CIGARROS ELETRÔNICOS
Uso de vape pode afetar diversos órgãos
Especialistas alertam para prejuízos na saúde de usuários, além do pulmão, nos olhos e garganta

Tiago Reis**, 36 anos, fumava cigarro normal, mas há um ano começou a usar dispositivos eletrônicos conhecidos como vape. Com o tempo, o que parecia ser uma maneira menos prejudicial, passou a causar mais transtornos nos olhos. No entanto, especialistas alertam para complicações nos olhos, garganta e no pulmão.
“Depois de alguns meses comecei a sentir incômodo nos olhos, coceira, vermelhidão e a sensação de olho seco em função da fumaça do vape. A primeira orientação foi parar de usar e precisei usar colírio. Agora, já não uso todos os dias. Tento me segurar mais durante a semana e usar mais nos finais de semana quando saio pra curtir”, pontua.
Já a longo prazo, podem desenvolver catarata precoce, degeneração da mácula. “São substâncias extremamente oxidantes. Aceleram muito o envelhecimento dessas estruturas, podendo causar problemas que o paciente talvez só tivesse quando fosse idoso ou nunca fosse ter”, explica a oftalmologista Carla Cordeiro Vita.
Também deve haver atenção redobrada em sintomas como aceleração no coração e náuseas. “Pela inalação do cigarro com vários outros produtos, pode ocorrer tosse, bronquite, dificuldade para respirar. Há alguns anos, nos Estados Unidos, um quadro grave de pneumonia foi relacionado a inalação do vapor do cigarro eletrônico”, explica o pneumologista Álvaro Cruz.
Os cigarros eletrônicos podem ser porta de entrada para o cigarro convencional, pois o risco da dependência pela nicotina é o que mais chama atenção.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tabagismo tem relação com vários tipos de câncer e é responsável por cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão.
“Um estudo de saúde do adolescente do Ministério da Saúde que mostra que entre meninas, de 2015 para 2019, houve um aumento de 6% para 6,5% na proporção de meninas que fumam cigarro normal. O vape acaba levando para o cigarro normal e essa é uma das principais preocupações”, pontua Álvaro Cruz.
A oftalmologista Carla Cordeiro Vita aponta que os cigarros eletrônicos potencializam os riscos do cigarro normal devido a concentração maior de substâncias como nicotina. Aqui no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proíbe a comercialização, a importação e a propaganda desses dispositivos.
“A pessoa acaba tendo um risco que teria com cigarro normal de acontecer em 10 anos, acontecer em cinco anos, por causa da quantidade de substâncias nocivas, fora que são viciantes e a pessoa acaba dependente”, afirma a especialista.
“Não é fácil parar de fumar. Então, a melhor coisa é não começar. Aos adolescentes deve ser muito esclarecido que começar pelo cigarro eletrônico pode ser um caminho para começar a fumar e depois fica difícil parar”, orienta Álvaro.
**nome fictício
*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira
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