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Preço de alvarás faz taxista migrar para aplicativo Uber

Yuri Silva

Por Yuri Silva

28/08/2016 - 11:22 h

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Motorista do Uber há 15 dias, Michael, 39, era taxista
Motorista do Uber há 15 dias, Michael, 39, era taxista -

Ex-taxista, o motorista do Uber Michael Evangelista, 39, se diz "satisfeitíssimo" com a atuação na plataforma, iniciada há 15 dias. Ele, que deixou o sistema de táxis de Salvador há um ano porque não conseguia pagar o aluguel de R$ 700 semanais pelo alvará que lhe permitia rodar, hoje consegue tirar até R$ 120 de lucro por dia no aplicativo.

No táxi, contabiliza o motorista, esse proveito diário só chegava a R$ 60, com muito esforço. "Tinha que rodar noite e dia para cobrir o dinheiro do alvará e tirar salário", lembra Michael.

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A história dele - semelhante à de tantos outros taxistas que precisam alugar uma licença para trabalhar na capital baiana - carrega nas entrelinhas a justificativa para a migração de motoristas de táxi para a plataforma Uber, fenômeno observado desde a chegada do aplicativo a Salvador, no início de abril. O preço dos alvarás de táxi na cidade, motivo de reclamação entre a categoria, varia, normalmente, entre R$ 700 (táxi comum) e R$ 900 (táxis do aeroporto) por semana, diz o diretor de relações públicas da Cooperativa de Táxis do Aeroporto (Comtas), o também taxista Reginaldo Cohim.

Apesar de estar em processo de desvalorização, conforme profissionais e sindicalistas da área ouvidos por A TARDE, o valor das licenças pesa no bolso - o que, para eles, tem motivado a migração para o Uber.

"São diárias absurdas, é uma exploração para os taxistas que trabalham como auxiliares", considera o ex-taxista e atual motorista do Uber Júlio Lira, 60, citando o termo utilizado para se referir aos motoristas de táxi que alugam alvará.

Aluguel permitido - O secretário de Mobilidade de Salvador, Fábio Mota, explica que os "taxistas auxiliares" são aqueles cadastrados pelo dono do alvará (o taxista titular) para rodar com a mesma licença.

Esse processo, considerado legal, permite o cadastramento de até dois motoristas auxiliares por alvará, totalizando três taxistas (um por turno de trabalho). A remuneração entre as partes, entretanto, não é controlada pela prefeitura.

"A relação entre eles é privada, não tem participação da prefeitura porque é uma relação trabalhista", afirma o secretário. Ele explica, ainda, que 6% dos 7.200 alvarás de Salvador são controlados por empresas privadas, quando a legislação permite 10%. Os outros 94% são de propriedade individual.

Os números, segundo Fábio Mota, foram extraídos da última atualização cadastral feita pela prefeitura no sistema de táxi, em 1992. Conforme o mesmo levantamento, a capital baiana tem 20 mil taxistas registrados, sendo 12.800 auxiliares e 7.200 titulares.

Até dezembro deste ano, quando termina a nova atualização cadastral do sistema, iniciada em maio, a gestão municipal vai apurar se todos esses alvarás estão em atividade. Caso surjam novas vagas, explica Mota, elas serão colocadas à disposição de quem tiver interesse, por meio de licitação pública.

Até sexta-feira passada, seis mil taxistas tinham se cadastrado, segundo dados da Secretaria de Mobilidade (Semob) divulgados por ele ao A TARDE. "Está em vigor a lei que proíbe o transporte remunerado de passageiros em veículo privado. Estamos aperfeiçoando o serviço de táxi com esse recadastramento, que não acontecia há anos, e com o novo regulamento dos táxis, que aprovamos", afirmou Mota.

Custo-benefício - O discurso dele, que representa a gestão municipal, parece não persuadir os ex-taxistas que aderiram ao Uber. Após seguir caminho igual ao de Michael e Júlio, o ex-motorista de táxi Pedro Silveira*, 54, está convencido sobre o custo-benefício da plataforma digital.

Após abandonar o taxímetro pelo mesmo motivo dos colegas - ele não conseguia pagar a diária de R$ 260 pelo alvará de um táxi especial do aeroporto -, o ex-taxista já pensa em comprar carro próprio para investir de vez no Uber.

Atualmente, mesmo alugando o veículo em que trabalha para o aplicativo, Silveira afirma que fatura mais do que no antigo ofício. "Foram oito anos difíceis, cheguei ao ponto de não conseguir pagar a diária mais. Mas hoje, no Uber, tiro R$ 1.500 de salário no mês", conta ele. Entre os gastos do motorista está apenas a diária do carro (no valor de R$ 46), o combustível (que ele estima custar R$ 1 mil mensais) e a mensalidade da internet para o celular (algo em torno de R$ 30).

Essa "vantagem", na opinião do presidente da Associação Metropolitana de Taxistas, Valdeilson dos Santos, é "passageira". O sindicalista afirma que, com o tempo, os custos de manutenção serão sentidos pelos motoristas do Uber, o que, para ele, mostrará que o aplicativo é "só uma moda".

Apesar da crítica, Valdeilson reconhece o preço elevado dos alvarás, mesmo com um recente registro de queda no preço [leia abaixo] "É pesado, mas dá para manter", tenta se convencer.

*Nome fictício

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