Queimadas: cidades no Oeste da BA aparecem em ranking nacional

Levantamento foi feito por duas universidades brasileiras em parceria com o INPE

Publicado terça-feira, 29 de março de 2022 às 15:00 h | Atualizado em 29/03/2022, 15:00 | Autor: Da Redação
Conforme estudo, maior parte das ações tem origem humana
Conforme estudo, maior parte das ações tem origem humana -

Um estudo elaborado pelas universidades Federal de Minas Gerais (UFMG) e de Brasília (UnB), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apontou que três municípios da região Oeste da Bahia estão entre os 40 do país que mais sofrem impacto dos incêndios florestais no Brasil: Jaborandi, Formosa do Rio Preto e Cotegipe, localizadas no Cerrado brasileiro.

O levantamento "Determinantes do impacto do fogo nos biomas brasileiros" (tradução livre) foi publicado no site da organização internacional "Frontiers in Forests and Global Change" e investigou as causas dos incêndios nos biomas brasileiros, seus impactos na vegetação nativa e tendências futuras.

O estudo quantifica a influência dos fatores climáticos, uso da terra, desmatamento e vegetação seca, que atua como combustível ao fogo, na ocorrência de incêndios na Amazônia, Pantanal, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.

O documento traz ainda críticas a uma fala da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. Em 2020, durante os incêndios que atingiram fortemente o Pantanal e o Cerrado, a titular da pasta afirmou que e um rebanho bovino maior poderia ter diminuído o impacto dos incêndios no bioma presente no Mato Grosso do Sul, porque comeria o capim nativo ou plantado, impedindo que se transformasse em material altamente combustível.

Porém, o estudo destacou que a presença de gado é um fator estatisticamente associado aos incêndios de grande impacto no Pantanal e no Cerrado.

Principais causas

O levantamento trouxe ainda quais são as principais causas que tem levado a propagação dos incêndios. Entre os motivos estão a produção agropecuária e o uso do fogo para rebrota de pasto, que se iniciam em propriedades privadas, escapando em seguida para as áreas de vegetação nativa das Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Além disso, o principal autor da ação é o ser humano.

“É essencial guiar as políticas públicas com base na ciência. Fica claro que permitir o uso das reservas legais para o pastoreio não irá contribuir para a redução dos grandes incêndios, mas sim degradar ecossistemas frágeis”, diz Raoni Rajão, coator do artigo.

Por último, a pesquisa também mostrou que a vegetação nativa, sobretudo as formações florestais em todos os biomas, está sendo fortemente impactada pelo fogo, perdendo, como resultado, sua capacidade de regeneração devido à recorrência do fogo - nos 20 anos examinados pelo estudo, 45% do Pantanal, 34% do Cerrado e 9% da Amazônia pegaram fogo pelo menos uma vez.

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