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CARNAVAL 2014

Pelô terá show em homenagem às rainhas do rádio

Roberto Pires
Por Roberto Pires

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“Ah, meu leque...”, choraminga Divina Valéria ao chegar à entrevista, lamentando ter deixado o leque espanhol de que tanto gosta no banco do táxi. O objeto é sua marca registrada e indispensável no calor da Bahia. Poucos minutos depois, já vestida – e perfumada – para a sessão de fotos, ela parece ter esquecido a perda do objeto querido e cantarola: “Tu me mandastes embora, eu irei”, imitando Ângela Maria, a Sapoti.



A música é uma das 15 que estão no repertório do espetáculo Rainhas do Rádio, no qual a estrela faz homenagem aos “gogós de ouro”, em especial Emilinha Borba, de quem era amiga pessoal.



O show estréia esta segunda, 6, às 20 horas, na Pça. Pedro Arcanjo (Pelourinho), e se estende pelas segundas-feiras deste mês, com entrada gratuita. A tranformista Divina Valéria estará acompanhada do tecladista Eder Oliveira e encerrará as apresentações com um animado pot-pourri de canções carnavalescas.



Emilinha é a figura catalisadora do tributo às coroadas cantoras do rádio, sucesso absoluto nas décadas de 1940 a 1960, responsáveis por lançar as marchinhas de Carnaval que, a cada ano, disputavam a preferência dos foliões.



Cantoras do naipe de Ângela Maria, Marlene e Dalva de Oliveira, dentre outras, soltavam o vozeirão na Rádio Nacional (uma espécie de Rede Globo da época, tamanho era o poderio da emissora) e nos concorridos shows do Cassino da Urca. A idéia de escolher uma rainha surgiu no final da década de 30 e, a partir de 1953, a Revista do Rádio passou a realizar eleições estaduais, que nessa época escolhia também o rei.



ESTRELA BAIANA – A Rainha do Rádio da Bahia, Clélia Matos, escolhida em 1958, receberá menção especial de Valéria no meio do espetáculo, ao qual a homenageada prometeu estar presente na platéia. A show woman começará cantando sucessos das irmãs Linda e Dircinha Batista.



Algumas rainhas serão apenas citadas de improviso, visto que ela conhece em profundidade a história dessas estrelas. “Não preciso de um texto armado, se eu vivi tudo isso”, diz.



Dalva de Oliveira será lembrada com as músicas Que Será e Dez Anos e Marlene ganha reinterpretação na esfuziante Lata D’Água na Cabeça. Da Sapoti, ela escolheu Orgulho. E de Emilinha, 11 vezes campeã do Carnaval, cantará Chiquita Bacana, Tomara que Chova, Com Jeito Vai, Mulata Bossa Nova, Lambretinha e a caliente Escandalosa (Um dia/ Uma vez lá em Cuba/ Dançando uma rumba/ Disseram que eu era/ Escandalosa).



“Ela era a rainha de todas, uma pessoa de imenso carisma, não tinha como não adorá-la. Estava além do lado artístico, a personalidade dela conquistava todos que a conhecessem”, derrama-se Valéria em elogios.



Conhecida como a Favorita da Marinha, Emilinha Borba – nascida Emília Savana da Silva Rocha, no Rio de Janeiro – morreu aos 82 anos, no dia 3 de outubro de 2005, vítima de enfarto. Em junho do mesmo ano, a cantora havia caído de uma escada e sofreu traumatismo craniano e hemorragia intracerebral.



Ficou célebre a rivalidade entre ela e Marlene, a Favorita da Aeronáutica, iniciada na eleição da Rainha do Rádio de 1949, quando Marlene saiu vitoriosa de maneira questionável.



ANOS DOURADOS – Elegante no vestido sinuoso, em tonalidade fúcsia, Valéria faz questão de posar com a faixa de Rainha do Rádio confeccionada por Rui Benfica, presidente do fã-clube baiano de Emilinha. Entre caras e bocas, ela encara os flashes no sofisticado ambiente da Maison Júlio César Habib, que lembra o fausto da época de ouro do rádio, os anos 50.



“Eu quis fazer uma homenagem a esse tempo de glamour, de artistas adorados pelo público, sem imposição da mídia. Eles não tinham seguranças, o contato era direto com os fãs”, explica.



O colar que usa, conta envaidecida, pertenceu a Emilinha e foi doado como recordação por Arthur Emílio, filho da cantora falecida. Quando troca o vestido por um modelo preto, com uma cascata de babados de tule, Divina Valéria pede tempo para retocar os lábios. “Quando eu passo batom, me embriago”, devaneia a artista, enquanto escova os cabelos.



“Tive o privilégio de conviver com algumas dessas rainhas”, continua a contar sobre esse universo mágico da música brasileira: “Dalva de Oliveira morreu praticamente nos meus braços, Ângela Maria participou comigo de um festival no Uruguai”.



Ainda criança, enquanto ajudava a mãe nas tarefas domésticas, Valéria não desgrudava do rádio. E sempre se emocionava ao acompanhar, aos sábados à noite, o programa de César de Alencar na Rádio Nacional. “A gente não via os artistas e morria de vontade de conhecê-los, de tocá-los”, relembra. Aos 14 anos, pôde assistir ao programa ao vivo, depois de dormir na fila para comprar o ingresso.



Quando encerrar a curta temporada de Rainhas do Rádio, Valéria deve retomar, em março, a bem-sucedida peça Ema Toma Blues (texto de Aninha Franco), que será apresentada também em Paris no segundo semestre deste ano. E como boa foliã, a eterna musa do Bloco Jacu aceitou o convite para fazer uma performance na abertura diária do Carnaval do Centro Histórico, pelo projeto Pelourinho Dia & Noite. Neste caso, o repertório será composto de marchinhas tradicionais e frevos de Moraes Moreira.



RAINHAS DO BALACOBACO



O concurso Rainha do Rádio, cujas cédulas de votação vinham encartadas dentro de uma revista, foi criado pela Associação Brasileira de Rádio com o objetivo de arrecadar dinheiro para a construção de um hospital. Em 1937, aconteceu a premiação de estréia, tendo como vencedora Linda Batista, que carregou a faixa até 1948, quando foi feita nova eleição.



1937 Linda Batista

1948 Dircinha Batista

1949 Marlene

1950 Marlene

1951 Dalva de Oliveira

1952 Mary Gonçalves

1953 Emilinha Borba

1954 Ângela Maria

1955 Vera Lúcia

1956 Dóris Monteiro

1958 Julie Joy



SERVIÇO



Rainhas do Rádio – Tributo a Emilinha Borba, com Divina Valéria

Todas as segundas-feiras de fevereiro, 20h

Pedro Arcanjo, Pelourinho

Entrada franca

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