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SALVADOR

Sem requalificação, orla da cidade fica vazia à noite

Espaços promissores, como o Parque dos Ventos, agora exibem as marcas da falta de manutenção preventiva e corretiva, e ausência de fiscalização

Priscila Dórea
Por Priscila Dórea
| Atualizada em

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Durante o dia, as população aprovieta para caminhadas, mas poucos se aventuram a passar no local á noite
Durante o dia, as população aprovieta para caminhadas, mas poucos se aventuram a passar no local á noite - Foto: Uendel Galter / Ag. A TARDE

A orla marítima de Salvador é uma coisa linda de se ver, caminhar e curtir. No entanto, mesmo com uma parte considerável revitalizada e requalificada, o trecho entre a Boca do Rio e Piatã chama atenção pelo ar desértico e de pouco movimento, mesmo com um marzão logo ao lado. Não sendo alvo de uma requalificação geral há mais de 10 anos - desde que as barracas de praia foram demolidas -, a região ainda atrai quem gosta de caminhadas pela manhã, mas é só. A construção do Centro de Convenções e a instalação do Parque de Food Trucks e do Parque dos Ventos buscaram trazer novos ares para a região, mas a vida noturna e os negócios não parecem render.

Quando falamos sobre a manutenção de espaços públicos, a revitalização implica em recuperar um local ou construção, enquanto a requalificação é dar uma nova função enquanto melhora o aspecto. E é desse último que o trecho entre a Boca do Rio e Piatã mais precisa, afirma o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) na Bahia, Silvio Pessoa. “Junto a isso, infelizmente, o mercado imobiliário já usou muitos dos terrenos da região na construção de prédios residenciais, não restando muito espaço para bares ou restaurantes na orla em si. Uma alternativa seria usar a parte do ‘meio’, mas aí depende da vontade política, né? É uma região que precisa, acima de tudo, de requalificação”, explica.

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E isso acaba gerando uma reação em cadeia: um lugar ‘deserto’ e com uma iluminação precária não atrai muito movimento e o interesse do empresariado desaparece. Sem maiores atrativos, cada vez menos pessoas se entusiasmam em ocupar esses espaços, principalmente no período da noite devido a falta de segurança, afastando, inclusive, o interesse dos turistas. E quanto menos interesse há em ocupar esses locais, mais a prefeitura vai deixando de lado esses espaços, já que acabam priorizando os pontos ‘mais quentes’ da cidade, dos quais a população – seja residente da região ou não - exige revitalizações mais imediatas. O resultado? O abandono e desgaste natural de bons espaços de lazer já existentes, a exemplo do Parque dos Ventos.

A inauguração do Parque do Ventos em março de 2020 empolgou e muito o instrutor de patins Fernando Campos (@fcinstrutorpatins). A área ampla e com uma grande variedade de equipamentos para a prática de diferentes atividades físicas pareceu uma ótima ‘sala de aula’ para levar seus alunos e alunas, assim como servir de vitrine para novos clientes. O problema é que hoje, 2 anos e 5 meses após a inauguração do parque, o espaço está longe de se parecer com a sua proposta inicial, afirma o instrutor, principalmente no que diz respeito à segurança. O espaço tem sido evitado por seus clientes à noite, em especial pelas mulheres.

“Se tornou comum as alunas cancelarem as aulas quando elas são no Parque dos Ventos. No início havia um posto policial dentro do parque, mas isso não existe mais. O pouco movimento do lado de fora afasta a galera, principalmente à noite e dificilmente consigo marcar uma aula depois das 18h. As alunas não vêm, preferem ir para o Jardim dos Namorados, por exemplo. O espaço fornecido no parque é ótimo, mas apenas um quiosque que vende água funciona e só no final de semana, nem a máquina para lavar as mãos funciona mais. Continuamos vindo, principalmente durante o dia e nos finais de semana, mas a situação é bem triste, pois a verdade é que, se a gente não vem, vai acabar fechando”, desabafa Fernando.

