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ACOLHIMENTO

Festival reúne imigrantes em Salvador

Iniciado ontem, o evento segue hoje com o intuito de conectar os que migraram para a capital baiana

Leilane Suzarte*
Por Leilane Suzarte*
Nelson Fuenmayor é venezuelano e mora há 7 anos em Salvador
Nelson Fuenmayor é venezuelano e mora há 7 anos em Salvador - Foto: Rafaela Araújo | Ag. A TARDE

Imigrantes, refugiados e soteropolitanos estão participando do I Festival de Migração e Culturas de Salvador - Bahia!, que teve início ontem e segue hoje no Largo de Santo Antônio Além do Carmo. O evento busca conectar os imigrantes que vivem na cidade com a população baiana e promover a expressão cultural de diversos países.

O jovem hatiano John Rock Gougueder, 29 anos, esteve presente no festival ontem. “Gostei muito, porque ele dá aos imigrantes a possibilidade de viver a cultura deles e os brasileiros podem conhecer as manifestações culturais de outros países”. Ao longo deste domingo, o evento terá oficinas, performances musicais, danças, venda de artesanatos e culinária típica.

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A venezuelana Yuliri Fajardo mora há 2 anos em Salvador e vende artesanato e doces de frutas
A venezuelana Yuliri Fajardo mora há 2 anos em Salvador e vende artesanato e doces de frutas - Foto: Rafaela Araújo | Ag. A TARDE

Coordenadora da Comissão de Direitos Humanos do Núcleo de Apoio a Migrantes e Refugiados da Universidade Federal da Bahia (Namir/Ufba) e organizadora do festival, Mariângela Nascimento conta que “os direitos humanos são um conjunto de valores e princípios, no sentido de resgatar a condição humana da cultura da humanidade. Então, não pode ser um belo discurso, deve ser efetivado na prática e o Estado tem que entender isso”.

Mariângela acrescenta também que o número de imigrantes em situação de vulnerabilidade tem crescido, não só na Bahia, mas também no mundo inteiro. “São imigrantes que vêm em busca de direito à vida e, portanto, quando chegam no local de destino, é preciso saber dar o acolhimento digno a essa população”, diz.

Sábado Fernando, africana de Guine-Bissau, mora há 2 anos em Salvador e vende roupas africanas
Sábado Fernando, africana de Guine-Bissau, mora há 2 anos em Salvador e vende roupas africanas - Foto: Rafaela Araújo | Ag. A TARDE

É o caso da venezuelana Vilmarys del Carmem Maza, 34, que veio para cá, em 2020, com seu marido e dois filhos por conta das dificuldades financeiras e falta de garantia de direitos em seu país. A sua mãe ainda vive na Venezuela e seu objetivo é trazê-la para Salvador.

"Achar emprego é muito difícil. Eu já deixei muitos currículos nos lugares e ainda não consegui trabalhar. Vendo bolos para conseguir uma renda”, lamenta Vilmarys, relatando sua maior dificuldade na capital baiana.

Mariângela informa que ano que vem será inaugurado o balcão solidário, que é um centro de apoio e atendimento a imigrantes e refugiados, para dar suporte jurídico e psicológico, ensinar idiomas e oferecer outros serviços. Essa iniciativa será articulada com órgãos públicos, estaduais e federais.

* Sob supervisão do jornalista Luiz Lasserre

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