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Lilica Rocha lança videoclipe com estética afrofuturista

Publicado às | Atualizado em 21/10/2021, 22:03 | Autor: Gabrielle Guido | Agência Mural
Lilica, de 7 anos, que já lançou o álbum ‘O sol reflete’, promete novidades este ano | Foto: Rafael Martins | Divulgação | 07.05.2021
Lilica, de 7 anos, que já lançou o álbum ‘O sol reflete’, promete novidades este ano | Foto: Rafael Martins | Divulgação | 07.05.2021 -
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Liz Rocha, soteropolitana de 7 anos, conhecida artisticamente como Lilica Rocha, começou a cantar cedo e, através das redes sociais, tem cativado artistas e fãs com seu talento. Para celebrar o último Dia das Crianças, por exemplo, a pequena cantora, moradora do bairro de Itapuã, lançou o videoclipe “Black Power Sou'', faixa do seu álbum "O sol reflete", no qual fala sobre autoestima e o orgulho de ser uma “rainha coroada”.

“A música fala de cabelos crespos, que eu não preciso de coroa para ser princesa ou para ser rainha, que é a ordem do crescimento. E a gente lançou no dia 12 como um presente para as crianças”, conta Lilica.

Lilica é filha da escritora, jornalista e professora, Donminique Santos com Leo Rocha, músico, produtor, ator e escritor. Ele conta que a estética do clipe, gravado em Salvador, tem inspirações no chamado afrofuturismo e traz referências de danças de outros artistas como Beyoncé, Psy, Freddie Mercury e Michael Jackson, todos admirados pela filha. E ressalta a importância da mensagem na canção. “A música fala sobre empoderamento na visão de uma criança”, diz Leo.

O afrofuturismo “aborda temas e preocupações da diáspora africana através de uma lente de tecnocultura e ficção científica”, segundo o site Wikipedia.

Lilica se diz encantada com a gravação do seu primeiro clipe. “Foi uma experiência muito boa. Gostei muito de estar no palco, em vários lugares, com a câmera focando em você. Eu adorei”, revela. Desenvoltura, estilo e carisma são marcantes na cantora, que atendeu à reportagem usando óculos escuros em formato de coração e esbanjando intimidade com a câmera.

A habilidade com elementos musicais e facilidade da menina com a câmera levou os pais de Lilica a publicar seus vídeos na redes social Instagram, ainda no início da pandemia, em 2020. No Natal do ano passado, a menina ganhou fama nas redes sociais quando o cantor e compositor, além de ícone da música baiana, Caetano Veloso, a viu cantando a música ‘Tigresa’ e ficou encantado. O cantor incluiu a música a uma live em sua homenagem. O pai da menina relembra o caso e a repercussão.

“Quando Lilica viu o Caetano assistindo ao seu vídeo, impressionado, lembro de ver os olhos dela brilhando, cheios de entusiasmo e alegria. Ela sabia quem ele era, ela ouve Caetano desde muito cedo e ficou super feliz”, lembra Leo.

A partir desse momento, surgiram mais convites para participações em lives e programas de televisão. “Foi legal porque outras pessoas puderam conhecer o jeito dela fazer arte, o jeito dela cantar e fez com que ela ficasse um pouco mais conhecida. Pra ela também foi bom, porque sinto que ela ficou mais estimulada a fazer arte, a compor e cantar outros artistas. E se divertir mais fazendo isso”, opina o pai de Lilica.

Inspiração

Atualmente, a artista tem mais de 10 mil seguidores no Instagram. Seu álbum "O sol reflete", com nove faixas lançadas, está disponível nas principais plataformas de streaming. Esse trabalho musical reúne canções que a menina “interpretava” desde os 3 anos idade, quando pedia para cantar durante os shows de seu pai.

"No meio do show eu pedia para cantar, eu conheço as músicas de meu pai, então subia no palco e o show virava meu", lembra a menina. Leo Rocha, inspirador de Lilica para a carreira artística, mora no bairro de Itapuã desde os 7 anos e conta que sua experiência com o mundo da música começou nas rodas de samba.

Frequentador das festas de largo e carnavais do bairro desde 1987, fala que ao entrar na Escola da Música se animava em estudar músicas que partiam da sua vivência no bairro.

"A cultura musical é natural de Itapuã, as Ganhadeiras, do Bloco Afro, o Abaeté, as serestas aos fins de semana, os sambas que aconteciam em diversos espaços", diz. Essa vontade de estudar e conviver com a música influenciou Lilica que, mesmo tão nova, já faz sua própria curadoria musical.

"Ela faz uma seleção muito natural. Não gosta de todas as músicas de um artista, ela se afeiçoa por uma obra ou outra e aí começa a cantar. Um exemplo: a gente estava ouvindo Gonzaguinha e ela ficou encantada com a música ‘O que é, o que é?’, principalmente quando ouviu o trecho sobre a pureza da resposta das crianças. Ela sentiu que, de alguma forma, aquela obra conversava com ela", conta.

Infância

Como toda criança, Lilica adora pizza, lasanha, brinca de casinha e super heróis com amigos e família. Durante a entrevista disse que está aprendendo a cantar ​"All single ladies" da cantora norte-americana Beyoncé e que não tem apenas um artista preferido.

"Eu gosto de todos, de Freddie Mercury, Michael Jackson, Caetano, Lazzo Matumbi. Não tem como não gostar de Caetano e Lazzo", diz Lilica. Leo ressalta que a filha é antes de tudo uma criança e a família preza por preservar a infância. "Não é trabalho, porque acreditamos que criança não trabalha. Esse processo de interesse dela é muito genuíno. A gente opta por deixar ela curtir, e quando fica pesado, nós dizemos não", diz.

O artista afirma que em primeiro lugar vem a formação escolar e o respeito pelo desenvolvimento musical de Lilica. "Nós acreditamos que o lugar dela enquanto artista é o lugar de criança. É um cantar de criança, com respiração, tempo e dicção de criança. É algo natural e que respeitamos". Com três novas faixas do álbum a serem lançadas, Lilica diz que não pode falar muito porque é surpresa, mas que “se diverte cantando e ama fazer música”.

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