SALVADOR
Servidor é enterrado em clima de revolta

Dor, angústia e perplexidade marcaram o enterro do funcionário da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) , Neilton Souto da Silveira, assassinado na manhã de sábado no prédio do órgão onde trabalhava, no Comércio, Cidade Baixa da capital baiana. Familiares, amigos e colegas de trabalho compareceram ao Cemitério de Campo Santo, bairro da Federação para assistir ao sepultamento no final da tarde.
Muitos deles estavam chocados pela forma como ocorreu o crime e intrigados pelo motivo que teria levado ao assassinato do técnico em informática, que há dois meses ocupava o cargo comissionado na Secretaria, era concursado e já tinha passado pela Secretaria Municipal de Administração (SEAD) e pela Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET). As causas do assassinato ainda são desconhecidas.
Não havia nada que nos fizesse acreditar que isso pudesse acontecer. Ele sempre foi uma pessoa tranqüila e muito profissional. Ultimamente havia reclamado das pressões que sofria no trabalho. Argumentavam que não estava cumprindo com o serviço, mas ele chegava ao trabalho antes das 8h e era o último a sair, afirmou Débora Rezende da Silveira, nora de Silveira.
Débora informou ainda que Silveira era freqüentemente humilhado no ambiente de trabalho. Meu sogro comentou em casa que era destratado por uma coordenadora da Secretaria, chamada Tânia Maria Pedrosa. Ele contou à esposa, pouco antes de sair de casa, que ela solicitou a sua presença no trabalho no sábado, dia do crime. Mas não podemos afirmar que ela esteja envolvida, ponderou.
O primo da vítima, Wagner da Silveira, foi mais incisivo. Não havia nenhum motivo para ocorrer um crime tão bárbaro. A única possibilidade é que ele tivesse descoberto alguma falcatrua com pessoas importantes envolvidas. È a única explicação porque ele era uma pessoa íntegra, honesta.
Os colegas da secretaria, que estavam presentes na solenidade de adeus à vitima, informaram desconhecer a insatisfação do funcionário público. Para eles, Silveira trabalhava tranqüilamente e nunca havia se queixado de problemas internos. Não havia motivo para a morte dele, que nunca se envolveu em discussões. Na verdade, ele se relacionava bem com todos no andar onde trabalhava, comentou um servidor da Secretaria de Saúde, que não quis se identificar.
Eles aguardam que o caso seja solucionado o mais rápido possível. Sentimos bastante a perda dele. O que nos resta, a partir de agora, é esperar que a polícia se dedique a descobrir quem são os responsáveis pela sua morte, afirmou um outro colega de trabalho de Souto Silveira, que também conversou com a reportagem sob a condição de ficar no anonimato.
Morte
O funcionário público foi encontrado morto no domingo de manhã, depois que os familiares estranharam o seu desaparecimento. Neilton saiu de casa, em Caminho de Areia, para uma reunião extraordinária no órgão. Demorou a entrar em contato com a esposa, Emília Cristina Bonfim Silveira, que passou a ficar desconfiada da demora. Ele não fica por mais de três horas sem me ligar. Naquele dia, saiu pela manha e não havia dado notícias até a tarde. Nunca havia acontecido antes.
O corpo da vítima foi encontrado no terraço interno da Secretaria de Saúde, pelo filho mais velho, Nelson Neto, 23 anos. O jovem estava em busca do pai desde a noite de sábado, quando foi pela primeira vez ao órgão. Na ocasião, a segurança informou que Neilton foi visto pela manhã ao entrar no prédio. Nenhum funcionário teria visto ele deixar a sede da SMS.
Foi achado apenas com roupas íntimas e uma camisa. Não foram achados documentos, celular e outros objetos. De acordo com o primeiro laudo da polícia técnica, ele foi assassinado com golpes violentos, o que provocou uma hemorragia interna, afundamento na parte posterior da cabeça e fraturas pelo corpo.