BAHIA
Laudo aponta falha mecânica em ônibus que caiu de ribanceira próximo a shopping

O laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) referente à queda de um ônibus da Concessionária Integra OT Trans, na região do Shopping Bela Vista, em Salvador, concluiu que o motorista do veículo não foi o responsável pelo acidente, ocorrido na noite do dia 13 de junho do ano passado. Vinte e sete pessoas ficaram feridas.
O documento aponta ainda que a ausência de dispositivos de proteção contínua na via (defensas, barreiras de concreto e gradis) contribuiu para o acidente. As imagens que mostram o momento em que ônibus cai da ribanceira também foram divulgadas (assista vídeo abaixo).
De acordo com o laudo, ao qual a reportagem teve acesso, uma falha mecânica no sistema de direção fez com que o condutor perdesse o controle do veículo: “a causa determinante do acidente foi a perda de controle de direção por parte do condutor do ônibus, em razão da falha mecânica detectada no sistema de direção, resultando na saída de pista para a direita do seu deslocamento, tendo como causa contribuinte a ausência de dispositivo de contenção de proteção contínua, para conter e redirecionar os veículos desgovernados”, diz um trecho da conclusão do documento.
O laudo reúne informações sobre as perícias realizadas no ônibus, no local do acidente e nas imagens de câmeras. O documento é assinado pelo perito criminal relator Agnaldo Petrônio Gomes Júnior, que esteve no local, e pelo perito criminal revisor Ricardo Ribeiro de Carvalho.
O Laudo de Exame Pericial foi concluído em agosto do ano passado, no entanto o mesmo só foi divulgado nesta quarta-feira, 29, conforme Everton Medrado, advogado das vítimas do acidente.
Processos serão abertos
“Nós temos que indicar que o motorista também é uma vítima no caso. No vídeo, mostra que ele faz o movimento ao volante para a esquerda só que o carro vai para a direita”, afirma o advogado Everton Medrado.
Ele ressalta ainda que a conclusão do laudo aumentou o leque de pessoas jurídicas responsáveis pelo acidente. Ou seja, inclui a prefeitura e a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), uma vez que, mesmo tendo havido o processo de licitação, a responsabilidade de fiscalizar os ônibus é da OT Trans, da Integra, da prefeitura e da Semob.
“O foco agora é mover os processos contra a prefeitura também”, disse Medrado.
Vítimas sem assistência
Até a tarde desta quarta, nenhum representante da OT Trans ou da Integra havia procurado as vítimas para prestar qualquer assistência, segundo o advogado Everton Medrado. Por esse motivo, a maioria delas busca indenização na justiça. É o caso da babá Elma da Silva Sacramento, 59, que passou a andar com dificuldades e a sentir dores por todo o corpo, após o acidente.
“Não recebi nem um telefonema da empresa. Espero que eles tenham consciência e procurem as pessoas para ajudar porque nós somos pobres e não temos condições de pagar os tratamentos”, apelou a babá.
O delegado Luís Henrique, titular da 11ª DT (Tancredo Neves), disse que falará com a imprensa após concluir o inquérito, na semana que vem. “O laudo apresentado está sob análise do nosso departamento jurídico e a empresa vai se pronunciar oportunamente”, afirmou a Concessionária OT Trans, em posicionamento.
Por meio da assessoria de imprensa, a Semob afirmou que não vai se pronunciar porque não foi notificada.
Imgens exclusivas mostram momento do acidente:
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