BAHIA
Carlos Henrique Passos toma posse da FIEB para o quadriênio 2026-2030
Presidente da federação terá agenda com foco em competitividade e defesa do setor produtivo

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) inicia um novo ciclo administrativo nesta quinta-feira, 9. Em cerimônia realizada no auditório do SENAI Cimatec, o empresário Carlos Henrique de Oliveira Passos foi empossado para o mandato do quadriênio 2026-2030.
Reeleito após assumir a liderança em 2023, Passos conduzirá tanto a FIEB quanto o Centro das Indústrias do Estado da Bahia (CIEB) com uma agenda centrada na sustentabilidade e no fortalecimento do ambiente de negócios frente aos desafios globais.
Liderança estratégica e formação profissional
O presidente reeleito destacou o papel transformador das entidades que compõem o Sistema FIEB, como o SENAI Cimatec, o SESI e o IEL. Para Passos, a missão vai além da representatividade institucional, alcançando a base educacional e a qualificação de mão de obra técnica.
“Nós temos não só aqui o Cimatec, que já é uma universidade, concursos de engenharia, de arquitetura, concursos de pós-graduação, especialização, mas também temos o SESI, com o número crescente de escolas. Hoje já temos mais de 12 mil alunos nos cursos de fundamental e ensino médio. O SESI também lidera hoje, junto com outras entidades, o Movimento Bahia pela Educação. Nós temos o IEL tentando fazer a conexão de pessoas com o setor industrial e nós temos a FIEB e o CIEB buscando dar o ambiente de negócios para as indústrias um ambiente de estabilidade, um ambiente de segurança jurídica, um ambiente de defesa de interesses, que é importante para que as empresas possam cuidar da sua produção e ter competitividade de atuar no mercado cada vez mais exigente”, afirmou Carlos Henrique Passos.
Desafios globais e o papel da feira INDEX
O presidente pontuou que o crescimento industrial, impulsionado por áreas como energia renovável e biocombustível, enfrenta obstáculos imprevisíveis, desde o "tarifaço" americano até conflitos no Oriente Médio.
“Atualmente, o ambiente da guerra dos Estados Unidos, Israel versus Irã, que tem criado bloqueios no fornecimento de combustível ou de petróleo para toda a indústria química, e de combustível do mundo como todo, afeta a indústria aqui da Bahia. O setor depende de importação de insumos para poder industrializar ou depende dessas rotas para poder fazer com que seus produtos alcancem novos mercados. Então todas essas variáveis, muitas vezes não previstas e não previsíveis, fazem com que o setor industrial tenha na FIEB um ambiente de busca de encontrar caminhos que possam melhorar sua competitividade”, destaca Carlos.
Como ferramenta de superação, Passos destacou a feira INDEX, que terá sua segunda edição em maio. “Um dos papéis é oferecer a oportunidade para que a indústria da Bahia se apresente à Bahia, aos compradores da Bahia, aos compradores de estados, mas também ao ambiente para fazer debates, temas que são importantes para que a indústria encontre caminhos para sobreviver e crescer”.

Alerta sobre a redução da jornada de trabalho
Sobre a proposta de redução da jornada de trabalho, o presidente da FIEB foi enfático ao alertar para o risco de desequilíbrio econômico e desemprego, comparando a realidade brasileira com a de concorrentes globais como a China.
“A verdadeira dimensão do problema é a redução da jornada semanal. Quando, hoje, a vigente no Brasil é de 44 horas e as propostas chegam até 36 horas. Fazer isso, sem reduzir salários das pessoas, significa dizer que as empresas, para manter seu nível de produção, vão ter que contratar mais pessoas. Mas a produção é a mesma, então qual é a consequência disso? Nós vamos ter produtos mais caros. E esses produtos estão competindo com o quê? Competindo, por exemplo, com produtos feitos na China. A jornada na China é 9,9,6. Entra 9, sai 9, 6 dias por semana. Se nós apurarmos isso dá 48 horas. Como é que nossa indústria aqui pode competir com o país que trabalha mais, que tem mais tecnologia? Nós não vamos poder segurar. Então o que vai acontecer? Vai acontecer uma redução de emprego”, pontuou Carlos.
Reconhecimento institucional
A cerimônia contou com a presença de autoridades que reforçaram a importância da interlocução entre o setor produtivo e o governo. O governador Jerônimo Rodrigues destacou a união da classe política em torno da posse e o papel da FIEB na mudança da matriz de exportação do estado.
“Essa posse significa um reconhecimento da FIEB. O prestígio que a FIEB está tendo é do tamanho que ela merece. Nós precisamos dar esse passo que a FIEB tem ajudado pra gente, que é a gente ter a garantia de não exportar só vento ou luz, mas exportar produtos industrializados. É um desafio, não é a saída de dois, três anos, é a preparação de uma cultura a partir da creche, a partir do fundamental 2, ensino médio, para que a gente possa fortalecer uma indústria brasileira. Eu tenho muito orgulho, muito orgulho, de estar aqui com a classe política, os deputados federais, estaduais, os prefeitos, vereadores, participando dessa posse. A oportunidade que a Federação das Indústrias da Bahia dá a nós essa noite é de garantirmos”, celebra o governador.
O prefeito de Salvador, Bruno Reis, reforçou a importância da capital baiana como hub de tecnologia e inovação através da parceria com a federação.
“A FIEB, a Federação das Indústrias, pela importância que tem como um elo de interlocução entre o poder público e o setor produtivo da nossa cidade, do nosso estado, com os seus diversos segmentos, nós temos firmado diversas parcerias aqui com a prefeitura. Salvador cada dia se destaca mais, deixando de ser uma cidade apenas de um polo de serviços e de turismo, passando a ser hub de tecnologia e inovação. E essa parceria com a FIEB e com a FIEB vai pensar numa cidade desenvolvida se tiver uma indústria forte, robusta e gerando empregos e oportunidades”, disse Bruno.
Por fim, Isabela Suarez, presidente da ACB, celebrou a coesão do setor produtivo baiano.
“A Associação Comercial da Bahia, FIEB, funciona como instituições irmãs. A FIEB faz parte do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia porque reconhece a importância da nossa instituição para a construção da atividade industrial do nosso estado. A gente não pode esquecer que foi na Associação Comercial da Bahia que o Polo Petroquímico foi criado. Então, instituições que se colaboram, que se respeitam. Eu acho que cada vez mais o setor produtivo da Bahia tem demonstrado uma excelente articulação, caminhando junto de forma coesa”, comemora.
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