BAHIA
Protesto em Brumado deixa alunos sem aulas


Um ônibus do programa Caminho da Escola, que atende à prefeitura de Brumado, município a 537 km de Salvador, no sudoeste baiano, foi incendiado na manhã desta terça-feira, 12, no bairro de Baraúnas.
Os principais suspeitos são supostos amigos de quatro homens que foram mortos em confronto com agentes da 34ª Companhia Independente de Polícia Militar (34ª CIPM), no motel Caribe, que fica nas proximidades do anel viário da BR-030, na noite de segunda-feira.
Com o protesto, que não teve feridos, mas que resultou em ameaças de incêndio à escola de tempo integral Ayrton Viana, a população de Baraúnas ficou assustada.
Uma moradora, que prefere não se identificar, afirma que a violência fez com que o colégio suspendesse as aulas por tempo indeterminado. "Eu tive que buscar meu filho às pressas. Apesar de os policiais terem chegado logo e controlado a situação, não sabemos o que vai acontecer nos próximos dias", diz.
Ação policial
Segundo o delegado titular, Romilson Dourado, na noite de segunda-feira, uma guarnição foi até o motel Caribe cumprir dois mandados de busca de Renan Corrêa da Silva, o Xinha, 23 anos, acusado de crimes realizados na região, a exemplo de roubos e tentativas de homicídio.
"A polícia atendeu a uma denúncia anônima, foi recebida a tiros e reagiu. Quatro elementos foram baleados e encaminhados para um hospital da região, mas não sobreviveram", diz Dourado.
No motel estavam Lázaro Matos de Souza, 18 anos, Juvanei Barbosa de Souza, 26 anos, e o menor Jeferson Gustavo Oliveira da Silva, 15 anos, acusado de sequestro. Os homens estavam acompanhados por três mulheres, que foram ouvidas pela polícia e liberadas.
Com os suspeitos, os policiais encontraram maconha, cocaína, três armas de fogo (dois revólveres de calibre 38 e um de calibre 22), além de um veículo, que também foi apreendido. Segundo a moradora, três dos quatro jovens mortos pela polícia - Renan, Jeferson e Juvanei - viviam em Baraúnas e eram conhecidos na região.
Tensão
Os corpos dos homens foram liberados e entregues às famílias na tarde desta terça, por volta das 15 horas. Em choque, parentes dos suspeitos disseram estar surpresos com o que aconteceu. "Estamos todos devastados. Essa é mais uma família destruída", afirmou Lene Coqueiro, prima de Juvanei.
Segundo ela, ninguém sabia do seu envolvimento com o crime. Amigos e parentes informaram que Juvanei realizava serviços como pintor de paredes. "Mas agora é entregar nas mãos de Deus. Ele fará a justiça e mostrará o que realmente aconteceu", frisa.
De acordo com o delegado, Lázaro e Juvanei não tinham passagens pela polícia. Em relação à violência na área, Dourado garante que a segurança foi reforçada.
Em vez de três viaturas fazendo a ronda, como de costume, 10 carros de polícia vão garantir a segurança da população. "Está tudo sob controle. Não há o que a população temer", assinalou o delegado titular.