Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR

SALVADOR

Corpo de desaparecida é retirado de canal

George Brito, do A TARDE
Por George Brito, do A TARDE

O dia seguinte à terça-feira de temporal foi de tristeza, preocupação e procura dos desaparecidos na quarta, 6. O corpo de Fernanda Bispo dos Santos, 28 anos, arrastada pela enxurrada na região da Av. San Martin, foi encontrado pelos bombeiros, por volta do meio-dia, no canal da Av. ACM, em meio à vegetação, já próximo à Rótula do Abacaxi.

A filhinha dela, Beatriz, de 6 anos, apesar dos rumores de que teria o corpo avistado no mesmo canal, até o final da noite permanecia desaparecida. Familiares dela e bombeiros vasculhavam o local, sem nada encontrar.

Tudo sobre Salvador em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Durante o dia, oito mergulhadores trabalharam nas buscas, mais, pelo menos, oito homens nas varreduras dos canais. “É muito lixo e vegetação. O trabalho é difícil”, afirmou o major Marquesini, à frente das equipes de busca.

Na Rua Nadir de Jesus, onde Fernanda e Beatriz foram arrastadas pela força da água e caíram numa vala, os moradores reclamam da falta de ação municipal. Não foi a primeira vez que eles viveram esta tragédia.

“Já morreram aqui três pessoas que caíram no canal. Há muitos anos temos chamado a atenção para isto. Ficamos nadando com qualquer chuva forte aqui”, indigna-se Romildo Ermínio da Paixão, 59 anos, presidente da Sociedade 29 de Março (antigo nome da atual Rua Otoniel Dutra, localizada também na região).

Pelas vielas do local, à beira do canal aberto, cheio de matagal, lixo e barrento, a água atingiu um metro de altura, invadiu imóveis e trouxe prejuízos.
A preocupação de Jandiara Lopes da Silva, 52 anos, é ser mais uma desabrigada. Com a chuva de terça, ela perdeu toda a comida estocada para o mês (compradas com R$ 170 e mais R$ 160 de doação em cestas básicas). “Estamos aqui ainda porque não temos dinheiro para alugar uma casa”, afirmou Evanilza Silva dos Santos, 20 anos, filha de Jandiara.

Procurada pela reportagem para falar sobre a limpeza dos canais, a Secretaria de Infraestrutura (Setin) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os canais “são limpos periodicamente”. Até o fechamento desta edição, a Setin não precisou quando o canal da Rua Otoniel Dutra (Av. San Martin) sofreu drenagem pela última vez.

Sofrimento – Na casa dos familiares de Fernanda e Beatriz, na Rua Progressista, o silêncio revela o tamanho do sofrimento. Apenas o pai de Fernanda, João Senhorinho, 55 anos, falou sobre a tragédia: “Minha fofinha (Beatriz) ia fazer 7 anos. Eu disse para a mãe dela para não passar por ali, que era perigoso”.

Uma amiga da família, que preferiu não se identificar à equipe de reportagem, não conseguia esconder a tristeza e indignação. “Isso não é fatalidade, é negligência”, disse. Falando de Beatriz no presente, contou que a garotinha “estuda” música e “faz” teatro. “É como se fosse minha filha, vi crescer”, emocionou-se ela.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas