SALVADOR
Comoção ritual na despedida de Mãe Nitinha de Oxum
Mãe Nitinha de Oxum foi sepultada na tarde desta terça-feira, no Jardim da Saudade, em Brotas, numa cerimônia rodeada de simbolismo, religiosidade e comoção. Iyá kekerê da Casa da Branca (segundo posto na hierarquia do terreiro), ela foi a única representante do candomblé convidada pelo governo federal a assistir ao enterro do papa João Paulo II, em 2005.
Filhos e filhas-de-santo, amigos, familiares e admiradores, vestiram roupas brancas em sinal de respeito à ialorixá Areonithes da Conceição, que faleceu anteontem aos 79 anos, após uma infecção pulmonar.
Segundo parentes presentes à solenidade, ela tinha muitos filhos-de-santo no Brasil e também na Europa, Argentina e nos Estados Unidos. Pai Mauro de Oxóssi, um dos seus filhos-de-santo mais próximos, afirmou que “mãe Nitinha era mais do que uma mãe-de-santo... Só quem conviveu com ela sabe da sua importância. Ela nos deixa um legado de sabedoria e amor aos orixás”.
O secretário estadual de Promoção da Igualdade, Luiz Alberto, participou da cerimônia de adeus à religiosa. “Trago os sentimentos do governador (Jaques Wagner) e do presidente (Luiz Inácio Lula da Silva), que lamentaram a morte desta importante representante do candomblé”.
O cerimônia fúnebre foi feita ao som da canção em homenagem a Egum (ancestral), entoada por adeptos do candomblé em enterros do povo-de-santo. Cleo Martins, do Ilê Axé Opô Afonjá, ressaltou a contribuição da mãe-de-santo para a preservação das raízes do candomblé. “Com sua morte, vai também um conhecimento sobre a religião que poucos detêm. O candomblé está de luto”.
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