"Considero que foi uma decisão acertadíssima da Prefeitura. O BRT tem um feedback muito positivo dos usuários. Conseguimos otimizar a rede de transporte, que era uma necessidade para a evolução cidade. Não podemos pensar na rede de transporte com a cabeça de 15 anos atrás, quando não tínhamos outros modais nem integração tarifária. Então se fez necessária essa remodelagem para garantir uma maior eficiência, um melhor serviço para a população", explica o titular da Semob.

Logo quando o projeto do BRT foi apresentado pela Prefeitura, diversas polêmicas surgiram em torno de modal, principalmente por parte de arquitetos e ambientalistas. Entre as críticas, estaria a questão do custo da obra, desmatamento na região da avenida ACM, além da defasagem do sistema.

Fabrízzio Muller, no entanto, refuta a ideia de que o transporte seja algo ultrapassado para a população. Segundo ele, não existe um critério de transporte melhor ou pior, sendo cada um necessário para uma determinada área da capital baiana.

Muito foi dito e tentou-se desqualificar a imagem do BRT, que é um sistema moderno. Você tem BRTs rodando no mundo inteiro. Outros modais, como metrô e VLT, não são superiores ou melhores. Acredito que cada modal tem a sua característica e indicação para determinada área da cidade. Para aquela localidade, o BRT supre muito bem a demanda, ofertando uma qualidade e conforto que as pessoas querem
Fabrízzio Muller - Titular da Semob

Superlotação e corte nas linhas de ônibus

Na contramão da fala do secretário, usuários do BRT têm feito algumas críticas contundentes quanto ao meio de transporte. O relações-públicas Felipe Paz Oliveira utiliza o sistema para se deslocar ao trabalho e contou que a experiência inicial foi positiva, mas, posteriormente, passou a enfrentar bastante superlotação.

"No início era bem confortável, porque a gente ia sentado, mas confesso que, ultimamente, com o corte da linha de ônibus ficou bem ruim o serviço. Fica muito cheio, tem pontos que nem consegue entrar gente [...] Minha reclamação é mais com relação a essa superlotação, que não é nada funcional", relatou ao Portal A TARDE.

Questionado sobre o corte das linhas de ônibus que antes faziam os trechos das regiões de Pituba, Caminho das Árvores e Itaigara, o secretário explica que a estratégia foi estudada pela Semob e que, por conta das faixas exclusivas, os ônibus transitam e retornam mais rápidos às bases, o que aumentaria o número de viagens sem necessariamente ampliar a frota.

"Com o seccionamento dessas linhas na região do Iguatemi, você consegue que menos veículos, que antes atendiam circulando nessas localidades em trânsito misto, retornem mais rápido para os pontos de origem, aumentando as viagens. Então se torna um ganho em eficiência dessas linhas que retornam mais rápido aos bairros, podendo ofertar mais viagens. Aqueles que estão na Pituba, por exemplo, passarão a ser atendidos pelo BRT, fazendo a integração na região do Iguatemi, tendo mais opções, conforto e chegando mais rápido ao destino", analisa.

Secretário de Mobilidade, Fabrízzio Muller
Secretário de Mobilidade, Fabrízzio Muller | Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

Faixa exclusiva e percurso mais rápido

A superlotação também é reforçada pelo jornalista e assessor, Marcos Felipe Nascimento, que afirmou pegar o ônibus sempre bastante cheio, mesmo fazendo um trecho bem curto. Ele ainda questiona a utilidade do modal, a partir do momento em que acredita que metrô e ônibus poderiam suprir a mesma demanda, mas ainda assim, cita pontos positivos.

"Fazendo uma ponderação, tem um lado positivo que é rápido e segue uma pista exclusiva. Isso facilita o deslocamento e torna o transporte seguro dentro do possível, além de ser confortável", pontuou Marcos.

Estudante de design, Larissa Oliveira elogiou a experiência que tem tido com a utilização do BRT e ainda ressaltou a velocidade com que conclui seus trajetos diariamente com o uso do sistema. Ela ainda reconheceu que, às vezes, o transporte fica superlotado, mas contou que, no horário em que precisa, não tem enfrentado dificuldade.

"Particularmente, eu gosto do serviço e uso todos os dias, porque nem todo o horário é cheio e costuma ser bem mais rápido. Eu costumo ir para a Rodoviária, porque eu vou para a faculdade e lá eu tenho mais opções. Aqui no Itaigara, eu só tenho a opção de pegar um ônibus para a faculdade, porque reduziram as linhas. Sendo que na Rodoviária eu tenho duas e ainda passam com maior frequência. Então é algo que faz uma diferença, além de não pegar engarrafamento. Ônibus em geral demora mais", declarou.

Trecho 2 e projetos futuros

Com as conclusões das linhas B1, B2 e B3, fica pendente apenas o trecho 2 do modal, que promete ir até a Lapa. Referente ao prazo de conclusão da obra, o secretário de Mobilidade demonstra bastante otimismo e acredita que o sistema esteja operando em sua totalidade já no ano que vem.

"Temos previsão para o primeiro semestre do próximo ano. A Superintendência de Obras Públicas do Salvador (Sucop), que é o órgão que executa e gerencia a obra, nos deu esse prazo. Eles vão iniciar agora a montagem das estações e acreditamos que esse prazo será cumprido e iremos conseguir colocar em operação já na primeira metade de 2024", projetou.

Ao ser perguntado sobre projetos futuros que já estão no escopo da Prefeitura para o modal, Fabrizzio Muller revelou que a ideia é levar o serviço da Lapa até o aeroporto. Para isso, seria implantado uma espécie de "novo serviço", denominado de BRS (Bus Rapid Service).

"Quando chegar até a Lapa, vão ter linhas ligando Lapa-Pituba, Lapa-Rodoviária, Lapa-Aeroporto (via Orla). Este último é um projeto que está nos compromissos do prefeito, que é o BRS, um serviço de faixas preferenciais em toda a Orla. Projeto que já está sendo finalizado pela Semob", revelou Muller.

Após conclusão do Trecho 2, secretário revelou que a ideia é levar o BRT até o aeroporto (via Orla de Salvador), além de projetos que estão no escopo do Governo do Estado, como nas avenidas Orlando Gomes, Gal Costa, 29 de Março e Pinto de Aguiar

Por fim, o titular da Semob falou sobre a ideia de colocar BRT em avenidas como a 29 de Março e Gal Costa, entre outras. No entanto, ele pontuou que parte das obras estão a cargo do Governo do Estado.

"As vias transversais, como é o caso da 29 de Março, da Gal Costa, da Orlando Gomes, da Pinto de Aguiar, foram projetadas pelo Governo do Estado para receberem os BRTs transversais, que iriam inicialmente da Orlando Gomes até Águas Claras e, se eu não me engano, era corredor Vermelho e Azul. Esse dois têm previsão de operação de BRT e está no escopo do estado, mas ainda não foram feitas as estações. O compromisso é o estado finalizar as obras e entregar a infraestrutura que está no escopo, para a prefeitura assumir a operação e aumentar o serviço para a cidade", conclui o secretário.

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