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'Peluda' na Playboy abre debate sobre depilação

Luana Almeida
Por Luana Almeida
| Atualizada em
Para antropólogo, revista viu em polêmica oportunidade para vender
Para antropólogo, revista viu em polêmica oportunidade para vender - Foto: Cau Gomez | Editoria de Arte | A TARDE

Em 1886, o pintor realista francês Gustave Courbet chocou a sociedade da época com a tela A Origem do Mundo, na qual retrata o tronco de uma mulher nua, com as pernas afastadas, deixando a vulva e uma infinidade de pelos pubianos à mostra.

Cerca de 120 anos depois, a nudez voltou a criar polêmica. Dessa vez, com a publicação da revista Playboy, que trouxe a atriz global Nanda Costa como destaque. No ensaio fotográfico, ambientado em Havana, capital de Cuba, Nanda aparece com uma depilação marcada por fartos pelos íntimos.

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As fotos suscitaram debate não apenas entre os leitores da revista, mas também entre mulheres, representantes do movimento feminista, médicos e pesquisadores.

O assunto foi repercutido exaustivamente nas redes sociais e chegou ao segundo lugar no ranking dos assuntos mais comentados do Twitter nos dias que seguiram a data da publicação da revista, no início de agosto.

Com um cachê milionário no bolso, cujo valor exato não foi divulgado, a atriz Nanda Costa levou o assunto na esportiva. Em seu perfil em uma rede social, a atriz brincou com a polêmica sobre a sua depilação: "Jamais faria 'bigodinho' de Hitler na terra de Fidel. Acabei de descobrir que Fidel faz aniversário junto com a Playboy!", disse.

Liberdade - Organizadora da Marcha das Vadias em Salvador, a professora Sandra Muñoz acredita que a revista tenha levado ao público a ideia de liberdade, de livre-arbítrio.

"Sou completamente contra a imposição. Não existe um padrão a ser seguido, uma ditadura da depilação. Cada mulher deve decidir como quer mostrar a sua vagina, sem a preocupação de agradar a terceiros", afirmou.

Já para o antropólogo Ricardo Vieira Barros, a revista apenas tentou "emplacar" uma nova tendência entre o público feminino e ampliar as vendas a partir da criação de um ensaio "supostamente" polêmico.

"As publicações apostam no alvoroço para ampliar as vendas. Não há nada de diferente na depilação da atriz. É normal, é feminino e não choca. Outras artistas, como Cláudia Ohanna, em 1985, e Vera Fischer, em 1982, fizeram ensaios onde mostravam o púbis peludo. Essas 'polêmicas' são pensadas apenas visando o lucro", disse.

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