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Especialistas alertam para cuidados que podem evitar casos de incêndio em casa

Publicado terça-feira, 04 de agosto de 2009 às 20:01 h | Atualizado em 05/08/2009, 11:25 | Autor: Danielle Villela, do A TARDE
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O registro de mais um incêndio em Salvador, ocorrido na última segunda-feira no bairro de São Caetano, chama a atenção para a importância dos cuidados que devem ser adotados para enfrentar uma situação como essa em imóveis particulares. Apesar de empresas, universidades e estabelecimentos comerciais também estarem suscetíveis a esse tipo de acidente, de forma geral, os riscos são maiores em residência, em virtude da falta de preparo de seus moradores em lidar com as chamas e a comum displicência no trato com materiais inflamáveis e da exposição a outros riscos dentro de casa.



O problema é apontado por Jorge Lemos, gestor dos Bombeiros Profissionais Civis da Bahia (BPC). Ele defende que, se a população tivesse conhecimentos básicos sobre combate a incêndios, os grandes acidentes poderiam ser evitados. “Os cinco primeiros minutos de combate às chamas são essenciais”, destaca, apontando a diferença entre o que pode ser apenas um susto ou vir a tomar grandes proporções.



Lemos alerta, no entanto, que um princípio de incêndio não pode ser combatido de qualquer forma. “Não adianta simplesmente pegar um extintor e apontar para as chamas”, esclarece. O combate indevido pode se tornar, muitas vezes, um acidente ainda maior. Ele cita o exemplo de um erro comum que é a tentativa de apagar as chamas de uma panela que incendeia com óleo quente no fogão. O especialista explica que num caso como esse a primeira providência é desligar o fogo para cortar o fornecimento de calor para, em seguida, abafar a panela com um pano úmido ou com uma tampa por cerca de 30 minutos.



Nesses casos, e em outras situações de chamas geradas por líquidos inflamáveis, a água nunca deve ser utilizada para apagar o incêndio. Da mesma forma, chamas iniciadas em equipamentos elétricos energizados e em metais como alumínio devem ser combatidas com um extintor de pó químico, que não transmite eletricidade. A água deve ser utilizada apenas nos casos de fogo em combustíveis comuns, como papel, madeira e tecidos.



Apesar de serem importantes, informações como estas são desconhecidas pela maioria da população. “Já fiz treinamento em um condomínio em que o porteiro não sabia nem o que era um extintor”, conta Lemos. O gestor do BPC alerta ainda para risco que essas pessoas correm ao tentar controlar as chamas sem o devido preparo e aconselha: “se não souber como agir, não dê uma de herói”. Aqueles que não têm treinamento devem sair do local para evitar asfixia e queimaduras e chamar o Corpo de Bombeiros.



Proteger a própria vida é um dos principais procedimentos recomendados pelos  bombeiros em caso de incêndio. Ao deixar a residência, a pessoa deve manter a calma e nunca voltar para buscar objetos. No caso de incêndio em edifício, os moradores devem deixar os apartamentos e descer pelas escadas, nunca pelos elevadores, que podem deixar de funcionar e deixar os ocupantes presos em meio às chamas. Caso o local esteja tomado pela fumaça, as pessoas devem andar agachadas, pois o ar é mais puro junto ao chão. Se não conseguir sair do local e as chamas estiverem se alastrando, deve-se jogar pela janela todo tipo de material inflamável, para que não venham a agravar a situação. Outra recomendação é, se possível, envolver o corpo com um lençol ou toalha úmida e ficar próximo a uma janela aguardando resgate.



DISPLICÊNCIA – Jorge Lemos acredita que muitos acidentes poderiam ser evitados se a população não fosse displicente no trato com materiais inflamáveis e instalações elétricas. “Fumaça ou cheiro de combustível, como o gás, é sempre um sinal que deve ser verificado, por mínimo que seja”, alerta.  Além dos vazamentos de gás e dos acidentes na cozinha, o fogo pode ser iniciado através do vazamento de combustíveis mal armazenados, como álcool e querosene. “Basta uma faísca para gerar as chamas”, afirma Lemos.



Apesar disso, os dados do Corpo de Bombeiros indicam que a maioria dos incêndios são causados por problemas nas instalações elétricas e curto-circuitos. Em muitos casos, as chamas são resultado do aumento de temperatura em circuitos sobrecarregados, o que pode causar  faíscas e gerar o incêndio. O professor de engenharia elétrica Caiuby Alves da Costa, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), aponta a falta de planejamento das instalações elétricas, o desgaste de cabos e equipamentos e o hábito de ligar vários aparelhos em uma mesma tomada como as principais causas de curtos-circuitos. Para evitar esse tipo de ocorrência, ele recomenda o planejamento da rede com disjuntores e fusíveis, que interrompem a corrente elétrica em caso de sobrecarga e evitam a formação de chamas.



Costa defende ainda que a revisão das instalações elétricas a cada cinco anos é a melhor maneira de evitar os curtos-circuitos. "Como nós, as instalações elétricas precisam de manutenção, pois elas vão envelhecendo. O próprio desgaste dos equipamentos por conta da umidade e do salitre contribui para a ocorrência de curtos-circuitos", explica. Além disso, é preciso cuidar também para que a instalação seja feita de forma adequada. "Tanto no momento da instalação, como para a manutenção, o cidadão deve recorrer a um profissional do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA)", orienta.



Veja outras formas de prevenção:



Cuidados na cozinha:

- Procurar pessoas habilitadas para fazer instalação do botijão de gás

- Coloque os botijões sempre em locais ventilados

- Não aceitar botijões que estejam visivelmente em mau estado de conservação

- Realizar manutenção das instalações e dos aparelhos a gás a cada dois anos

- Antes de trocar o botijão de gás, desligue todos os botões do fogão

- Para verificar vazamentos, utilize apenas água e sabão, nunca fósforos ou chama

- Não improvisar os consertos, utilizando cera, por exemplo

- Não fume enquanto manuseia o gás

- Ao utilizar o fogão, acenda primeiro o fósforo e depois abra o registro

- Apague os palitos de fósforo antes de jogá-los fora

- Feche o registro quando não estiver utilizando o fogão

- Evite deixar papéis, toalhas e outros materiais inflamáveis perto do fogão



Cuidados com as instalações elétricas:

- Procurar profissional credenciado no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) para fazer o dimensionamento das instalações elétricas

- Utilizar disjuntores e fusíveis para interromper a distribuição da corrente em caso de sobrecarga

- Utilizar fios e cabos de boa qualidade e mantê-los bem isolados

- Revisar equipamentos e instalações elétricas a cada cinco anos.

- Fusíveis queimando e interruptores estourando são sinais de que há problemas nas instalações elétricas.

- Não ligar vários equipamentos em uma mesma tomada, com benjamins, “T´s” ou extensões

- Ao comprar novos eletrodomésticos, verificar a potência dos aparelhos e se a tomada a ser utilizada suporta aquela carga



Outros cuidados:

- Materiais combustíveis devem ser armazenados longe de fontes de calor e de equipamentos elétricos.

- Não apóie velas sobre caixas de fósforos ou materiais combustíveis

- Condomínios devem verificar seus extintores a cada cinco anos

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