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Doença misteriosa faz venda de peixe cair na Bahia

Ana Paula santos

Por Ana Paula santos

20/12/2016 - 22:28 h | Atualizada em 21/01/2021 - 0:00

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Nos mercados de Salvador, as vendas caíram
Nos mercados de Salvador, as vendas caíram -

Os dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) sobre o aumento de pessoas infectadas pela doença, que tem como causa suspeita o consumo de pescado, tem impactado de maneira negativa as vendas dos comerciantes do segmento.

Vendedor no tradicional Mercado do Peixe da Feira de Águas de Meninos, na Cidade Baixa, há mais de quarenta anos, Manoel Santos, 69 anos , popularmente conhecido como “Maneca do peixe” fica preocupado com as notícias sobre o assunto.

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“Peixe não faz mal a ninguém”, criticou, enquanto apontava para as mercadorias armazenadas numa caixa de isopor. Ele conta que vendia, em média, 40kg de peixes por dia, entretanto, depois da notícia de que a doença pode ter origem no consumo de 'olho de boi' e 'badejo', peixes de água salgada, há dois dias sente a queda nas vendas. “Só vendi até agora 1kg de lula”, lamentou o peixeiro, que rejeita a ideia de que o peixe pode ser o causador da doença.

No início da manhã desta terça-feira, 20, o mercado de Água de Meninos era abastecido pelos atacadistas, que fornecem peixes de diversos lugares do país, a exemplo, de Itajaí, no Rio Grande do Sul, Belém e Ceará. Para o vendedor Raimundos Santos, 46 anos, que acompanhava a movimentação, o que tem afastado os clientes do local é a falta de informação.

O comerciante acreditaque não é o peixe que causa doença e, sim, a forma como é preparado. “Às vezes, as pessoas deixam o peixe sem refrigeração ou perto de algum local contaminado. Coisas assim mostram que a doença pode ser causada por outros motivos”.

Imagem ilustrativa da imagem Doença misteriosa faz venda de peixe cair na Bahia
| Foto: Editoria de Arte A TARDE

Clientes

No mercado do Rio Vermelho (antiga Ceasinha), os clientes podem escolher diversas opções de peixe. Com viagem marcada para Itacimirim, no litoral da Bahia, a administradora de empresas Claúdia Magalhães, 55 anos, optou por comprar bacalhau.

Ela comentou estar sabendo das notícias a respeito do assunto. “ Não vou consumir “badejo” nem “olho de boi” durante a viagem”, disse. O funcionário público Natan Brito, 58 anos, foi ao mercado comprar peixe para comer na ceia natalina.

Apreciador dos peixes “vermelho” e “robalo”, Brito diz que vai continuar comprando o pescado. “Mas vou evitar o “olho de boi”, diz.

O sócio-proprietário da Peixaria Azul do Mar, Bruno Amaral, 28, informou que a queda nas vendas acontece há uma semana. “É importante que os clientes saibam que o problema não está nos peixes”, alertou. O comerciante também acredita que os peixes são contaminados por causa de armazenamento inadequado.

Órgãos não confirmam boatos
O que circula nas redes sociais, Whatsapp e na internetSecretarias de Saúde do Município e do Estado esclarecem
Peixe: áudios divulgados relacionam a doença com o consumo de peixe. Na mensagem, uma mulher afirma que a amiga recebeu diagnóstico de rabdomiólise (lesão muscular que pode ser causada por fatores físicos, químicos ou biológicos) após ingerir pescado comprado em Guarajuba. Segundo ela, a paciente entregou amostra do alimento ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen)De acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), ainda não há confirmação de que a doença é causada pelo consumo de peixe. Segundo registros da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), das 22 notificações, apenas 14 relataram o consumo de peixe, enquanto oito não se recordam ou não consumiram. O Lacen informou que, até o momento, não coletou quaisquer amostras
Camarão: em outra mensagem, um homem afirma que houve contaminação em uma grande maricultura da capital. Segundo ele, o estabelecimento faz distribuição de pescados a grande parte das peixarias da cidade. Ele atribui tal contaminação a um produto químico que está sendo misturado aos camarões durante a preparação de rações para alimentação de peixesTambém não há indícios de contaminação de camarões, frutos do mar ou crustáceos, segundo a SMS. O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs), órgão vinculado à secretaria, está investigando os prontuários dos pacientes que deram entrada nas unidades de saúde com os mesmos sintomas. Os pacientes também estão sendo entrevistados
Síndrome de Haff: também estão sendo divulgadas mensagens que atribuem os sintomas à Síndrome de Haff, mal causado pelo consumo de peixes de água doce contaminados por vírus ou toxina. Os sintomas são parecidos aos relatados pelos pacientes que deram entrada nos hospitais nos últimos dias: dores na região cervical, braços e dorso, além de urina de coloração escuraA SMS informou que não estão sendo descartadas hipóteses de doenças que apresentem sintomas comuns aos relatados pelas pessoas atendidas. No entanto, não há informações sobre consumo de peixe de água doce pelos pacientes, conforme prevê a Síndrome de Haff. A SMS e a Sesab recomendam que a população deve procurar uma unidade de saúde caso apresente os sintomas de mialgia aguda.

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