Fernando conta que a construção do espaço empolgou muito os instrutores de esportes, ao ponto de muitos se mudarem para a região e seu entorno, apostando na infraestrutura fornecida e no quão atrativa seria para novos alunos. “A orla de Salvador é ótima para trabalhar, mas a falta de manutenção e a forma como a prefeitura, e a própria população trata com descaso alguns espaços é bastante triste. É de dar pena ver um lugar como o Parque dos Ventos, um espaço de lazer e para a família, se acabando desse jeito. A situação é precária e pouco adianta tentar falar com as autoridades, porque não temos retorno”, lamenta.

Fiscalização

Uma das alunas de Fernando, a administradora Ana Paula Assis Fraga, chama atenção ainda para a falta de fiscalização do parque. “Quando fazem algum evento maior aqui, a sujeira que é feita fica aqui por dias. E não é incomum vermos adolescentes e adultos usando brinquedos infantis. Não há cuidado por parte da população, então acredito que deveria haver o mínimo de fiscalização por parte do Parque para inibir essas situações", sugere.

A Secretaria Municipal de Manutenção (Seman), responsável pela manutenção na infraestrutura dos parques de Salvador - Cidade, Dinossauros e Ventos -, informou que realiza periodicamente, a requalificação dos banheiros, sanitários, portões de ferro, pistas de cooper, ciclovia, equipamentos de saúde e brinquedos do Parque dos Ventos. Em 2021, afirmou a pasta, a Prefeitura investiu mais de R$ 6 milhões no Programa Salvador No Grau, que contemplou a manutenção de equipamentos públicos, como a recomposição de pavimentação e pintura de ciclovia e do meio-fio, poda e limpeza de coqueiros, e ações de tapa buraco em toda a orla marítima de Salvador.

Continuação

O essencial, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) na Bahia, Luciano Lopes, é que a região tenha uma requalificação que dê continuidade ao que já foi feito. “O trecho da orla a partir da Boca do Rio é um vetor de crescimento vertical em Salvador. Temos percebido a volta dos turistas sol e praia, como chamamos, e ter essa parte da orla requalificada irá atrair ainda mais clientes. Apesar da crise, o número de hotéis que fechou em definitivo nos últimos 4 anos não foi alto nesse trecho, inclusive é bom lembrar que um hotel não fecha de uma hora para outra, como bares e restaurantes, então estamos muito positivos com a tendência de crescimento do setor”, explica.

Quase R$900 mil foram destinados a ações corretivas nos três parques, afirma a Seman, que chama atenção para o fato da orla sofrer com a depredação de equipamentos como corrimões de aço inox e grelhas de ferro dos dispositivos de drenagem, que são furtados para revenda ilegal. No Parque dos Ventos, salienta o titular da Seman, Luciano Sandes, o vandalismo nos brinquedos - destinados a crianças menores de 12 anos - é provocado pela utilização inadequada deles. “Contamos com a colaboração e a sensibilidade da população para ajudar na preservação destes equipamentos. Denuncie na administração do parque o indivíduo que estiver fazendo uso inadequado destes brinquedos ou depredando o mobiliário dos banheiros e sanitários”, afirmou o secretário.

Por meio de nota, a Prefeitura de Salvador afirmou que o Programa de Requalificação da Orla de Salvador - que consta no Planejamento Estratégico desde 2013 - está sendo novamente priorizado no planejamento estratégico para o período 2021- 2024. Considerando a extensão do território, suas particularidades e identidades, a Prefeitura explica ter optado por elaborar os projetos e executar as obras por trechos. O projeto da região entre Boca do Rio e Piatã já está concluído e tem início previsto para setembro de 2022.

A nota ainda salienta que a não execução de pontuais trechos da Baía de Todos os Santos deve-se ao fato do Governo do Estado ainda não ter o projeto finalizado do monotrilho do VLT, que interfere diretamente nos projetos da orla. A Prefeitura segue aguardando. Mais detalhes sobre a revitalização dos trechos de orla de Salvador podem ser acessados através do site: www.fmlf.salvador.ba.gov.br.

Uendel Galter / Ag. A TARDE

Durante o dia, as população aprovieta para caminhadas, mas poucos se aventuram a passar no local á noite

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