SALVADOR
Revogação de tombamento municipal levanta debate sobre estruturas na Ufba

A revogação municipal do tombamento do conjunto arquitetônico da Residência Universitária 1 (R1) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Corredor da Vitória, foi oficializada no último dia 13 e trouxe o debate sobre a estrutura dos imóveis que abrigam centenas de estudantes. Em Salvador, além da R1, a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (Proae) da Ufba cuida da gestão de outras três residências, que juntas têm capacidade para abrigar 380 alunos.
A pró-reitora Cássia Maciel, que está à frente da Proae, fez um raio-x da atual situação das residências universitárias. Em meio ao corte orçamentário do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que fez a Ufba sofrer redução de R$ 6,5 milhões em recursos de assistência em 2021, número 18% menor que o investido em 2020, Maciel destaca os pontos que ainda preocupam.
“Mesmo com o corte orçamentário, estamos avançando com as reformas. No entanto, a gente tem quatro residências universitárias, com diferentes estruturas. Por exemplo, a reforma estrutural na R1, no Corredor da Vitória, exige o cuidado com arquiteturas que são históricas, o mesmo acontece com a R2, no Largo da Vitória. A R3, que era antiga residência feminina e ficava em um imóvel antigo no Canela, foi transferida para uma casa alugada por contrato, na Graça, que abriga 100 estudantes. Por fim, a Estudante Frederico Perez Rodrigues Lima, na Garibaldi, foi construída em 2012 e tem estrutura mais moderna”, explica a pró-reitora.
Cenário
A TARDE esteve na Residência Universitária 1 (R1) da Ufba, no Corredor da Vitória. Localizado numa das áreas mais nobres de Salvador, o casarão passa por reformas. Com estilo neocolonial, foi adquirido pela Ufba na década de 1950.
Com estrutura para abrigar até 80 estudantes, por causa das reformas e a situação de pandemia, a residência está com 40% da sua capacidade. No primeiro andar, onde fica o corredor central do imóvel, móveis e materiais usados para a reforma ocupam os espaços das salas. Os quartos ficam no segundo andar.
De acordo com nota técnica da Ufba, a reforma segue um cronograma que começa no térreo, fachada e telhado, partindo para o segundo e o primeiro andar. As partes elétricas, hidráulicas e de cabeamento de internet estão sendo trocadas, assim como revestimentos, bancadas para a cozinha, calhas e pinturas. A nota destaca que o térreo é o pavimento que enfrenta mais problemas em razão de umidade e mofo.
Localizado em área que fica ao fundo da R1, o restaurante universitário acumula sujeira. Segundo a pró-reitora Cássia Maciel, por causa da pandemia, o espaço está fechado há cerca de um ano e meio, o que tem contribuído para o cenário.
Sobre a falta de estudantes no momento da visita do A TARDE na residência, o assistente social Francisco Ribeiro, que participa do trabalho de seleção e distribuição dos alunos nas residências, explica que o período de reforma e a pandemia têm alterado o fluxo e a agenda dos residentes.
“A pandemia exigiu cuidados, então a gente reduziu o número de estudantes nas residências universitárias, oferecendo auxílio-moradia para aqueles que não fossem permanecer nas unidades. Quem tinha condição de voltar para o interior com segurança, até para ficar com a família no momento, acabou retornando para a sua cidade. Mais de 80% dos alunos voltaram para as suas casas, no interior. Atualmente, estamos em processo de retorno gradual dos estudantes da R1”, explica Ribeiro. A TARDE tentou contato por telefone com alguns estudantes da R1, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Sobre os critérios para a estadia nas residências, Ribeiro explica que é necessário ter renda familiar de até um salário mínimo e meio, estar regularmente matriculado na Ufba e não ter outra graduação em paralelo, além da priorização de estudantes que sejam de cidades do interior baiano.
Um dos residentes da Ufba é Iuri Oliveira, 30 anos, estudante de arquitetura. Natural de Itabuna, no sul da Bahia, ele chegou a Salvador para o sonho de ter uma graduação, em 2014. Ele está na unidade da Garibaldi. Construída em 2012, ela é a maior das quatro da Ufba em Salvador, com capacidade para abrigar 198 estudantes, em 50 apartamentos de dois quartos. No geral, cada apartamento recebe quatro alunos. O prédio tem quatro andares.
“Passei um primeiro semestre muito difícil, morando de favor, sem condição de pagar aluguel. Foi então que soube da possibilidade de morar em uma residência universitária. Não teria condição de seguir com estudos sem isso. O apartamento que estou tem uma boa estrutura, mas os que estão localizados na parte inferior, em especial no térreo, sofrem com problemas de infiltração, mofo. E a gente repassa cada problema para a Proae, além de ficar cobrando as soluções”, diz Iuri.
Demandas
Com a pandemia, o estudante passa a maior parte do tempo no apartamento, com atenção voltada para as aulas remotas. Ainda sobre a estrutura da residência da Garibaldi, ele afirma que faltam espaços que permitam momentos de convivência com a comunidade de residentes do local.
De acordo com Dalmo Carvalho, que atua nas demandas do núcleo de residências da Ufba, os estudantes passam o feedback de manutenções internas que precisam ser feitas nos imóveis. “Eles ajudam na identificação de um chuveiro elétrico quebrado, na falta ou danificação de alguma estrutura da parte interna dos quartos. De fora, a gente consegue avaliar as necessidades estruturais, a exemplo da troca periódica de extintores de incêndio, dano estrutural. Mas é importante a escuta para os espaços mais reservados”, explica.
Sobre o imóvel que abrigava a antiga residência feminina da Ufba, no Canela, a pró-reitora Cássia Maciel afirmou que o local permanece fechado, mas existe um projeto para transformar a área em um espaço de vivência cultural da cidade.
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