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Fascismo: você sabe o que é? Conheça a origem do termo e o que representa

Raphael Santana
Por Raphael Santana
| Atualizada em
O fascismo chegou ao Brasil na década de 1930, no governo do presidente Getúlio Vargas | Foto: Nelson Almeida | AFP
O fascismo chegou ao Brasil na década de 1930, no governo do presidente Getúlio Vargas | Foto: Nelson Almeida | AFP - Foto: Nelson Almeida | AFP

O fascismo tem sua origem na Itália, na década de 1920, quando o país europeu enfrentava uma grave crise econômica pós-Primeira Guerra Mundial, com quedas nas produções industrial e agrícola, aumento do desemprego e alta da inflação. É neste cenário que surgem políticos com um discurso inflamado, com a capacidade de falar o que o povo queria ouvir e solucionar problemas complexos das mais diversas naturezas.

Neste contexto, surge a figura do líder Benito Mussolini, que criou o Partido Nacional Fascista, de extrema direita, e chegou ao poder em 1922 com a chamada Marcha para Roma. A Itália, então, mergulhou em um regime político totalitário, cuja ideologia é autoritária, racial e nacionalista. Em 1943, Mussolini recebe o apoio dos nazistas e é obrigado a fugir para o norte da Itália, onde criou a República Social Italiana. Ele governou até 1945.

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Imagem ilustrativa da imagem Fascismo: você sabe o que é? Conheça a origem do termo e o que representa
Foto: Reprodução
Benito Mussolini e Adolf Hitler | Foto: Reprodução

Muita gente confunde nazismo e fascismo, uma vez que os dois regimes políticos tinham características semelhantes, como o autoritarismo e a violência. O Nazismo, que bebeu da fonte do fascismo, surgiu na Alemanha no início da década de 1930, sob a liderança de Adolf Hitler, e tinha como bandeira o nacionalismo exacerbado, o totalitarismo e a superioridade da raça ariana. O período de 1933 a 1945, dominado pelo nazismo, foi marcado pelo Holocausto e perseguição aos judeus.

Fascismo no Brasil

A ideologia fascista ultrapassou fronteiras e se expandiu, inclusive, até a América Latina. Desembarca no Brasil na década de 1930, com o presidente Getúlio Vargas, marcado pelo fascismo, com a associação ao símbolos nacionais, fechamento do legislativo e suspensão das eleições presidenciais, e anticomunismo. Trata-se do período mais autoritário e ditatorial da Era Vargas. O tom populista de Vargas é atribuído a ele no fim do Estado Novo, entre 1951 e 1954, no processo de redemocratização.

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Foto: Reprodução
Ex-presidente Getúlio Vargas (sentado, ao centro) | Foto: Reprodução

De acordo com o historiador Cleiton Mesquita, o fascismo no Brasil se desenvolveu neste período, com ligações de Vargas a células fascistas. “Uma das agremiações foi o integralismo. Eles eram conhecidos como camisas verdes. Este grupo compartilhava uniformes e defendia a supremacia racial. Por isso, apoiavam Vargas”, justifica.

Para o professor, o que faz as pessoas remeterem o governo ao fascismo está relacionado às necessidades do país. “Eles surfam a onda da necessidade do momento, como a crise da segurança pública. A única forma que um governo autoritário tem para asfixiar as instituições democráticas é destruindo elas, usando da violência institucional”, analisa.

Bolsonaro é fascista?

Segundo Cleiton Mesquita, não. Segundo ele, o governo do Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), tem apenas características que se assemelham ao fascismo.

“O atual governo não possui todas as prerrogativas de um governo fascista. O que vejo de fascista no presidente é que ele é antidemocrático, desqualifica as instituições e a imprensa. Se fosse fascista, de fato, ele teria o controle da mídia e já fechado o Congresso Nacional”, explica.

Durante a live pelo projeto A TARDE Conecta, nesta terça-feira, 9, a historiadora Carolina Ledoux citou algumas características do fascismo. “Existe uma narrativa publicitária ideológica. Associa os símbolos nacionais ao governo. Se alguém faz críticas à figura do presidente, ela está contra o país”,

Segundo a historiadora, a estratégia de comunicação é a mesma usada pelo presidente norte-americano Donald Trump, de avaliar a repercussão de suas decisões de medidas nas redes sociais. “Estas figuras usam perfis pessoais para sentir o posicionamento político das pessoas. Se uma determinada medida é mal avaliada, no geral, pela população, eles voltam atrás. Eles usam as redes pessoais para desqualificar alguma narrativa da mídia que não os interesse”, avalia Carolina Ledoux.

O cientista político e professor Cláudio André de Souza, segue a mesma linha. “O governo do presidente Bolsonaro defende um projeto de poder autoritário de Estado e sociedade imbuído na centralidade de poder sob a figura populista. Além disso, o governo foi montado por ‘olavistas’ que entendem a necessidade de deslegitimar a sociedade civil, seja no terreno da cultura, da ciência ou dos movimentos sociais”. Ele conclui dizendo que a ideia fascista está presente neste governo na proposta de que “existe uma superioridade ética que deve ser feita, inclusive, com o uso da força”.

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