CIRCUITO DODÔ
Audiência pública discute impactos do Carnaval no Circuito Dodô
Moradores e autoridades debatem no Clube Espanhol os limites do Circuito Dodô e o impacto do Carnaval na vida de quem mora na Barra

O que acontece quando a maior festa de rua do planeta transborda os limites físicos e sociais de um bairro residencial? Este foi o tom da audiência pública realizada na noite desta quinta-feira, 16, no clube Espanhol, que reuniu moradores, vereadores e órgãos de fiscalização para discutir os impactos do Circuito Dodô (Barra-Ondina).
Tem hora da festa e tem hora do silêncio. O circuito foi crescendo e hoje há dias que precisa ser fechado porque não suporta tanta gente
O encontro, proposto pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), buscou caminhos para o que muitos chamam de "crise de convivência" entre o lucro do entretenimento e o direito ao sossego.
Moradores entre a tradição e o sufocamento
Para a Associação de Moradores e Amigos da Barra (AMABARRA), o problema central não é a existência do Carnaval, mas a escala que ele tomou. O presidente da associação, Waltson Campos, foi enfático ao separar a tradição do modelo de negócio atual:
"A associação de moradores já vem buscando há muitos anos encontrar esse equilíbrio. Nós não somos contra o carnaval, nós somos contra esse modelo que se agigantou no bairro. É nítido que grupos interessados lucram muito, mas esquecem o bairro e os moradores. Não há justiça nisso", enfatiza Campos.
Ele defendeu a necessidade de um "estudo de carga" técnico para avaliar a capacidade da orla e sugeriu uma revisão das estruturas:
"Ninguém quer tirar o carnaval da Barra. Queremos um carnaval mais sustentável, de tradição, pé no chão. Esses grandes trios e estruturas precisam se adequar. Talvez em um novo circuito que comporte esse modelo."
O direito ao descanso e a "privatização" da Orla

A vereadora Aladilce Souza destacou que a Barra, ao contrário de circuitos comerciais como o Campo Grande, possui uma população predominantemente idosa que se sente expulsa de casa pela festa, que hoje se estende por quase 24 horas devido aos palcos fixos.
"Tem hora da festa e tem hora do silêncio. O circuito foi crescendo e hoje há dias que precisa ser fechado porque não suporta tanta gente. O morador reclama que não consegue dormir; quando os trios param, entra um som pesado em palcos enormes."
Aladilce também trouxe críticas à ocupação de espaços públicos por grandes empresas.
"Tem o Camarote Salvador, especificamente, que ocupa uma área e fecha a praia onde as crianças estão de férias. O Farol da Barra às vezes fica coberto por propagandas, como a da Coca-Cola. Precisamos de uma atitude diferente."
Composição da mesa de audiência

Estiveram presentes representantes da Sedur, Semop, Secult, Guarda Municipal e da 11ª CIPM.
O Ministério Público, através do promotor Artur de Almeida, acompanhou os relatos sobre danos às áreas verdes e a precariedade de alguns serviços públicos durante a festa.
O objetivo agora é transformar o manifesto dos moradores em diretrizes reais de ordenamento urbano, poluição sonora e mobilidade.
O futuro: entre a alegria e o IPTU
O debate deixou claro que o morador da Barra não sofre apenas em fevereiro. A "vocação para o evento" transformou o bairro em palco permanente de corridas e paradas, o que gera um desgaste contínuo na infraestrutura.
Como resumiu Aladilce: "Se o carnaval é importante para a economia, tem que ser feito observando o direito de quem paga IPTU e vive ali o ano todo."
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