Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

VÉSPERA DO DIA DO TRABALHADOR

Histórias, sabores e raízes dos trabalhos culturais na capital baiana

A TARDE traz histórias de personagens que movimentam a economia com a essência da cidade

Priscila Dórea
Por Priscila Dórea

Siga o A TARDE no Google

Google icon
Breno Luiz do Nascimento Dias Coelho, mediador da Casa do Carnaval da Bahia
Breno Luiz do Nascimento Dias Coelho, mediador da Casa do Carnaval da Bahia - Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

Mudando, refazendo, promovendo, crescendo… O movimento que faz uma cidade crescer vem de quem vive nela, de homens e mulheres que acordam cedo, tarde ou de madrugada para fazer a cidade acontecer. Em Salvador, não são poucos os trabalhadores que exercem funções diretamente ligadas à cultura e história da primeira capital do Brasil. Hoje, véspera do Dia do Trabalhador, o A TARDE traz histórias de alguns dos muitos trabalhadores que movimentam a cidade exaltando puramente o que ela tem de melhor para oferecer: ela mesma.

“Ser baiana de acarajé, para mim, é um prazer tão grande que eu nem consigo explicar. Todo dia durante o preparo e já no meu tabuleiro, juro, é como se fosse a primeira vez, mas já fazem 34 anos. Amo o que faço e sei da importância do acarajé para a cidade. O acarajé é uma coisa muito nossa, um cartão postal marcante de Salvador e é dignificante, criei meus filhos com o acarajé, e carreguei muito cesto na cabeça durante anos antes de chegar onde estou”, explica a baiana de acarajé, Eliana Anunciação Ferreira.

Tudo sobre Salvador em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Filha de baiana de acarajé, Eliana já ajudava a mãe com os clientes aos 15 anos e hoje o seu tabuleiro, o Acarajé da Eliana (@acarajedaeliana1), também se tornou ‘escola’ dos filhos dela. “Três trabalham comigo e a mais nova, de 12 anos, vem apenas às vezes, mas já tem tomado gosto. Para mim, o momento em que mais me sinto realizada com o que faço é quando chego no meu tabuleiro, o arrumo e vejo o acarajé fritando no dendê. É lindo e eu amo isso, mas a verdade é que nenhum trabalho é fácil, mas cabe a nós fazer acontecer”, afirma.

Quem também trabalha há anos na mesma função, mas tem a sensação que começou ainda ontem, é o historiador e guia de turismo, Roberto Pessoa. Dos seus 64 anos muito bem vividos, 44 foram dedicados ao turismo. "Quando a gente gosta do que faz, não cansa. Depois que me formei em história, dava aulas durante a semana, e nos finais de semana, folgas e férias, trabalhava com turismo. É uma profissão que me encanta, sempre me encantou e a qual continuo exercendo com todo entusiasmo, pois com ela posso transmitir e encantar os visitantes com a história da Bahia, mas também do Brasil, de Portugal, da África… Sou movido por isso”, explica.

E foi com base nesse histórico cosmopolita de Salvador, que com a colonização e a infeliz escravidão trouxe pessoas de todo o mundo para a capital baiana, é que a cidade se tornou um caldeirão multicultural, e criou para si essa imagem de lugar festivo e receptivo. Explorar o caldo cultural extremamente diverso da cidade e seu patrimônio, explica a jornalista, doutora em antropologia e colunista de A TARDE, Cleidiana Ramos, foi o caminho escolhido para construir a nova imagem de Salvador, quando ela perdeu o status de capital das colônias.

“Da baiana de acarajé e guia de turismo, até a pessoa que rega os pés daqueles que saem da praia no Dia de Iemanjá, todos eles fazem parte dessa imagem e vocação de Salvador como cidade festiva. O patrimônio simbólico e histórico da cidade é muito forte e rico, e mesmo entrando na modernidade, ela sempre joga com esses dois tempos muito bem. Perdeu a capital, mas não a pose, entende? Para nós, a festa é algo estratégico do ponto de vista da geração de emprego e renda. Festa em Salvador é algo muito sério”, explica a jornalista, que é especialista em antropologia da festa.

