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Estacionamento sobre a calçada é prática comum em Salvador

Carolina Mendonça, do A TARDE On Line
Por Carolina Mendonça, do A TARDE On Line
| Atualizada em

Seja por falta de fiscalização ou de consciência do condutor, o ato de estacionar em cima da calçada ainda é um comportamento comum entre os motoristas da capital e é motivo constante de reclamações de pedestres e moradores de todos os bairros da cidade. A problema é reconhecido pela Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), que alega não ter efetivo suficiente para dar conta da situação e acaba, indiretamente, encorajando a prática da infração.



“Atualmente, contamos com 563 agentes, divididos em três turnos, e apenas 10 carros-reboque. Mas pretendemos ampliar estes números para coibir este tipo de irregularidade, que é fruto da deseducação do nosso povo”, afirma o Superintendente da SET, Coronel Adelson Guimarães. Ele diz que um acordo com a prefeitura de Salvador vai permitir que oficiais da Guarda Municipal – já em treinamento – atuem como agentes de trânsito no município.



Enquanto a fiscalização não chega a toda a cidade, os motoristas aproveitam para cometer a irregularidade utilizando as mais variadas desculpas. “Foi só por cinco minutos, já estou saindo”, tenta justificar o estudante Raphael Ratto, 22, após estacionar na calçada na rua João das Botas, no Canela. Já o industriário Mário Paes, 39, admite a infração, mas não acredita estar prejudicando ninguém. “Sei que estou errado e até poderia ser multado, mas deixei espaço para as pessoas passarem”, alega.



Vítima deste tipo de comportamento por parte dos motoristas, a advogada Cristiane Vilas, 28, moradora da rua Manoel Barreto, no bairro da Graça, conta que diariamente precisa enfrentar a barreira de obstáculos formada pelos carros parados sobre a calçada. “Às vezes, chega ao cúmulo de eu ter que andar pela rua, correndo o risco a ser atropelada, por conta da ocupação total do passeio”, revolta-se.



A prática infratora destes condutores revela tanto o sentimento de impunidade como a priorização do conforto individual em detrimento do direito de todos. “O carro foi transformado no dono soberano das ruas. O respeito ao coletivo, aos pedestres, foi sobreposto pela vontade dos motoristas”, avalia o engenheiro Ubiratan Félix, especialista em transporte e mobilidade urbana.



Para mudar a postura dos motoristas infratores, Félix aposta no investimento em educação, além das ações punitivas. O engenheiro acredita que a conscientização dos motoristas pode fazer com que todos os atores sociais do trânsito se unam para buscar alternativas. “Ainda há tempo para perceber que o melhor é investir em transporte de massa e soluções para todos, a fim de evitar transtornos com falta de estacionamentos, por exemplo”.



O Código de Trânsito Brasileiro prevê o uso de campanhas educativas de trânsito e também punições para os atos de irregularidade. Estacionar em locais proibidos ou sobre a calçada é uma infração considerada de gravidade média. Se pego, o motorista transgressor perde quatro pontos na carteira e paga multa no valor de R$ 85,13. Sem medo do flagra, os condutores parecem não “entender” a lei. “Não tem blitz aqui agora, não tem problema não”, diz um taxista cujo veículo estava parado na calçada e que não quis se identificar.

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