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Sem alternativas, população de Lauro de Freitas sofre com congestionamentos

Luan Santos

Por Luan Santos

20/03/2017 - 7:00 h | Atualizada em 20/03/2017 - 7:53

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Cerca de 110 mil veículos passam diariamente pela região
Cerca de 110 mil veículos passam diariamente pela região -

Morador de Lauro de Freitas há 40 anos, o taxista Vladimir Magno, 55 anos, conta que, na adolescência, sentava com os amigos na praça e "contava nos dedos" os carros que passavam pela rua.

Hoje, a situação é bem diferente: "A cidade cresceu sem planejamento e já não há espaço para os carros. Há congestionamentos em praticamente todos os pontos. Lauro de Freitas não tem mobilidade", afirma.

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O relato de Magno ilustra um problema enfrentado diariamente pela população do município: o trânsito caótico. E se engana quem pensa que os problemas da mobilidade de Lauro se resumem à avenida Santos Dumont (BA-099, também conhecida como Estrada do Coco).

Além deste, outros três pontos são considerados críticos: a avenida Luiz Tarquínio (paralela à Estrada do Coco), a região de Vilas do Atlântico (por conta da concentração de escolas) e o Centro da cidade. Na Estrada do Coco, inclusive, a situação piorou com a inauguração de uma loja da rede atacadista Assaí, segundo queixas de moradores ouvidos por A TARDE.

A prefeitura, por sua vez, acredita que a chegada do metrô ao aeroporto (no final deste ano) e a inauguração da Via Metropolitana (no segundo semestre de 2017) irão ajudar a melhorar a fluidez do tráfego no município. Informou também que está adotando medidas para solucionar os problemas.

Relatos

Motoristas ouvidos por A TARDE dizem que a falta de ordenamento no trânsito e a ausência de vias suficientes são os principais causadores dos congestionamentos. Além disso, eles reclamam da falta de vias alternativas para evitar as avenidas Santos Dumont e Luiz Tarquínio, que estão sobrecarregadas.

Na última quarta-feira, no Centro, o autônomo Miranda Nunes, 50, tentava, sem sucesso, encontrar vaga para estacionar. "O trânsito só piora. As mudanças feitas pela prefeitura não dão certo e a cidade está ficando intrafegável", reclama.

Também no Centro, a secretária escolar Erenita Alfano, 40, diz que falta controle nas vagas de estacionamento. "Aqui as pessoas estacionam em qualquer lugar. Em ruas estreitas, há carros estacionados em qualquer lugar, mesmo com placas de proibição, mas ninguém fiscaliza", diz.

Além de ouvir moradores de Lauro, A TARDE passou por diversas vias consideradas problemáticas. Na Estrada do Coco, um dos problemas identificados foi que diversos micro-ônibus ficam parados nos pontos de ônibus mais tempo do que o necessário para embarcar e desembarcar passageiros.

Com isso, os ônibus acabam tendo dificuldades para parar nos pontos, o que provoca retenções. Já em Vilas do Atântico, as escolas e condomínios fazem com que haja grande circulação de veículos. Nos horários de pico, com a entrada e saída dos alunos das escolas, o entorno fica congestionado.

Já a avenida Luiz Tarquínio tem grande fluxo de veículos, em especial nos horários de pico. No Centro, , a falta de vagas de estacionamento e o grande fluxo de ônibus faz com que o tráfego fique lento.

"Não acredito em projetos para melhorar o trânsito. Outros já foram feitos e não deram certo, simplesmente porque a cidade não tem mais área física", afirma o taxista Vladimir Magno.

Planejamento urbano

Para Antônio José de Azevedo, mestre em desenvolvimento regional e urbano, o professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a mobilidade de Lauro de Freitas está comprometida porque não há planejamento que vise a integração com Salvador, Simões Filho e Camaçari.

"A função da cidade como dormitório e área de lazer provocou um 'inchaço', por conta também dos conjuntos habitacionais, e não tem vias alternativas de acesso", diz ele, que também é especialista em trânsito e transporte.

Ele lembra também que a Estrada do Coco, que corta o município, é via de acesso ao polo de Camaçari e à região turística do Litoral Norte. "A geografia não ajuda. Não há espaços para fazer contornos, avenidas, novas vias. Os terrenos são caríssimos, e as indenizações seriam altíssimas", pontua.

Azevedo acredita que o metrô e a Via Metropolitana vão amenizar os problemas, mas não solucioná-los. "É preciso usar a lei de uso do solo para ordenar o tráfego e planejar vias de acesso e viadutos, nos pontos estratégicos", frisa.

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