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Fontes da capital baiana precisam de atenção

Franco Adailton
Por Franco Adailton
Água ainda jorra na Fonte do Estica, na Liberdade
Água ainda jorra na Fonte do Estica, na Liberdade -

Séculos antes de a água ser encanada em Salvador, as fontes eram responsáveis por distribuir esse recurso natural aos soteropolitanos. Implantadas pelos portugueses, ao longo do tempo elas perderam valor no espaço urbano, têm sido usadas indevidamente e, até mesmo, depredadas.

Nos últimos dias, A TARDE percorreu dez fontes no Centro Histórico e Centro Antigo de Salvador: do Gravatá, das Pedras, das Pedreiras, dos Padres, do Baluarte, de Santo Antônio, da Misericórdia, do Queimado, do Estica e do Dique do Tororó. Cada uma delas possui uma história, como data de fundação, estilo arquitetônico e tipo de material usado na construção.

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As informações estão disponíveis apenas no portal da Fundação Gregório de Mattos (FGM), mantenedora das fontes, que catalogou 19 desses equipamentos na capital baiana.

Atrações turísticas em cidades europeias como Roma (Itália), Paris (França) e Lisboa (Portugal), as fontes são também espaços de lazer e interação social nesses países. Ao contrário, em Salvador, são ignoradas por parte da população ou, quando frequentadas, estão repletas de usuários de crack.

Dentre todas, o cenário mais preocupante é retratado na Fonte do Gravatá, situada na esquina das ruas do Gravatá e da Independência. Abundante em água, não possui sinalização sobre a data de fundação. As escadarias estão cheias de lixo e servem como abrigo para consumo de drogas.

História

Ainda no século XVIII, o observador Santos Vilhena já apontava a existência de, pelo menos, 20 fontes públicas na Cidade do São Salvador, descreveu o historiador Afrânio Peixoto no livro Breviário da Bahia, de 1945. "Não havia uma cuja água se pudesse beber", registrou.

Única tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Fonte do Queimado é utilizada como lava-jato pelos moradores do largo de mesmo nome. Possui limo nas paredes e as seis bicas estão entupidas. A última restauração ocorreu no ano de 1992, diz a lápide local.

Uma placa de 1838 sinaliza a reforma executada pela Câmara Municipal, embora em 1801 Vilhena já a mencionasse. Chegou a receber visita do imperador dom Pedro II, conforme o estudo As Fontes na Cidade de Salvador (2012), de autoria dos pesquisadores Aucimaia Tourinho e Nicholas Costa.

Na esquina da rua Vital Rego com a dos Perdões, a Fonte de Santo Antônio, no bairro homônimo, só está conservada porque foi adotada pela comunidade. "Aqui, vivia um morador de rua que sujava tudo com fezes. Limpamos e colocamos peixes para evitar a larva da dengue", contou o industriário Djalma Rodrigues, 60.

Taboão

Na rua do Julião, não há sinal da existência da Fonte do Taboão, onde a água não escorre mais. As pedras que adornavam o espaço tampouco existem, assim como a placa de fundação. Além de depósito de lixo, atualmente ela é utilizada como estacionamento.

Os tempos áureos da fonte residem na memória do marceneiro Antônio do Caixão, 83, que ali se instalou em 1947, aos 16 anos. "Havia uma placa de 1870", recordou ele. "Sustentava a cidade, quando faltava água, que era gelada e salobra".

O comerciante Clarindo Silva, 73, foi um dos que chegaram a trabalhar com "água de ganho" durante a juventude no Pau Miúdo. "Na época, não havia água encanada na cidade. A gente pagava uma ficha na fonte e, depois, ganhava dinheiro enchendo tonéis", sorri.

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