SALVADOR
Servidor encontrado morto na Secretaria de Saúde
Atualizada às 16h51
O encarregado do setor financeiro do gabinete da Secretaria Municipal de Saúde, Neilton Souto da Silveira, 48 anos, foi encontrado morto no terraço interno do órgão na manhã deste domingo, 7, no bairro do Comércio. O corpo foi localizado por volta das 10 horas da manhã pelo filho mais velho do funcionário, Nelson Neto, 23 anos, que buscava pelo pai desde o desaparecimento no sábado.
Souto trajava apenas as roupas íntimas e uma camisa. Documentos, celular, óculos de grau e outros pertences não foram encontrados. A perícia técnica esteve por mais de duas horas no interior do prédio investigando o caso. Familiares foram impedidos de acompanhar a investigação, que só terminou por volta das 15h40, quando finalmente o corpo foi removido do prédio.
Após a perícia, a agente do departamento técnico da polícia, Nilcéia Santiago, informou que o corpo estava em estado de rigidez cadavérica. "Será levado para o Instituto Médico Legal, onde será feita outra análise. O laudo final deve sair em 24 horas", resumiu.
SUSPEITAS - Segundo relato de familiares, Souto teria ido ao escritório da Secretaria Municipal de Saúde, por volta das 8 horas da manhã de sábado, para participar de uma reunião extraordinária. Saiu de casa cedo para adiantar um serviço extra. Nos últimos dias, inclusive, fez queixas de pressão no ambiente de trabalho, contou André, 14 anos, filho caçula do servidor.
Questionada sobre o suposto encontro de trabalho, a sub-secretária da Secretaria Municipal de Saúde, Aglaé Sousa, disse não ter conhecimento de qualquer reunião marcada para aquele dia. Entrei em contato com outros supervisores e ninguém tinha convocado reunião. Inclusive, as reuniões do gabinete não podem ser marcadas sem o meu consentimento. Também desconheço qualquer tipo de pressão ou estresse além do habitual, afirmou.
Seguranças da secretaria dizem ter visto Souto entrar no prédio sozinho e sem portar documento de acesso ao local. Segundo Aglaé Sousa, Souto era responsável pela organização do setor financeiro e encarregado, principalmente, de contabilizar o repasse de verba para as prestadoras de serviço da secretaria. Souto prestava também serviços referentes a técnicas em informática.
A família deu conta do desaparecimento às 11 horas de sábado, quando a esposa de Souto, Emília Silveira, tentou localizá-lo por meio do celular. Minha tia ligou para saber se ele [Neilton Souto] apareceria para o almoço, mas caiu na caixa de recado. Daí já estranhamos porque isso nunca aconteceu. Ele nunca deixou de avisar quando retornaria para casa e o aparelho nunca ficou desligado, destacou Carol Bonfim, sobrinha do servidor.
Sem ter notícia do pai, Nelson Neto foi ao prédio da secretaria por volta das 9 horas da noite de sábado. O prédio estava trancado, não tive acesso às salas, consegui dar uma olhada apenas nos banheiros, mas não vi nada, contou. O filho mais velho do servidor seguiu em busca de alguma notícia do desaparecimento do pai no Hospital Geral do Estado, no Roberto Santos e no Instituto Nina Rodrigues. Ficamos muito preocupados. Pensei que poderia ter acontecido algum acidente.
Ainda na madrugada de domingo, Nelson Neto retornou à Secretaria Municipal de Saúde, por volta das 2 horas, em nova tentativa de entrar no prédio, como se tivesse certeza que encontraria o pai por lá. Sem sucesso, foi para casa e às 9 horas da manhã deste domingo retornou novamente ao local, acompanhado da mãe. Dessa vez, com auxílio de um funcionário que tinha as chaves do prédio, teve acesso às salas e demais departamentos da secretaria, até que o corpo finalmente foi localizado em uma área isolada no piso térreo.
Apesar de a polícia não ter revelado a causa da morte, a cunhada de Souto, Lilian Patrícia Bonfim, não acredita que seja um caso de suicídio. Neilton era uma pessoa do bem, sem desilusão com a vida, um cara tranqüilo apesar de ser bastante metódico com o trabalho. Não gostava nem de chegar atrasado. Tinha marcado de ir ver a apresentação da banda do filho, conta.
A sub-secretária de Saúde, Aglaé Souza, disse estar bastante espantada com a situação. Durante todo o tempo em que esteve de pé na calçada do prédio acompanhando a remoção do corpo fez questão de assegurar as qualidades do funcionário. Era concursado, assíduo, um funcionário que cumpria suas obrigações com afinco, declarou.
Aglaé esteve em contato com Souto pela última vez sexta-feira durante encontro de confraternização dos funcionários da Secretaria. Nos cumprimentamos e ainda me despedi dizendo que o veria novamente na segunda-feira.
A família aguarda com ansiedade a resposta da polícia na tentativa de compreender o que teria levado o servidor evangélico Neilton Sousa, pai de três filhos, funcionário até então sem empecilhos de relacionamento entre os colegas de trabalho e que tinha planejado assistir a apresentação da banda do filho, a morrer dessa forma no início do ano de 2007. "A dor é grande. São muitas possibilidades, temos que aguardar para ver o que de fato aconteceu", concluiu Neto.
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