MATA ESCURA
Inciativa integra comunidade, meio ambiente e escola
Serão implantados dois jardins de chuva e o próximo será instalado em 2023

A construção coletiva de um jardim de chuva no pátio do Colégio Estadual Professora Marileine da Silva, em Mata Escura, vai marcar a Semana do Meio Ambiente na unidade de ensino. Parte do projeto Escola Verde, o Jardim de Chuva é um equipamento de microdrenagem urbana.
Débora Didonê, coordenadora da ação, conta que o Escola Verde integra o projeto Canteiros Coletivos, fundado em 2012. “O Escola Verde nasce em 2018, quando a gente decidiu fazer uma transformação da fachada de escolas públicas que tinham depósitos irregulares de resíduos. Dezenas de famílias acabam levando os resíduos domésticos para o portão da escola. Abrimos inscrição para as escolas participarem. Elas sofriam problemas graves de invasão de animais transmissores de doenças a mau cheiro”.
Ampliação
Com a revitalização, o próximo passo foi ocupar as escolas. “Não basta você chegar lá e botar mais plantas. Precisamos desenvolver atividades relacionadas a esse espaço, porque os moradores e alunos criam laços afetivos”, explica Débora. Na terceira etapa, o grupo escreveu um projeto de lei de iniciativa popular para expandir a ideia.
A quarta etapa é a implantação do jardim de chuva no pátio da escola em Mata Escura. O equipamento já existe em algumas cidades brasileiras. Ao todo, serão implantados dois jardins de chuva no colégio, sendo que o próximo será instalado no passeio, em 2023. Consiste em um reservatório natural de água, implantado em ruas, praças e passeios onde há frequentes alagamentos.
O jardim “filtrante”, como também é chamado, é rebaixado a um nível de cerca de 15 cm em relação ao piso, formando um espelho d’água em dias torrenciais, que vai sendo absorvido pelo solo no período de um ou dois dias, até ser filtrado por uma camada de pedras e areia ao fundo, de forma que a água chegue limpa no lençol freático. “Salvador não tem políticas públicas que pensem como usar essa água não potável que pode ter muitos usos. A ideia é juntar a isso o que a gente já faz, que é promover a implantação de jardins coletivos, trazendo uma solução baseada na natureza que ajuda a absorver essa água para lençol freático”, completa Débora.
Início
A proposta é inspirada em uma tecnologia desenvolvida por Zephaniah Phiri Maseko, agricultor do Zimbábue. Com dificuldades para produzir alimentos nos anos 1990, Phiri observou o movimento das chuvas em seu terreno acidentado e cheio de declives, e transformou canteiros rebaixados em pequenos reservatórios de água.
A diretora do colégio, Laura Rodrigues, conta que a parceria entre a escola e o projeto é longa e benéfica. O colégio inscreveu-se logo na primeira etapa. “Somos muito felizes com essa parceria. Todos são coparticipantes do processo e assim, criamos um vínculo de afetividade entre escola, meio ambiente e comunidade. Há a construção de um projeto pedagógico, que envolve todas as disciplinas, professores e alunos”.
Para Débora, o mais importante é que o processo não acaba com a inauguração. “A gente vai passar o próximo semestre observando o funcionamento e, no próximo ano, pesquisar a parte de fora, do passeio. A próxima ideia é levar para outras cinco escolas que já estão conectadas. Nosso objetivo é integrar toda a sociedade, queremos que seja uma política pública”.
*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




