SALVADOR
Inclusão que vem pela moda

O sonho de brilhar nas passarelas e ser um profissional da moda está mais próximo dos jovens de comunidades carentes. Nesta quinta, moças e rapazes de Mussurunga enfrentam os holofotes e os jurados que vão escolher os primeiros semifinalistas do Concurso Comunidade Top Chic. Nesta quarta-feira, a festa foi no Centro Social Urbano do Nordeste de Amaralina. Ao todo, 56 jovens de Mussurunga e do Nordeste de Amaralina serão avaliados. Eles participam do projeto Moda nas Comunidades Carentes, que tem à frente o estilista Neném Bettone e é realizado em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza.
Durante o curso, que teve duração de dois meses, os cerca de 200 inscritos participaram de oficinas de passarela, moda, etiqueta, fotografia e maquiagem. “Mais do que ministrar oficinas, eu crio sonhos”, conta o estilista e coordenador do projeto, Neném Bettone. Algumas das meninas que estiveram nas oficinas até já confirmaram participação na Semana Iguatemi de Moda, que acontece na próxima semana. “O que precisamos é criar oportunidades para mostrar o que a periferia tem”, diz Bettone.
Sonhos – “Espero que esse curso e o concurso venham abrir portas para mim”, sonha Jean da Silva Bastos Araújo, 20 anos. Cursando a 8ª série do ensino fundamental, Jean promete que não vai mais largar os estudos e que vai se dedicar à carreira na moda. “Além das técnicas, aprendemos como nos vestir, andar e nos expressar; e ainda temos lições de cidadania”, conta.
Com 1,92 m de altura, Pablo Santiago, 21 anos, conta que alguns de seus colegas de curso já conseguiram trabalhos na área da moda. “Já participei de outra edição no ano passado e, depois, até fiz alguns desfiles, sem ganhar nada, mas serviram como experiência”, relembra Pablo.
Uma agência de modelos já foi criada para absorver os talentos revelados nos cursos da comunidade, cujo projeto, depois de passar pelo Nordeste de Amaralina e Mussurunga, ainda vai para os bairros de Narandiba, Liberdade, Vasco da Gama, Castelo Branco, Pernambués e Cosme de Farias. Ao final do curso, os participantes recebem um certificado e um book virtual. “É um projeto maior do que formar modelos. Estamos criando oportunidades e habilitando esses jovens para trabalhar no mundo da moda. Nas oficinas, eles aprendem como funciona a indústria de moda no geral”, explica Bettone.
A grande final do concurso será realizada em dezembro, com a participação dos finalistas das nove comunidades participantes. Na ocasião, será lançada a grife C4, desenhada por Bettone e confeccionada por cooperativas de costureiras do Nordeste de Amaralina e de Narandiba. “O trabalho de inclusão social precisa ser completo. Deve oferecer oportunidades, inclusão social e ainda trabalhar a auto-estima e valorizar o ser humano”, descreve o estilista, que confessa que este é o maior desafio de sua carreira, que já tem 25 anos. Bettone trabalha com moda e inclusão social há dez anos, já tendo coordenado um projeto de moda na Rocinha, no Rio de Janeiro.