SALVADOR
Embate importante para a Independência teve capital como palco


Sentado próximo ao panteão ao general Pedro Labatut, em Pirajá, o motorista Júlio César Santos, 45 anos, descansa. Se estivesse no mesmo lugar, em 8 de novembro de 1822, não presenciaria a movimentação rotineira do bairro, mas o embate mais importante pela luta de consolidação da Independência do Brasil na Bahia, a Batalha de Pirajá, que marca o início do fracasso do exército comandado pelo militar português Madeira de Melo.
O historiador Francisco Senna lembra que, entre 1822 e 1823, cada província estava em combate pela unidade nacional, em oposição ao desejo português de que o Brasil voltasse a ser sua província ultramarina.
Com isso, hoje, no dia que se comemora a fundação da cidade, ele relembra a importância da capital em escala nacional durante as lutas de consolidação do rompimento com Portugal. “A Batalha de Pirajá não foi tão sangrenta como a Batalha do Jenipapo, no Piauí, mas foi a mais importante pela influência política e econômica da Bahia”, destaca Senna.
Nesse contexto, conforme a historiadora Antonietta d'Aguiar, a área que hoje corresponde ao Alto do Cabrito, Pirajá e Campinas de Pirajá, não estavam incorporados à Salvador. Contudo, era um ponto estratégico, pois quem dominava aquela região controlava o fluxo de mercadorias que vinham pela Estrada das Boiadas.
“Pirajá era um povoado, uma comunidade pequena. Já temos a Igreja de São Bartolomeu de Pirajá, mas a importância dela é por ser um caminho por onde vem as carnes do interior”, explica. Ela ainda destaca que, com a chegada do comandante Madeira de Melo, os brasileiros saem da cidade e vão para o recôncavo, onde, inclusive, é instalado o governo provisório em Cachoeira.

“Então, era importante o entorno da cidade de Salvador, em Pirajá. Como o exército português só conseguiria mantimentos por meio do porto, com Portugal, após uma longa viagem, dominar o entorno era fundamental para ter acesso ao que vinha para a cidade que foi sitiada pelos brasileiros”, destaca
No entanto, apesar da relevância histórica do bairro, antes mesmo de ser incorporado a Salvador, esse passado é algo distante para os moradores. “Mesmo com as comemorações ao 2 de Julho, essa questão não é tão explorada no bairro”, diz o motorista Júlio.
A simbologia do fato histórico de estende para outros locais como o Largo da Soledade, onde está a estátua de Maria Quitéria, heroína da luta de Independência do Brasil na Bahia.
“Ali, [Liberdade/Lapinha] era um dos locais de entrada da cidade. Quem vinha pela Estrada das Boiadas passava por ali. E é na Soledade, onde há a primeira parada de reconhecimento das tropas brasileiras, quando retornam para a cidade e são recebidas pelas freiras com flores”, destaca.
O historiador ainda destaca que a razão pela qual o monumento ao Dois de Julho está instalado no Campo Grande é porque, no final do século XIX, a comissão organizadora do cortejo ao Dois de Julho, que ia de Pirajá ao Terreiro de Jesus, consultou a população sobre onde deveria ser colocado o monumento. Naquela época, o bairro mais populoso era o da Vitória. Com isso, o festejo se estendeu até o Campo Grande, no período da tarde.
* Sob a supervisão da editora Meire Oliveira







