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EVOLUÇÃO

Metaverso: dos filmes para a integração com a realidade

Com o avanço da tecnologia o mundo virtual passa a ser uma realidade cada vez mais tangível

Priscila Dórea

Por Priscila Dórea

03/04/2022 - 6:00 h

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Ingrid Winkler, que lidera o grupo de pesquisa ‘Realidade Virtual e Realidade Aumentada para inovação na Indústria, Saúde e Educação’ e professora da Centro Universitário Senai Cimatec
Ingrid Winkler, que lidera o grupo de pesquisa ‘Realidade Virtual e Realidade Aumentada para inovação na Indústria, Saúde e Educação’ e professora da Centro Universitário Senai Cimatec -

Estaria o mundo aproximando-se da realidade dos filmes de ficção científica? Se depender das tantas possibilidades do metaverso, a resposta é sim. O conceito ainda confunde algumas pessoas - de acordo com o estudo ‘O que os brasileiros acham do metaverso’, da startup On The Go, apenas 55% das pessoas definem corretamente o termo -, e corresponde, basicamente, a um mundo virtual que tenta replicar a realidade. O que tem se tornado nítido é o quanto o avanço da tecnologia desse espaço virtual compartilhado será benéfico para os mais diversos setores.

A ideia do metaverso remete aos anos 1990, quando o conceito começou a ser estudado e explorado, e agora temos a tecnologia que permite tirar do papel muito desse espaço virtual. Porém, foi só nos últimos meses que a palavra metaverso caiu na boca do povo, graças ao Mark Zuckerberg (CEO do Facebook) e sua empresa Meta, mas ele apenas “pongou na onda, como um bom empreendedor”, afirma o economista João Alfredo Sampaio de Figueiredo.

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“É um ambiente que acolhe plataformas e que será muito usado por vários setores, em especial o financeiro. A expectativa agora é pela chegada do sistema 5G, que beneficiará fortemente o metaverso e o tornará mais tangível. Afinal, é como se diz nos negócios: adesão só com benefício concreto”, explica o economista.

Mas para alcançar esses benefícios, as possibilidades precisam ser testadas, assim como Goethe-Institut Salvador tem feito desde o início da pandemia. O pontapé inicial foi com a exposição Temporão, que além da mostra física, encerrada na última sexta, teve também a versão completa no metaverso, que vai além das visitas virtuais com fotos 360º, permitindo a exploração do espaço de forma mais completa e livre. A versão virtual continua disponível e pode ser conferida de forma gratuita no site www.goethe.de.

O objetivo agora, afirma o coordenador de Projetos na Programação Cultural do Goethe, Leonel Henckes, é levar todo o Instituto para o metaverso. “O próximo espaço será a nossa biblioteca, que deve chegar lá para o final de abril. Para nós tem sido um laboratório de experimentação, queremos levar outras exposições para o metaverso, assim como testar projetos e ideias novas envolvendo teatro por exemplo, sempre buscando o máximo de interação. Há muito a ser feito lá dentro, é um terreno a ser desbravado”.

Estreia

Quem também estreou no metaverso foi o Centro Universitário Senai Cimatec com sua primeira aula em um ambiente virtual e interativo. Com o tema ‘Desenvolvimento de produto no metaverso: reflexões para a indústria automotiva’, a aula foi conduzida pelo professor Dr. Marcus Mendes e pela idealizadora do projeto, a professora Drª. Ingrid Winkler, que lidera o grupo de pesquisa ‘Realidade Virtual e Realidade Aumentada para inovação na Indústria, Saúde e Educação’.

“A preparação foi bastante cuidadosa, nela os alunos podem participar tanto com os óculos que os tornam avatares dentro do espaço virtual, quanto pelos próprios desktops por videoconferência. Os alunos são do grupo de pesquisa, então tem sido muito interessante, pois eles estão podendo experenciar aquilo que há tanto tempo estudavam”, explica Winkler, que reitera: "As pesquisas do grupo são focadas tanto na realidade virtual como uma alternativa para a fadiga do Zoom, quanto para a realidade real".

Na aula do último dia 29, uma das participantes foi a doutoranda Fabia Cunha Ferreira Santos, formada em psicologia e mestra em administração pública. “A minha tese discute o metaverso enquanto ‘escritório do futuro’, ou seja, uma alternativa de organização de trabalho flexível, num momento em que o mundo está saindo da pandemia da Covid-19. Com a corrida das empresas observadas nos últimos meses rumo a essa tecnologia, acredito que a tendência é que o metaverso compreenda inúmeros mundos que vão se conectar entre si com o mundo real. Por isso, existe uma potencialidade de uso em diversos segmentos”, explica.

E um dos segmentos que já está surfando na onda é o de segurança e monitoramento, onde a startup Colmeia Visão Computacional (@tecnologiacolmeia) atua auxiliando empresas a aprimorarem a inteligência de negócios utilizando indicadores captados por inteligência artificial (IA), explica o analista de sistemas e CEO da startup, William Soares Sampaio Rocha. “É, literalmente, uma colmeia de IAs que enxergam o ambiente, aprendem sobre ele e utilizam o reconhecimento de faces, emoções, objetos, veículos, padrões de comportamento, sono e fadiga, e interagem com cada cliente em tempo real. E isso é só o começo”.

Conexão

Um dos sócios da startup é o coordenador do curso de Tecnologia da UniRuy Wyden e consultor e gestor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), Elisandro Lima, que afirma que um dos grandes obstáculos do metaverso hoje é a conexão. “Ele só será consolidado com a chegada do 5G, que vai permitir sua expansão, mas que é caro. O setor que mais explorará o metaverso no início será o econômico, pois não adianta pensarmos no social agora sem termos uma estrutura que será criada com alguém bancando, o que só acontece quando a necessidade se torna evidente”.

No entanto, nem tudo no metaverso será as mil maravilhas. “Se hoje as mídias sociais absorvem em média 30% de nosso tempo de produção, isso será piorado com o metaverso, que ainda está no início, mas que vai ocupar muito espaço em nossas vidas no futuro. Hoje, a tecnologia já gerou uma dependência violenta em todos nós, além de um prejuízo estúpido no que diz respeito ao excesso de informação, por exemplo”, afirma o coordenador.

Outra consequência negativa é a diminuição das interações interpessoais, ressalta o estudante de arquitetura da Unifacs, Eduardo Muniz, que acredita que a ideia do metaverso, de maneira geral, parece razoável, mas que também representa um risco. “Analisar o vínculo criado entre ser humano e tecnologia nos últimos 10 ou 12 anos me fez pensar que talvez o metaverso represente mais um risco que um lazer ou divertimento. Não vou ser o sexagenário saudoso que diz que o smartphone e a internet estragaram tudo, muito pelo contrário, mas é evidente que uma parcela grande da população mundial desenvolveu uma dependência digital muito grande e usa a tecnologia como muleta emocional”, enfatiza.

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