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Zara criou código para "alertar" entrada de negros em loja, diz polícia do Ceará

Publicado às | Atualizado em 20/10/2021, 14:11 | Autor: Da Redação
Delegada Ana Paula Barroso registrou B.O. após ser impedida de entrar em estabelecimento | Foto: Divulgação | PC
Delegada Ana Paula Barroso registrou B.O. após ser impedida de entrar em estabelecimento | Foto: Divulgação | PC -
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Uma loja Zara do Shopping Iguatemi, em Fortaleza (CE), criou um código secreto para alertar funcionários sobre a entrada de pessoas negras ou com "roupas simples" no estabelecimento, segundo investigação da Polícia Civil. O "alerta" era feito pelo sistema de som da loja, com código "Zara zerou".

"Testemunhas que trabalharam no local alegam que eram orientadas a identificar essas pessoas com estereótipos fora do padrão da loja. A partir dali, ela era tratada como uma pessoa nociva, que deveria ser acompanhada de perto. Isso geralmente ocorria com pessoas com roupas mais simplórias e 'pessoas de cor'", disse o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Sérgio Pereira, que classificou o procedimento "absurdo" e "inaceitável."

"Esse código era o 'Zara zerou', que foi descoberto durante a investigação. Ele orienta para que exista uma abordagem dentro da loja quando chega alguém 'diferente', digamos assim, sem o perfil do consumidor da Zara. É como se aquela pessoa deixasse de ser uma consumidora e se tornasse suspeita", relatou a delegada Arlete Silveira, diretora do Departamento de Defesa de Grupos Vulneráveis.

A investigação foi iniciada a partir do caso da delegada Ana Paula Barroso, que registrou um boletim de ocorrência por racismo após ser impedida de entrar na loja na noite do dia 14 de setembro. Na ocasião, a proibição foi justificada como uma "questão de segurança" do shopping.

Conforme a polícia, quem a expulsou foi o português Bruno Simões, gerente do estabelecimento, que foi indiciado pelo crime de racismo.

Entidades do movimento negro entraram na Justiça contra a rede de lojas, com um pedido de R$ 40 milhões de indenização por dano moral coletivo.

Uma segunda investigação sobre racismo foi aberta depois de uma denúncia semelhante de outra cliente da Zara. O episódio ainda está em fase de apuração.

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