CADERNO 2
Danilo Caymmi e Claudio Nucci renovam parceria de 40 anos em show
Apresentação ocorre na sexta e no sábado, no Estação Rubi

De um lado, o vozeirão grave e poderoso de Danilo Caymmi. Do outro, a voz melódica e gentil de Claudio Nucci. Somados, quase um século de carreira e experiência no tortuoso universo da Música Popular Brasileira. É essa combinação potente que os soteropolitanos podem conferir, hoje e amanhã, no show Andança, apresentado pela dupla de artistas na Estação Rubi, casa de shows do Wish Hotel da Bahia, no Campo Grande.
Novo destaque da temporada musical do espaço, o show Andança representa a renovação de uma parceria que, entre idas e vindas, já se estende há mais de 40 anos. Danilo e Claudio começaram a colaborar nas composições nos anos 80 e têm se apresentado juntos com alguma frequência desde então, numa franca demonstração de afinidade artística e pessoal.
"A afinidade musical entre o Danilo e eu surgiu há muito tempo", afirma Claudio. "Ele é um cara que tem na verve dele um componente intuitivo que o pai dele tinha, que o Dorival Caymmi tinha. Cantor, compositor, violonista e flautista, ele tem essa naturalidade e esse talento. E eu me identifico muito com isso porque eu também venho da escola intuitiva da música, de tal forma que, quando a gente se junta para fazer música, eu sinto que posso mudar a proposta harmônica e ele vai prestar atenção e vai entrar. Quase como se fosse um jazz", conta o músico.
No repertório do show, misturam-se novas composições da dupla com sucessos da carreira dos dois cantores e compositores.
Estão garantidas canções a exemplo da titular Andança, Sapato Velho, Casaco Marrom, Quero Quero e Toada, êxito do Boca Livre, grupo cofundado por Claudio Nucci em 1978.
Além disso, o público da Estação Rubi também pode esperar novas versões de clássicos de Dorival Caymmi, como Marina, Samba da Minha Terra, Maracangalha e O Que É Que a Baiana Tem?, entre outros.
Você já veio à Bahia?
Mais um retorno a Salvador tem, claro, significado especial para Danilo Caymmi. O músico, carioca de nascimento e atualmente residente em Curitiba (PR), tem ligação profunda com a capital baiana por conta da família e carreira – e conta que, a cada nova visita à cidade, vem acompanhado de um turbilhão de memórias e sensações.
"É sempre bom [voltar a Salvador] porque a Bahia me lembra meu pai falando, aquele imaginário todo, e sempre que eu volto me chama a atenção o cheiro do sargaço, o cheiro do mar, o cheiro das frutas, essas coisas que ele falava, tanto pessoalmente mas através das músicas também", revela.
"Eu tive a oportunidade de acompanhá-lo na última vez que ele esteve em Salvador, ele já enxergava muito mal mas o bacana é que ele sentiu o cheiro das coisas, ele sentiu o cheiro da terra dele. Isso foi muito importante", relembra.
A reverência ao talento de Dorival se faz presente em todos os momentos do show, mas isso não significa que Danilo e Claudio reproduzam ipsis literis as composições do lendário músico baiano.
"Só Louco, por exemplo, é uma música meio puxada para o bolero, no original, mas que eu faço ela rasqueada, como se fosse quase um pop", conta Claudio.
"São músicas que a gente veio descobrindo formas diferentes de tocar. Vatapá eu peguei uma batida de chula baiana, que Moraes Moreira usou lá em Brasil Pandeiro, muito próxima à batida de Gil no Expresso 2222, e eu saquei que Vatapá tinha essa pegada, esse picadinho do violão", acrescenta o cantor.
As apresentações de Andança acontecerão hoje e amanhã a partir das 20h30, na Estação Rubi do Wish Hotel da Bahia. O couvert artístico sai por R$ 100, e as vendas ocorrem na bilheteria da casa de shows — terça a quinta-feira das 13h às 19h, sexta e sábado das 13h às 20h30 — ou por meio do WhatsApp: (71) 9922-4545 ou (71) 9692-4546.
*Sob a supervisão do editor Chico Castro Jr.
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