SALVADOR
Choque de tubarão com prancha assusta surfistas em Praia do Forte
A aparição de um tubarão assustou surfistas no último domingo, em Praia do Forte, distrito de Mata de São João, a 50km de Salvador. Mais de 15 esportistas estavam na água quando um deles, conhecido apenas pelo prenome Afrânio, foi arremessado pelo impacto do choque do tubarão contra a prancha. Ninguém ficou ferido, mas a presença do animal causou pânico.
“O colega estava afastado de mim cerca de 5 metros. De repente escutei um grito dele e, quando olhei, vi que tinha sido arremessado para frente. Depois vi um bicho largo, cinza, com barbatana e um rabo em formato vertical”, lembra uma das testemunhas, o fotógrafo Eduardo Moody.
Quem também estava no mar foi o estudante Frederico Pessoa, que conta a reação ao ver o animal. “Quando o bicho saiu da água deu para ver principalmente a barbatana e a cauda. Saímos do mar assustados e paramos nos corais com medo que tivesse acontecido algo com nosso colega”.
A presença de tubarões nas proximidades da costa baiana, principalmente no Litoral Norte, é comum, de acordo com o biólogo Cláudio Sampaio, que ouviu relatos sobre a aparição do animal. “É normal que apareçam perto da costa, que é o habitat natural dele”, afirma.
Nos 18 anos de experiência em surf Eduardo Moody já tinha visto outros tubarões no mar em Praia do Forte, Salvador e Fernando de Noronha. “O diferencial é que nas outras vezes estavam atrás de cardumes e desta vez ele bateu na prancha de um surfista”, pondera..
Moody acredita que a área em Praia do Forte tenha sido visitada pelo tubarão por abrigar outras espécies marinhas, como peixes e tartarugas. “No domingo tinham muitos cardumes de Tainha passando no local. Pode ser que o tubarão tenha sido atraído para o local para se alimentar”, disse. O fotógrafo acredita, ainda, que o tubarão pode ter confundido a prancha do colega com uma tartaruga.
De acordo com o biólogo Cláudio Sampaio, a probabilidade de encontros entre esportistas e animais marinhos aumentou com a popularização de esportes como surf, kite surf e travessias. “Há cada vez mais gente no mar e os esportistas procuram áreas que não são muito freqüentadas. Com isso, é comum que encontrem animais como golfinhos e tartarugas”, explica.
Baseado em relatos de pessoas que estavam no local, Sampaio acredita que o choque tenha sido acidental. “Não houve sinais de agressão nem de ataque às pessoas. A aparição gerou pânico entre os surfistas, mas não houve maiores incidentes”, disse.
Há nove anos trabalhando com animais marinhos, o pesquisador Rodrigo Nogueira também não classifica a aparição do tubarão como ataque. “Se a intenção fosse atacar, com certeza ele machucaria a vítima. Na hora de um ataque o tubarão já vem com a boca e como seus dentes são muito afiados, arrancaria o pedaço da presa. Ele também se assustou com o choque, tanto que fugiu e não tentou atacar as pessoas que estavam no mar”, disse.
Algumas medidas preventivas são sugeridas por Sampaio para que os esportistas não corram riscos no mar. Segundo ele, o ideal é que evitem a prática de esportes sem acompanhantes. “Quando as pessoas estão em grupo, a tendência é que afastem os animais”, destaca.
Segundo ele, as espécies de animais mais perigosas que habitam o litoral baiano são o Tubarão Tigre e o Cabeça Chata. “São animais grandes, fortes, que freqüentam águas rasas e têm alimentação generalista”, explica. Esses tipos de tubarões são os mesmos envolvidos em ataques a surfistas em Pernambuco.
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