Sem divulgar dados, Butantan diz que Coronavac tem eficácia para solicitar uso emergencial

Publicado quarta-feira, 23 de dezembro de 2020 às 17:02 h | Atualizado em 23/12/2020, 20:25 | Autor: Rodrigo Aguiar

Os dados de eficácia da Coronavac poderão ser conhecidos nas próximas duas semanas, afirmou nesta quarta-feira, 23, em coletiva, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, sobre o imunizante contra a Covid-19 desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac. A expectativa inicial era de que a eficácia fosse divulgada na ocasião.

A segurança e eficácia já são suficientes para pedir registro de uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anivsa), de acordo com Covas. Antes disso, no entanto, os dados serão avaliados pelos chineses.

"Atingimos o limiar da eficácia, que permite o processo de solicitação de uso emergencial, seja aqui no Brasil ou na China. Temos contrato com a Sinovac que especifica que o anúncio desse número precisa ser feito em conjunto", justificou Covas.

O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, reforçou que a taxa de eficácia superou o valor mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 50%.

Segundo o diretor do Butantan, o laboratório solicitou a transferência da base de dados, para fazer uma análise e apresentá-los à agência reguladora chinesa, a NMPA. "Solicitaram 15 dias para que essa análise aconteça, isso está no contrato. Vamos respeitar essa data, mas acreditamos que será adiantada", avaliou.

Gorinchteyn disse que a eficácia da vacina calculada pelo estudo do Butantan foi diferente da verificada em outros países nos quais o imunizante está em uso. Essa discrepância nos dados seria o motivo para adiar a divulgação da taxa de eficácia.

“Eles [Sinovac] entenderam que o fato de nós termos eficácia superior a isso [que é recomendado pela OMS], porém diferente de outros países em que essa vacina está em uso, merece uma reavaliação”, acrescentou o secretário.

Segurança

Covas afirmou que, após testes com 13 mil voluntários, os estudos apontam que a Coronavac seria a mais segura das vacinas entre aquelas atualmente em testes. "Excelente perfil de segurança. Uma frequência muito baixa de manifestações adversas leves, a mais presente foi dor no local da injeção", relatou.

Apesar da não divulgação da eficácia da vacina nesta quarta, o diretor disse que permanece inalterado o ritmo do programa de desenvolvimento do imunizante pelo instituto, ligado ao governo de São Paulo. O início da vacinação em São Paulo será no dia 25 de janeiro, anunciou o governador João Doria.

De acordo com Covas, serão recebidas hoje, no aeroporto de Viracopos, em Campinas, 5,5 milhões de doses, das quais 3,4 milhões para serem produzidas e 2,1 milhões já "acabadas". Na próxima semana, completou, serão mais 2 milhões de doses.

Entre os países que negociam com o Butantan a compra da vacina, estão Uruguai, Peru, Equador e Honduras. O contrato mais adiantado é com a Argentina.

Certificação

Na última segunda-feira, 21, a Anvisa publicou a certificação de Boas Práticas de Fabricação para a fábrica da vacina da Coronavac. A autorização foi publicada 10 dias antes da previsão inicial do órgão.

Uma equipe da Anvisa esteve na China entre os dias 30 de novembro e 4 de dezembro para inspecionar a produção do imunizante e teve reuniões com os executivos da Sinovac.

Válido por dois anos, o certificado é um dos pré-requisitos tanto para o processo de registro da vacina no Brasil, quanto para um eventual pedido de autorização para uso emergencial.

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