SALVADOR
Moradores denunciam morte de gatos em condomínio no Saboeiro
Suspeita é de que cachorros tenham sido treinados para atacar os felinos
Moradores do Condomínio Amazônia, localizado no bairro do Saboeiro, em Salvador, denunciam que gatos de rua cuidados por eles estão sendo mortos no local. A suspeita é de que cachorros tenham sido treinados para atacar os felinos.
O bando de gatos desabrigados é mantido por um pequeno grupo de moradores que os alimentam, vacinam e castram. Segundo uma das residentes do condomínio, que não quis se identificar, uma matilha, que parecia atacar de maneira sincronizada, chegou a assassinar 17 animais há três anos. A situação voltou a acontecer no último sábado, 29, e se repetiu nesta quinta-feira, 3.
“Há uns três anos, alguns cachorros entraram aqui e mataram uns 17 gatos. Moradores e algumas pessoas que alimentavam os gatos conseguiram espantar eles. Neste último sábado, entraram mais três, que atacaram uma gatinha. Chegamos a socorrê-la no veterinário, mas ela não resistiu. Ontem à noite, entraram mais cachorros, nós não vimos quantos, e hoje nos deparamos com diversos corpos de gatos”, explicou ela.
A moradora diz que o último ataque resultou em pelo menos dois gatos mortos, mas que é difícil ter certeza já que os corpos dos animais estavam despedaçados. “Uma filhote de gata foi decapitada sábado. Hoje, a gente encontrou pedaços de gatos espalhados pelas dependências, uma coisa muito triste mesmo, é difícil até saber quantas mortes foram”, lamenta.
Os moradores não sabem informar se os cães pertencem a algum condômino ou se são animais vindos de fora. No entanto, o grupo destaca que os cachorros agem de maneira direcionada, como se fossem treinados.
“Os cachorros iam direcionados para matar os gatos. Não era como se tivesse uma briga, algo isolado, eles entravam para matar os gatos. A gente acredita que sejam os mesmos animais. Não é algo normal, natural, é como se fossem treinados”, ressalta uma ex-moradora do local.
“Certa vez, apareceu um senhor do Imbuí que dizia estar procurando por alguns cachorros dele que fugiram. Só que a gente achou muito estranho porque nosso condomínio fica do outro lado do Imbuí, estranho os cachorros irem assim regularmente só para atacarem os gatos e voltarem. Lembro que eles desciam de umas casas ali do Saboeiro, atacavam e voltavam. Não era como se caçassem para comer, a gente suspeita que tenham sido treinados mesmo para matar os gatos. Tenho o sentimento de que existe alguém que quer mesmo o mal deles”, lamenta ela.
A ex-moradora também contou que antes dos ataques dos cães, alguns gatos mortos já haviam aparecido no condomínio.
“Na época, suspeitamos de envenenamento ou maus tratos, só que a gente não consegue descobrir quem é, se é gente de dentro ou de fora, porém, sabemos que existem pessoas lá dentro que não gostam dos gatos”, afirma.
O que diz o condomínio
Segundo uma das moradoras ouvidas pela reportagem, quando aconteceram os primeiros ataques, a administração do Condomínio Amazônia chegou a se pronunciar em defesa dos felinos, mas não comentou os recentes fatos.
“Na época, a administração se prontificou a fazer um espaço para eles, mas depois não se pronunciou mais. O representante, inclusive, está em um grupo que temos, mas não fala nada”, disse.
O Portal A TARDE recebeu imagens de gatos mortos no local e procurou a administração do local, que afirma apoiar o acolhimento dos gatos pelos moradores, e que os cães não pertencem a ninguém de dentro do condomínio.
“A gente não pode fazer nada. Eles chegam na calada da noite, entram pelo portão e atacam os gatos, eu até ouvi ontem. Mas não são daqui, vêm de fora”, declarou o subsíndico Antônio Jurandir.
Ao ser questionado se a segurança do local não poderia ser reforçada, Antônio disse que isso está nos planos da administração, mas que ainda não há uma previsão. “Nós vamos colocar tela no gradil do portão, mas isso não vai ser amanhã. Já foi feito um orçamento, mas estamos esperando o resultado dos outros que fizemos”, contou.
De acordo com Jurandir, por estar localizado em uma região de bastante mata, o condomínio é palco constante de abandono de animais. A grande quantidade já teria, inclusive, causado doenças de pele nos moradores.
“Muita gente vem e abandona os gatos aqui dentro. A gente não maltrata os gatos, mas devido à quantidade, já tivemos casos de crianças que pegaram micoses deles. A próxima pessoa que virmos abandonando gato aqui, a gente vai denunciar para a polícia”, afirma.
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