SALVADOR
Pais de alunos de colégio inclusivo estão preocupados com risco de fechamento da unidade

Pais e mães de alunos estão preocupados com a possibilidade do Colégio Estadual Satélite, em Piatã, fechar em 2018. A unidade é referência na rede estadual na inclusão de alunos com deficiências. Lá o aprendizado é para todos, sem discriminação e conta com 26 professores para 312 alunos, dos quais 47 têm alguma deficiência.
A cabeleireira Cláudia Mori que tem uma filha autista de 16 anos não conseguiu matricular a filha na unidade para o ano letivo de 2017. “Fui informada na escola que lá estava sem turma de 6º ano por orientação da secretaria de educação. Fui na secretaria para tentar matricular e lá fui informada que a escola não teria turma do 6º ano porque em 2018 o colégio ia fechar”, disse. Ela ainda informou que de forma oficiosa a filha e cerca de 35 alunos, entre eles cerca de 10 especiais, estão frequentando a escola.
Cláudia foi na secretaria junto com a amiga Andrea Santos que também tem um filho de 16 anos autista. Andrea conseguiu matricular o adolescente no 1º ano do ensino médio, no Colégio Satélite.
Em Salvador desde 2005, quando retornou do Japão, Cláudia já tinha passado por outras duas escolas e insatisfeita deixou a filha sem estudar por três anos. “Minha filha ficou sem vontade de ir à escola, por falta de estrutura, atividades específicas para ela e também pelo bullying”, relatou Cláudia.
A descendente de japoneses disse que buscou uma nova escola para a filha depois que ela começou a fazer tratamento de fonoaudiologia. “Fui em outra escola primeiro o Serravale, mas lá a sala multifuncional, que é essencial para os alunos especiais, só funciona duas vezes por semana e só tem dois profissionais”. Indicada por um amigo Cláudia e Andrea foram conhecer o Colégio Satélite e ficaram surpresas com a estrutura.
A sala multifuncional é dedicada ao desenvolvimento motor, intelectual e emocional do aluno com deficiência. Seis professores se revezam na tarefa de conversar, brincar, ajudar na resolução dos deveres, na prática de atividades lúdicas que completam o aprendizado da sala regular.
“Vou ser sincera com você, quando fui conhecer a escola fui desacreditada, por ser pública, mas quando entrei lá fiquei encantada, fomos muito bem acolhidas, inclusive pelos próprios alunos”, falou Andrea. Mesmo conseguindo matricular o filho a contadora ficou surpresa com a informação de que a escola fecharia, “não vamos deixar isso acontecer, já temos um abaixo-assinado e vamos ao Ministério Público para impedir isso”, contou.
Para Andreia o principal diferencial da escola é a sala multifuncional. “Nunca vi isso em escola nenhuma, e meu filho até ano passado só estudou em escolar particular. A sala funcional tem 6 professores exclusivos e funciona direto [todos os dias], além disso todos os outros professores são capacitados para lidar com os alunos com necessidades, isso você não encontra em lugar nenhum”.
A estrutura da escola também foi muito elogiada por Cláudia. “O modelo de funcionamento dessa escola é similar com as escolas que minha filha estudou no Japão, como pode fechar? Como não pode ter turma?”.
Os alunos regulares ajudam os com deficiência e vice-versa. O aprendizado é em mão dupla e a convivência aumenta o respeito ao próximo e diminui o préconceito.
Entre os 47 alunos com deficiência há cegos, surdos, mudos, autistas, com síndrome de down, deficiência intelectual e física. “É realmente uma escola inclusiva, pois não atende a apenas algumas deficiências e sim todas”, relatou Andrea, que completou “em 1º lugar o que procuro para meu filho é respeito e lá eu pude sentir que ele vai ter, de todos os lados e inclusive dos alunos chamados regulares”.
Em nota, a Secretaria de Educação (SEC) informou que não há previsão de fechamento da unidade escolar durante o ano letivo de 2017 e que ainda avalia a possibilidade de abrir vagas para o 6o ano do Ensino Fundamental, mas não informou prazos.
Segundo a SEC, o Atendimento Educacional Especializado (AAE) é garantido a todos os estudantes com deficiência da rede estadual. O atendimento ocorre de forma complementar em 68 Salas de Recursos Multifuncionais, em 12 Centros de Atendimento Educacional Especializado e seis instituições conveniadas. “Todas as escolas estaduais podem receber estudantes com deficiência, a partir da solicitação dos pais ou responsáveis”, informa a nota.
A secretaria ainda disse que segundo determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9394/1996, a responsabilidade pelo atendimento do ensino fundamental é dos municípios. O Estado apenas assume quando o município não tem condições de garantir esse atendimento.
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