SALVADOR
Paixão indígena criou atrativos naturais
Como em muitos lugares, a Península de Maraú também tem suas histórias e lendas. Uma delas é sobre a paixão indígena entre o guerreiro Maraú e a donzela Saquaíra, que eram enamorados. Mas, aí entrou em cena o poderoso índio Camamu, que seduziu Saquaíra com promessas não só de amor como de riqueza e de uma terra bonita e cheia de encantos naturais, tudo só para ela.
Bastava apenas que Saquaíra entrasse no seu grande e veloz barco e desse um belo adeus ao índio Maraú. E foi o que ela fez. Sem se sentir derrotado, Maraú evocou a ajuda do deus Tupã e, por encanto, conseguiu empreender em sua pequena canoa velocidade suficiente para acompanhar o ritmo de viagem do barco de Camamu.
CRIAÇÕES – Estava iniciada a perseguição e a parte mais criativa da lenda: ainda munido dos poderes conferidos por Tupã, Maraú começou a criar durante o trajeto belezas naturais para encher os olhos de Saquaíra, como a Cachoeira do Tremembé, os manguezais, as florestas e as serras. Por sua vez, ao adentrar o mar, Camamu, percebendo a estratégia do rival, começou a recortar o litoral com seu barco, criando assim belas enseadas que dificultavam a visão e a perseguição.
Maraú não se fez de rogado, desembarcou e criou o Morro da Bela Vista, de onde pôde localizar o casal fujão. Desceu o morro a continuou tentando demover sua amada ao criar para ela as lagoas do Cassange, da Tabatinga e Lagoa Azul. Camamu continuou a recortar o litoral e a distanciar-se cada vez mais, dificultando as coisas para Maraú, que prosseguia na criação de mais atrativos, como as piscinas naturais de Taipu de Fora, os coqueirais com frondosas sombras e... mais morros, para poder avistar sua bela. Tudo em vão.
Mesmo vencido, com o orgulho ferido e a moral lá em baixo, o bravo Maraú foi capaz de um gesto bastante nobre: pediu a Tupã que todas as belezas que criou para sua amada servissem para unir ainda mais os casais apaixonados. Desejou aos outros a sorte que ele não teve. Maraú perdeu-se no caminho de volta para a aldeia, chorou muito e morreu. Tupã criou com suas lágrimas um poço próximo à Grota dos Frades, na Baía de Camamu.
CIRCUITOS – Passeios de canoa pelo mangue, visita à Ilha de Cajaíba, a um engenho de dendê, à Cachoeira do Tremembé, a Maraú, Itacaré, o circuito das cinco ilhas e a “península encantada” em veículo 4x4, além das praias, lagoas, serras e rios. Estas são as principais opções das agências de passeios de Barra Grande (onde está a maior parte delas) e Taipu de Fora. O turista encontra roteiros com diferentes opções de preços e de duração.
E apoio logístico formado por jipes com tração nas quatro rodas, quadriciclos, motocicletas, lanchas, escunas e guias bem informados. É gostoso começar um dia ensolarado já no píer de Barra Grande à espera do embarque numa lancha ou escuna para fazer o famoso circuito das cinco ilhas. A primeira do roteiro é a Coroa Vermelha, logo na entrada da baía. Trata-se de uma porção de areia vista apenas na maré baixa, onde os turitas podem caminhar e fotografar, além de dar os primeiros mergulhos do passeio. A segunda é a Ilha da Pedra Furada, bem peculiar.
Também na maré baixa, é ideal desembarcar e conferir bem de perto uma curiosidade: praticamente todas as pedras, das maiores às menores, têm furo no meio. Os guias não sabem explicar o fenômeno. A ilha é de propriedade particular, cuja entrada na parte mais interessante custa R$ 2.
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