SALVADOR
Impasse divide os professores da rede estadual
Diante do impasse estabelecido nas negociações com o governo, os professores grevistas da rede estadual, mesmo tendo aprovado a continuidade do movimento, começam a se dividir. Além da oposição de docentes do interior, que marcou a assembléia de anteontem, já é possível encontrar professores nas salas de aula em Salvador, onde a mobilização é maior.
A greve, que já tem duração de 52 dias e a certeza de que a marca chegará a, pelo menos, 57 dias – uma vez que só no próximo dia 3 haverá assembléia –, contabiliza a maior duração dos movimentos promovidos pelos professores no Estado. A mais extensa paralisação de docentes foi no governo João Durval, de 45 dias, nos anos 80.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB-Sindicato), Rui Oliveira, atribui a demora para o retorno às aulas a vários motivos.
Dentre eles, “a intransigência do governador, acúmulo de greves com reivindicações não atendidas ao longo dos anos e a expectativa de melhorias do governo, por ser popular e ter apoio dos docentes”.
Ele desconsiderou as declarações do governador, que criticou a demora para a nova assembléia.
Disse que a APLB não teria condições de realizar assembléia geral antes de terça-feira, pois não haveria fato novo. Quem se reúne hoje é o comando de greve para avaliar a mobilização. Enquanto isso, 19.955 professores continuam com o ponto de junho cortado.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação, o índice de escolas paralisadas na capital caiu, de 91% para 73%, ontem. O Colégio Adroaldo Ribeiro Costa (Resgate), por exemplo, está com portas abertas e professores na sala de aula. Falta apenas a presença maior de alunos.
ESTUDANTES – Entidades estudantis apóiam o movimento e condenaram a atitude do governador Jaques Wagner, de ameaçar os grevistas com punições. Mas já é possível encontrar entidade pedindo o fim da greve, como a Associação Baiana Estudantil Secundarista (Abes). “Chegou a um limite que não dá mais para continuar, senão eles vão perder o apoio dos estudantes e da sociedade. É hora de usar outros instrumentos de lutas e não permitir que o aluno seja tão prejudicado”, disse, ontem, Diego Antunes, presidente da Abes.
Quanto à postura do governo, as entidades estudantis, assim como muitos professores, não escondem a decepção: “As práticas continuam iguais, o governo está sendo incapaz de negociar com a categoria”, diz Gilcimar Brito, presidente da Associação de Grêmios de Salvador (Ages) e diretor da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes).
Gilcimar faz o 3º ano do ensino médio, no Colégio Teixeira de Freitas, e posicionou-se contra o retorno às aulas se as reivindicações dos professores não forem atendidas: “A auto-estima deles estará reduzida mais ainda, e não vamos ter aulas do mesmo jeito. Temos que lutar pela qualidade na educação”.
Para o vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Jeferson Conceição, “a educação baiana já está prejudicada no conteúdo e o que se tenta é superar o prejuízo, por isso os professores só devem voltar com avanços, mesmo que levem mais tempo parados”.
Conforme informações da assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual, o aluno que se sentir prejudicado pode entrar com representação no órgão, contra o governo ou sindicalistas.
ENTRAVE – O grande impasse nas negociações entre professores e governo está no modo como o reajuste salarial vem sendo proposto.
O governo oferece 4,5% a 17,28%, divididos em parcelas a serem pagas até novembro. As faixas salariais abaixo do mínimo atingem, nesse período, a equiparação, e as demais recebem um reajuste menor.
A categoria exige reajuste de 17,28% para todos os níveis (linear), alegando que os professores com formação mais qualificada saem perdendo.
Segundo proposta do governo, o professor com formação de nível médio terá, em novembro, reajuste de R$ 56; aquele que tem licenciatura curta, R$ 52,61; e o com nível superior terá R$ 21,97. Os docentes com especialização, mestrado e doutorado terão R$ 25,96.
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