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Vó Flor cuida das crianças enquanto pais trabalham

Bianca Carneiro*
Por Bianca Carneiro*
| Atualizada em
A renda do Vó Flor vem principalmente da doação de grupos filantrópicos, empresas e da aposentadoria da fundadora | Foto: Filipe Augusto | Ag. A TARDE
A renda do Vó Flor vem principalmente da doação de grupos filantrópicos, empresas e da aposentadoria da fundadora | Foto: Filipe Augusto | Ag. A TARDE - Foto: Filipe Augusto | Ag. A TARDE

O dia é sempre corrido na Associação Beneficente Vó Flor. Localizada na Ribeira, em Salvador, a creche comunitária atende, diária e gratuitamente, cerca de 30 crianças, cujos pais são, na maioria, trabalhadores informais do bairro. Do momento da chegada, pela manhã, até irem embora, à noite, os pequenos são cuidados por reduzida equipe de voluntários, responsável por fazer e servir refeições, levar e buscar na escola e garantir lazer e estudo. Tudo começou com dona Florenice Santos Gomes, a Vó Flor.

Foi em 1978 que a aposentada fundou o abrigo, tido como referência na região da Cidade Baixa. Hoje, aos 89, a idosa oferece, além do próprio nome, modelo de solidariedade que perpassou a si mesma e chegou à filha caçula, a professora Soraya Fonseca, 53, atual gestora. “Comecei aos 10 anos ajudando minha mãe. É uma vida de doação, mas não me arrependo. Assim como me preocupo com meus filhos, eu também olho para essas crianças e sinto a necessidade de fazer alguma coisa por elas”, diz Soraya.

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Assistência ampla

As ações da Vó Flor não param no público assistido na creche: a instituição ainda presta assistência a outras 43 crianças da comunidade e doa cestas básicas a idosos de baixa renda. Apesar da confusão criada com a divulgação incorreta em sites de busca, a casa deixou de ser orfanato em 2008: todos que são atendidos lá vão embora no fim do dia, com exceção de seis crianças, que ficam com as mães, por não terem onde morar.

Hoje promotora de vendas, Matilde Gomes, 22, foi uma das quase três mil crianças já criadas no Vó Flor. Apesar de ter se estabelecido financeiramente, ela sempre está por lá, onde, além de atuar como voluntária, deixa o filho de 6 anos: “É muito importante saber que vai trabalhar e o filho estará em um lugar onde é bem tratado”.

A renda do Vó Flor vem principalmente da doação de grupos filantrópicos, empresas e da aposentadoria da fundadora. De todas as dificuldades enfrentadas pela instituição, conseguir dinheiro suficiente para pagar contas de água, luz, telefone, IPTU e aluguel é a pior, segundo Soraya. Como boa parte das doações se concentra em alimentação e roupa, arrecadar recursos nem sempre é possível.

A gestora divulga a “Campanha Doe Amor, Vamos Regar Essa Flor”. A iniciativa pede a contribuição mensal de R$ 30 para quitar boletos e dar início a alguns sonhos, como a criação de aulas de costura, capoeira e música.

* Sob a supervisão do jornalista Luiz Lasserre

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