SALVADOR
Curso ensina a reagir à violência em ônibus
O passageiro está no ônibus, quando ouve os gritos exigindo a entrega de seus objetos de valor. O autor da agressão quase sempre tem às mãos algum tipo de arma e pontua as frases com palavrões. Em meio ao clima de estresse, nem todos sabem o que fazer. “Não reaja”, diz a regra. Reaja corretamente, dizem os praticantes do Krav Maga, uma arte marcial de origem israelense, cuja tradução do nome hebraico quer dizer “combate próximo”. O grupo vai apresentar hoje, a partir das 8h30, o curso sobre o comportamento dentro do transporte coletivo.
No último domingo, foram registrados quatro assaltos a coletivos em Salvador, sendo que em dois deles os passageiros foram saqueados pelos assaltantes. Em nenhum dos casos houve detenção dos suspeitos. A Polícia Rodoviária Federal estima que por mês aconteçam 12 assaltos, em média, só na região da Brasilgás, na BR-324. Por trás dos números, está a escondida uma realidade cada vez mais presente: o aumento da violência urbana, que está transformando o uso do transporte coletivo em motivos de preocupação e sobressaltos.
Reação – Para o mestre Kobi Lichtenstein, maior nome da arte na América Latina, qualquer pessoa pode ser preparada para reagir a uma situação de risco. “Fazemos uso da objetividade para eliminar a necessidade de usar a força bruta”, explica ele, destacando que a técnica é diferente de outras por ser simples, rápida e direta. Com MBA em Segurança nacional e terror pela Universidade de Segurança e Investigações de Israel, ele pratica a arte desde os três anos de vida, tendo aprendido diretamente com Imi Lichtenfeld, que criou a técnica para as forças armadas israelenses na década de 40.
As autoridades policiais normalmente recomendam cautela na reação em casos de assaltos, que só deveriam ocorrer em situações extremas. O noticiário demonstra que a reação pode causar problemas, mesmo quando a vítima é um agente da lei. Em 4 de setembro do ano passado, o policial civil Antônio Gonçalves Mendes Filho terminou morto após reagir à ação de criminosos. Por outro lado, no mesmo dia o policial militar Gilber de Santana Santos conseguiu balear assaltantes que o renderam em seu veículo. A reportagem de A TARDE tentou contactar o Grupo de Repressão a Roubos de Coletivos para comentar o assunto, mas o delegado de plantão não estava no local.
Kobi Lichtenstein diz que as pesquisas sobre o assunto demonstram que na maioria das vezes o cérebro humano responde de forma mais lenta em momentos de estresse. “Nos primeiros instantes de um desastre a mente pode bloquear completamente a ação”, explica. Segundo ele, apenas 10% das pessoas consegue reagir rapidamente, 80% demora e responde a comandos externos, enquanto 10% das vítimas bloqueiam qualquer mecanismo de reação e precisam ser conduzidos por outros, no chamado choque de guerra, segundo ele. “Entre os 10% que reagem sozinhos, há pessoas que já passaram por uma situação parecida antes ou aquelas que se prepararam”, explica.
O Krav Maga, avisa o mestre, tem um foco claramente defini do: permitir que o cidadão vítima da violência salve a própria vida. “Custe o que custar”, acrescente, explicando que isto inclui machucar aquele que tentava agredir, se for necessário. “O trabalho é direcionado a enfrentar a violência do mundo real”.
Em simulações para desarmar indivíduos com armas de fogo e armas brancas, chama a atenção a violência da defesa. No primeiro cenário, um suposto assaltante está com uma faca no pescoço da vítima, que em poucos instantes afasta a faca, ataca o assaltante com o cotovelo, simultaneamente ao momento em que torce o braço do assaltante e retira a faca, para socá-lo em seguida no rosto. No caso de um ataque com revólver encostado na cintura, a vítima afastaria a arma, bateria no queixo do assaltante, arrancaria o revólver e bateria mais duas vezes.
Curso
Aula acontece no final de linha da Pituba, a partir das 8h30
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