TRADIÇÃO
Osba faz São João Sinfônico na Sala Principal do Teatro Castro Alves
Apresentação terá participações de Amelinha, Aiace e Marcelo Caldi


A velha história de que a palavra "forró" teria sido originada do inglês "for all" ("para todos") já foi desmontada por linguistas e historiadores há bastante tempo. Se depender da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), entretanto, o ritmo nordestino por excelência continuará sendo para todos e todas, mesmo dentro da Sala Principal do Teatro Castro Alves – que é onde a companhia apresenta, hoje, a mais nova edição do já tradicional São João Sinfônico.
Retornando ao formato presencial após dois anos de apresentações virtuais, a comemoração das festas juninas "à moda da Osba" tem, este ano, um rol estrelado de participações especiais: o destaque fica para a cantora Amelinha, uma das integrantes do chamado Pessoal do Ceará e responsável por dezenas de sucessos desde os anos 1970. Também subirão ao palco a baiana Aiace, da banda Sertanília, e o sanfoneiro, cantor e arranjador musical Marcelo Caldi.
A mistura de estilos e influências é notável — e motivo de comemoração para o maestro Carlos Prazeres, diretor artístico da Osba.
"Justamente essa conjunção de estilos é que faz o Brasil ser um dos países mais culturalmente ricos do mundo", afirma Prazeres, carioca que já caminha para o seu 11º ano no comando da orquestra e recebeu, em 2015, o título de cidadão baiano honorário. "A Osba recebe com muita alegria essa mistura toda. O desafio de torná-la palatável para o público é um desafio delicioso, e eu tenho a certeza que a orquestra vai cumpri-lo com louvor".
O forró no centro
Mesmo com a confluência de gêneros e estilos, o forró segue no centro do São João Sinfônico. Nesta edição, a expectativa é de um repertório cheio de clássicos da tradição junina, com destaque para composições de Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil e muitos outros artistas nordestinos.
A obra de Amelinha, naturalmente, também estará entre os destaques apresentados pela Osba e pela própria cantora cearense. A intérprete de sucessos como Frevo Mulher lançou, este ano, o mais novo álbum, intitulado Todo Mundo Vai Saber, com produção do guitarrista e arranjador Robertinho do Recife. Ela adianta que o show será, nas palavras da intérprete , “maravilhoso” — e destaca a paixão, vinda desde a infância, pela arte das orquestras.
"É uma grande alegria estar mais uma vez no Teatro Castro Alves. Um luxo! Com uma orquestra, então, que emoldura todo esse acontecimento, é emocionante, eu acho lindo". diz Amelinha.
"Eu sou uma apaixonada por orquestras. Desde o meu primeiro vinil, eu fui surpreendida por um arranjo maravilhoso do [maestro e arranjador] Leo Peracchi", afirma a cantora referindo-se a Agonia, faixa de encerramento do álbum Flor da Paisagem, de 1977.
"Agora, me encanta participar deste momento magnífico com a Osba — aliás, eu estou vendo um novo movimento de orquestras e cantores no Brasil. Amei esse projeto, e certamente muito mais pessoas vão amar", conclui Amelinha.
Quem também está contando os dias para o São João Sinfônico é a cantora e compositora baiana Aiace, que também se apresentará no concerto. Atualmente produzindo o seu segundo álbum de estúdio, intitulado Eu Andava Como Se Fosse Voar e previsto para este ano, Aiace diz estar honrada pelo convite da orquestra baiana.
"Há muito tempo nutria esse sonho particular de um dia poder cantar com a orquestra. Então, significa muito poder realizar essa parceria, agora presencialmente, em um dos palcos mais importantes do Brasil, que é o Teatro Castro Alves", conta a cantora. "Por aqui, eu já estou em festa e super ansiosa para o dia 15. O repertório que faremos está repleto de canções que bordam as nossas memórias afetivas desse período tão importante para o fortalecimento da nossa identidade e costumes nordestinos, que é o período junino."
O calor da plateia
Para além das homenagens juninas, a Osba também está esquentando os motores para um outro aspecto específico: o retorno do público ao São João Sinfônico, após dois anos de edições realizadas virtualmente por conta da pandemia. "É uma grande alegria encontrar presencialmente o nosso público numa das festas mais características da Bahia e do Nordeste como um todo", afirma Carlos Prazeres.
Questionado sobre as diferenças entre reger uma orquestra virtual e presencialmente, o maestro é enfático em apontar que as experiências são bastante distintas: "É muito bom a gente sentir o aconchego da plateia e tocar presencialmente para ela. Isso, nenhuma tecnologia vai nos dar. As apresentações com a presença do nosso público são maravilhosas e fundamentais para essa magia que só acontece no dia do concerto. O concerto tem uma emoção especial".
A sexta edição do São João Sinfônico da Orquestra Sinfônica da Bahia tem um grande público garantido: os ingressos já estão esgotados.
*Sob a supervisão do editor Chico Castro Jr.