BRASIL
Universidade Indígena: entenda como será a nova instituição
MEC prevê atendimento a 2,8 mil estudantes nos primeiros anos


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quinta-feira, 28, a lei que cria a primeira Universidade Federal Indígena do Brasil (Unind). A instituição terá sede em Brasília e será voltada à formação acadêmica de povos indígenas, com foco em valorização cultural, autonomia e preservação de saberes tradicionais.
O anúncio foi feito pelo Ministério da Educação, que informou que a universidade funcionará inicialmente no antigo prédio da Universidade dos Correios, localizado no Setor de Clubes Esportivo Norte, na capital federal.
Universidade poderá ter unidades em outras regiões
Apesar de a sede principal estar em Brasília, a proposta prevê expansão para outras regiões do país. Segundo o MEC, a criação de unidades descentralizadas busca atender às especificidades culturais, territoriais e linguísticas dos diferentes povos indígenas brasileiros.
De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Educação, Leonardo Barchini, a inauguração da sede está prevista para ocorrer entre os dias 15 e 19 de junho.
A expectativa é que a instituição inicie as atividades com dez cursos de graduação e atenda cerca de 2,8 mil estudantes nos primeiros quatro anos de funcionamento.
Cursos terão foco em autonomia e sustentabilidade
A proposta pedagógica da Unind será baseada em um modelo educacional voltado ao fortalecimento das identidades indígenas e à integração entre conhecimento acadêmico e saberes ancestrais.
Entre os cursos previstos estão áreas ligadas à gestão territorial, sustentabilidade, saúde, educação e tecnologias.
Confira os cursos anunciados:
- Gestão ambiental e territorial;
- Gestão de políticas públicas;
- Sustentabilidade socioambiental;
- Promoção das línguas indígenas;
- Saúde;
- Direito;
- Agroecologia;
- Engenharias e tecnologias;
- Formação de professores;
- Áreas estratégicas para autonomia profissional.
Seleção terá participação das comunidades indígenas
A legislação sancionada autoriza que a universidade desenvolva processos seletivos próprios para ingresso de estudantes. O modelo deverá ser construído com participação das comunidades indígenas e considerar as diversidades culturais e linguísticas dos povos atendidos.
O quadro funcional da universidade ainda será regulamentado por legislação específica. Segundo o MEC, a instituição deverá contar com 366 docentes e 383 técnicos administrativos.
As contratações serão feitas por concurso público, com previsão de reserva mínima de vagas para candidatos indígenas.
Projeto amplia políticas de inclusão no ensino superior
A criação da Unind representa um avanço nas políticas públicas voltadas à inclusão de povos indígenas no ensino superior brasileiro. A proposta também busca ampliar a presença indígena em áreas estratégicas de pesquisa, gestão pública e desenvolvimento sustentável.
Além da formação acadêmica, a universidade pretende funcionar como espaço de preservação cultural, fortalecimento linguístico e produção de conhecimento voltado às demandas dos territórios indígenas em diferentes regiões do país.