Multiplicidade

A cultura múltipla de Salvador é o que torna a cidade tão rentável por si só - e isso é o que faz ela ser uma Salvador que, realmente, dá trabalho. E claro, a cadeia produtiva da cultura, aponta o diretor de patrimônio e equipamentos culturais da Fundação Gregório de Matos (FGM), Chicco Assis, lida com muitos elos. “Sabe por quantos profissionais passaram os insumos do acarajé que você comeu? E o artesanato que decora sua mesa? E a roupa que te torna ímpar? E os livros que você lê? Cada profissional envolvido cumpre papéis relevantes para que os processos culturais e suas movências ocorram. Nós movimentamos o mundo, cada peça dessa engrenagem”, explica.

E ainda há aqueles que fazem de tudo um pouco, como Tárcis Rocha: ator, modelo internacional, percussionista e capoeirista (dentre outras habilidades e formações artísticas), Tárcis também é mediador cultural na Cidade da Música da Bahia. “Na Cidade da Música sinto que faço parte da história da cidade e relembro momentos marcantes da minha vida através das músicas. Além disso, a música nos permite conhecer os visitantes de forma transparente, onde eles acessam nosso equipamento cultural trazendo um pouco de sua cultura e expressões, e se deparam com nossa essência cultural, que alcançou e continua alcançando o mundo inteiro”, afirma.

Já o estudante de museologia pela Universidade Federal da Bahia, Breno Luiz do Nascimento Dias Coelho, é mediador cultural na Casa do Carnaval da Bahia e conta que seu trabalho no museu serviu como combustível para sua auto estima intelectual. “Minha habilidade com o inglês sempre foi aproveitada dentro do espaço do museu, por exemplo, mas para além disso, a experiência como um todo tem sido uma das mais enriquecedoras da minha vida, pois me sinto muito feliz quando o público dialoga comigo durante o expediente, gerando um espaço de escuta e acolhimento para ambos”.

Firme no sonho de ser um escritor, Breno escreve nas horas vagas, mas ressalta a importância de (parafraseando a cantora, compositora e atriz Liniker): fazer tudo com o máximo de excelência. “Entregar excelência no trabalho todos os dias pode não ser fácil, mas é seu dever como profissional se esforçar para entregar o seu melhor. E falando do lugar de um homem negro, praticar a excelência no meu dia a dia virou quase uma regra, visto que vivemos em uma sociedade racista”, salienta.

E além de tudo isso, cada cliente tem um perfil, cada evento tem uma singularidade, um público e um projeto, salienta o analista de marketing pleno do Centro de Convenções de Salvador, Alan Lobo. “Então quando você participa de todas ou muitas das etapas e chega ao fim, é muito gratificante, pois nós trabalhamos com sonhos, expectativas, e projetos de pessoas e marcas. Cada dia mais tenho me empenhado em realizar as melhores entregas possíveis, para que a gente continue movimentando o turismo de negócios em Salvador e posicionando o Centro de Convenções de Salvador como o melhor equipamento do nordeste”, afirma.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Breno Luiz do Nascimento Dias Coelho, mediador da Casa do Carnaval da Bahia
Play

Veja o momento que caminhão de lixo despenca em Salvador; motorista morreu

Breno Luiz do Nascimento Dias Coelho, mediador da Casa do Carnaval da Bahia
Play

Traficantes do CV fazem refém e trocam tiros com a PM em Salvador

Breno Luiz do Nascimento Dias Coelho, mediador da Casa do Carnaval da Bahia
Play

Rodoviários reivindicam pagamento de rescisão no Iguatemi

Breno Luiz do Nascimento Dias Coelho, mediador da Casa do Carnaval da Bahia
Play

Vazamento de gás no Canela foi ato de vandalismo, diz Bahiagás

x