Ibama deixou vencer multa ambiental de R$ 42 milhões de bolsonarista

Governo cometeu seguidos erros de procedimento até que a multa prescreveu

Publicado quinta-feira, 14 de julho de 2022 às 10:50 h | Atualizado em 14/07/2022, 10:50 | Autor: Da Redação
Dono de fazenda é Tiago Junqueira
Dono de fazenda é Tiago Junqueira -

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deixou prescrever multa ambiental de R$ 42,4 milhões da empresa Firma Real, do empresário Tiago Junqueira reconhecido no Palácio do Planato por ser um apoiador fervoroso do presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são da coluna de Guilherme Amado, no portal Metrópoles. 

Em 2018, Junqueira foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por propaganda irregular depois de circular com o “mitomóvel”, um carro totalmente estilizado para pregar voto no então candidato do PSL.

A multa que Junqueira não pagou é a que gerou maior prejuízo aos cofres públicos, representando 12% do total de R$ 355,4 milhões das autuações que prescreveram na atual administração. A multa da sua empresa aconteceu através da Fazenda Chapada Grande, em Regeneração (PI), de sua propriedade. 

A prescrição do valor é tão incomum, que a segunda maior multa vencida foi de R$ 16,6 milhões, diferença de 60%.

A multa recebida por Junqueira aconteceu em 2005, no valor original de R$ 14,1 milhões, após a sua fazenda receber 898 toneladas de madeira sem licença ambiental. Em 2012, com o avançar do processo, o valor da multa triplicou: passou para R$ 42,4 milhões. A Fazenda Chapada Grande apresentou recurso, que foi negado em 2017. 

Então, por conta de uma série de erros técnicos do governo, que chegou a enviar a notificação para outra pessoa. O Ibama também entrou em contradição quanto a data de validade da multa. 

Além de Bolsonaro, Junqueira mostra ser próximo de outra autoridade do Planalto: o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, eleito senador pelo Piauí. Além disso, a a Fazenda Chapada Grande tem como slogan em seu site o lema “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, o mesmo usado por Bolsonaro em 2018. 

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